Alimentos afrodisíacos funcionam? Veja o que a ciência realmente diz

A lista de alimentos considerados afrodisíacos é extensa e atravessa séculos

Por Da redação.

Caldo de sururu, chocolate, ostras, morangos, mel, café... A lista de alimentos considerados afrodisíacos é extensa e atravessa séculos. Mas será que eles realmente aumentam a libido ou melhoram o desempenho sexual?

A resposta curta é: não há evidências científicas conclusivas de que alimentos afrodisíacos aumentem diretamente o desejo sexual ou a performance sexual em humanos. Na maior parte dos casos, a fama desses alimentos está ligada ao folclore, à tradição cultural ou ao efeito placebo. As informações são do portal Galileu.

A lista de alimentos considerados afrodisíacos é extensa e atravessa séculos. | Foto: Redes Sociais

Isso não significa, porém, que todos sejam completamente ineficazes. Algumas substâncias naturais demonstraram resultados promissores em estudos laboratoriais e em animais, principalmente por melhorarem fatores relacionados à função sexual, como a circulação sanguínea e o relaxamento da musculatura peniana. Ainda assim, os especialistas alertam que as evidências disponíveis são insuficientes para afirmar que esses efeitos se repetem de forma consistente em pessoas.

De onde surgiu a ideia dos afrodisíacos?

O uso de substâncias para estimular a sexualidade existe há milhares de anos. Civilizações como a chinesa, egípcia, grega, romana e indiana já utilizavam ingredientes considerados capazes de aumentar o desejo sexual.

O próprio termo "afrodisíaco" deriva de Afrodite, deusa grega do amor e da beleza.

Ao longo da história, diferentes substâncias receberam essa reputação, entre elas:

  • ioimbina, extraída da casca de uma árvore africana;
  • mandrágora, planta típica da região do Mediterrâneo;
  • chifre de rinoceronte moído, utilizado na medicina tradicional chinesa;
  • "mosca espanhola", um composto extraído de besouros que, na realidade, é tóxico.

Hoje, alimentos como chocolate, ostras, café, mel e morango continuam sendo associados ao aumento da libido, embora essa relação não tenha comprovação científica robusta.

Não há evidências científicas conclusivas de que alimentos afrodisíacos aumentem diretamente o desejo sexual ou a performance sexual em humanos. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Então eles não funcionam?

Depende do que se entende por "funcionar". Algumas substâncias naturais parecem atuar de forma indireta, melhorando mecanismos fisiológicos envolvidos na função sexual, especialmente a circulação sanguínea.

Um estudo publicado em 2016 mostrou que compostos como ambreína, muira puama e ginseng promoveram relaxamento da musculatura lisa do corpo cavernoso do pênis em experimentos laboratoriais.

Na mesma pesquisa, substâncias como Tribulus terrestris, epimedium (erva-do-bode-no-cio), ioimbina, açafrão e ginseng também apresentaram melhora da ereção em modelos animais.

Entretanto, os próprios autores ressaltam que esses resultados não são suficientes para confirmar eficácia clínica em seres humanos.

Outra revisão científica chama atenção para um problema frequente: muitos suplementos comercializados combinam diversas substâncias naturais em altas concentrações, muitas delas sem estudos adequados sobre segurança ou eficácia.

Hoje, alimentos como chocolate, ostras, café, mel e morango continuam sendo associados ao aumento da libido. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Quais substâncias apresentaram resultados promissores?

Uma revisão publicada em 2013 reuniu ingredientes que demonstraram algum efeito positivo em pesquisas experimentais ou ensaios clínicos preliminares. Entre eles estão:

  • Maca peruana (Lepidium meyenii): possível melhora da performance sexual;
  • Ginseng (Panax ginseng): possível melhora da qualidade da ereção;
  • Tribulus terrestris: possível melhora da função erétil;
  • Açafrão (Crocus sativus): possível melhora da ereção;
  • Ioimbina (Pausinystalia yohimbe): possível melhora da função erétil;
  • Noz-moscada: possível aumento da libido;
  • Mondia whitei: possível redução da hesitação sexual;
  • Damiana (Turnera diffusa): possível aumento da disposição sexual;
  • Eurycoma longifolia: possível melhora da ereção;
  • Fadogia agrestis: possível melhora da função testicular;
  • Chlorophytum borivilianum: possível melhora da libido e do vigor sexual;
  • Pólen da tamareira: possível melhora da qualidade do esperma;
  • Gengibre preto tailandês: possível melhora da circulação nos testículos.

Apesar dos resultados, a maior parte dessas pesquisas foi realizada em animais ou contou com um número reduzido de participantes humanos.

O que dizem os especialistas?

Os pesquisadores alertam que ainda faltam estudos clínicos amplos, controlados e de boa qualidade para confirmar a eficácia dessas substâncias.

Além disso, mesmo quando algum benefício é observado, o efeito costuma ser discreto e varia bastante entre os indivíduos.

Os pesquisadores alertam que ainda faltam estudos clínicos amplos, controlados e de boa qualidade para confirmar a eficácia dessas substâncias. | Foto: Ilustrativa/Pexels

E quando existe disfunção erétil?

Nos casos de disfunção erétil persistente, o tratamento recomendado normalmente não envolve alimentos ou suplementos naturais.

Dependendo da avaliação médica, os tratamentos mais utilizados incluem medicamentos da classe dos inibidores da PDE5, como sildenafila (Viagra) e tadalafila, além da investigação das possíveis causas do problema, que podem incluir doenças cardiovasculares, diabetes, alterações hormonais, efeitos de medicamentos e fatores psicológicos.

Especialistas também alertam para os riscos da automedicação com suplementos vendidos como afrodisíacos, já que muitos produtos não possuem comprovação científica e alguns podem conter substâncias potencialmente perigosas ou interagir com outros medicamentos.

Importante: qualquer dificuldade persistente relacionada à libido ou ao desempenho sexual deve ser avaliada por um médico. A automedicação e o uso indiscriminado de suplementos naturais podem trazer riscos à saúde.

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