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29/03/2017 08h00 | Atualizado em 29/03/2017 07h58

FIM DE UM DRAMA: Acusados injustamente de homicídio em Camaçari são absolvidos

FIM DE UM DRAMA: Acusados injustamente de homicídio em Camaçari são absolvidos

Da Redação

Teve fim nesta terça-feira (28/3) o drama de dois jovens acusados injustamente por um homicídio e uma tentativa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Tiago Lopes Santos e Miler Muniz Silva Issa, de 30 e 31 anos, foram absolvidos pelo crime contra os irmãos José Leonardo da Silva e José Leandro da Silva, de 22 anos.

O caso aconteceu em junho de 2012. Ele foi investigado pela 18ª Delegacia Territorial (Camaçari) para onde foram conduzidos cinco jovens que estavam dentro de um micro-ônibus. Na ocasião, os outros detidos foram: Douglas dos Santos Estrela, com 19 anos, Adriano Santos Lopes da Silva, 21 anos, e Adan Jorge Araújo Benevides, 22 anos.

Tiago e Miler foram inocentados pelos demais suspeitos, mas, mesmo assim, tiveram seus nomes incluídos nos autos. A defesa deles acusa a Polícia Civil pelo erro. Já a delegada responsável pelo inquérito, Maria Tereza Santos Silva, informou que todos os passageiros do micro-ônibus desceram e apedrejaram as vítimas.

A inocência da dupla foi admitida também pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). “Postura que merece aplauso. O promotor está de parabéns. Ele pediu a absolvição de Tiago e Miler explicando tudo didaticamente aos jurados. Quero pontuar ainda a defesa irrepreensível feita pelo advogado Marcos Melo”, conta a coordenadora do Instituto Popular Cárcere e Direitos Humanos José Pereira Conceição Júnior (IPCDH), Jaíra Capistrano.

Jaíra comemora a decisão. “Existem réus confessos do crime. O próprio Ministério Público exibiu reportagens sobre o caso que provavam a inocência deles”.

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ENTENDA O CASO

Moradores do bairro de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, Tiago e Miler pretendiam se divertir durante a noite de São João de 2012. Para isso, eles seguiram viagem até o município de Camaçari, com a intenção de curtir as atrações do Camaforró, evento junino promovido pela prefeitura local.

A previsão de retorno do coletivo seria o início da manhã seguinte: um esquema de transporte conhecido como ?bate e volta?. No entanto, o que eles não contavam é que aquela noite terminaria de forma trágica para os dois.

Já no final da madrugada do dia 24, um crime bárbaro aconteceu na cidade: os irmãos gêmeos José Leonardo da Silva e José Leandro da Silva, de 22 anos, foram espancados por um grupo de pessoas, quando deixavam o Camaforró.

Devido à gravidade das agressões sofridas (os dois foram vítimas de chutes e pedradas), Leonardo morreu no local e Leandro foi levado ao Hospital Geral de Camaçari, mas recebeu alta, após atendimento médico.

O pior para Tiago e Miler estava para acontecer. Os agressores, segundo testemunhas, agiram de forma homofóbica, ao deduzirem que as vítimas eram homossexuais, porque estavam andando abraçadas pela rua. Além disso, os criminosos eram, também, passageiros do veículo que havia levado os dois jovens para a festa e ambos acabaram sendo acusados de envolvimento no crime.

Tanto Tiago quanto Miler afirmam que estavam dentro do ônibus, aguardando o momento do retorno, quando um grupo sentado nas poltronas do fundo do veículo resolveu descer, de repente. Os jovens relatam, ainda, que não sabiam o que havia acontecido, mas perceberam que, em seguida, aquelas pessoas voltaram e havia muito discussão entre elas.

Àquela altura, segundo eles, o crime já havia sido consumado e quando o microônibus deixava a cidade, foi barrado por uma guarnição da polícia, que impediu a sua saída. Todos os homens foram obrigados a descer do veículo e, após as abordagens, Tiago e Miler lembram que alguns foram conduzidos para a delegacia algemados dentro da viatura, mas eles seguiram no coletivo com os demais passageiros para prestar depoimentos na 18ª DT.

A grande surpresa para a dupla foi que, ao chegar à delegacia, uma amiga das vítimas disse ter reconhecido os dois jovens como participantes das agressões.

A partir daí, Tiago e Miler, que acreditavam em suas liberações, permaneceram presos juntos aos outros jovens por uma semana naquela unidade e depois todos acabaram sendo responsabilizados e transferidos para Salvador.

Sob custódia, no Complexo da Mata Escura, Miler, em estado avançado de depressão, tentou o suicídio por duas vezes. Na primeira, ele quis se enforcar com um lençol e foi socorrido, quando já estava desfalecendo.

Depois, ele tentou cortar o pulso esquerdo, mas revelou em entrevista ao Aratu Online que nesta tentativa lhe faltou coragem de persistir no ato. Por conta desses episódios, e pelo seu estado de saúde mental fragilizado, a sua defesa solicitou e conseguiu que a Justiça concedesse prisão domiciliar para ele, enquanto aguardava o julgamento.

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Fonte: Da redação