Após repercussão de fala, Filipe Luís reforça apoio a Vini Jr. em caso de racismo

Filipe Luís se referiu à situação como 'caso isolado', mas depois reforçou que racismo é crime que deve ser combatido

Por Juana Castro.

Após a repercussão de declarações dadas em coletiva depois da derrota para o Lanús, pela Recopa Sul-Americana, o técnico do Flamengo e ex-jogador da Seleção Brasileira, Filipe Luís, divulgou nesta sexta-feira (20) uma nota oficial para esclarecer sua posição e reafirmar apoio a Vinícius Júnior em caso de racismo.

O treinador foi questionado durante entrevista organizada pela Conmebol sobre episódios recentes envolvendo o atacante brasileiro e também sobre a recepção do Flamengo na Argentina. Segundo ele, a intenção foi relatar experiências pessoais, sem minimizar a gravidade das denúncias.

Filipe Luís emitiu comunicado oficial nesta sexta-feira (20) | Foto: reprodução/Instagram

O que Filipe Luís disse que gerou tanta repercussão?

Filipe Luís comentou sobre o caso envolvendo Vini Jr. na quinta-feira (19), antes e depois do confronto do Flamengo contra o Lanús, pela ida da Recopa Sul-Americana, em Buenos Aires. À ESPN, o treinador classificou o caso como delicado e afirmou que não cabe a ele fazer julgamento sobre o episódio envolvendo o jogador do Benfica, Gianluca Prestianni.

"É um tema muito mais delicado do que pensamos, um tema que envolve muitas coisas. Para mim é simples, ele (Prestianni) tapou a boca e não deveria ter tapado a boca para dizer o que deveria dizer, e isso gera toda essa revolta e agora é a palavra de um contra de outro. Isto é muito delicado e, se ele disse isso, tem de pagar. Mas repito, é a palavra de um contra de outro e não sou eu quem pode julgar”, declarou Filipe Luís.

Após a derrota na Argentina, o treinador voltou ao assunto ao ser questionado sobre a recepção ao Flamengo no país e afirmou que o episódio não altera sua percepção sobre os argentinos.

“Sempre fui muito bem tratado, a Argentina me encanta. Sou muito feliz aqui, muito bem recebido. Só tenho boas palavras para a Argentina. Um caso isolado como esse não influencia em nada do que penso sobre este país, que é tão lindo”, disse. A fala, no entanto, foi criticada por colegas, jornalistas e público.

Logo depois da partida entre Real Madrid e Benfica, o Flamengo publicou nota de solidariedade ao atacante revelado pelo clube.

“O que o Vini Jr. vive não é só sobre futebol. Ali tem um garoto que sonhou, que lutou, que venceu muita coisa para estar onde está. E dói ver alguém ser atacado simplesmente por ser quem é. A dança dele é alegria de verdade. É espontânea. É dele. Racismo não é parte do jogo. Machuca. E não pode ser normalizado. Vini, você não está sozinho. A gente sente, a gente apoia, a gente está com você", escreveu o clube.

Novo posicionamento: 'É crime que deve ser combatido'

Já nesta sexta-feira (20), por meio de nota, Filipe Luís reconheceu a sensibilidade do tema e afirmou que a forma como se expressou pode ter permitido interpretações diferentes. O técnico reforçou que mantém postura firme contra qualquer tipo de discriminação no futebol.

"O racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme", afirmou.

Ele destacou ainda que o futebol, como espaço de diversidade, não pode tolerar episódios dessa natureza.

Apoio de Filipe Luís a Vini Jr.

No comunicado, o comandante relembrou entrevista concedida antes da partida à detentora dos direitos de transmissão. Na ocasião, classificou como "covarde" a atitude de atletas que cobrem a boca para proferir insultos racistas e afirmou que não coloca em dúvida o relato da vítima.

Filipe Luís também manifestou solidariedade a Vinícius Júnior e ressaltou que casos de racismo continuam ocorrendo no cenário esportivo, muitas vezes sem punição adequada.

O treinador cobrou rigor nas sanções e reiterou que o ambiente do futebol não pode admitir discriminação.

Confira a nota na íntegra

"Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.

Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.

Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.

Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.

Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune.

Filipe Luís
Técnico do Clube de Regatas do Flamengo"

Mbappé, Lewis Hamilton e Everton Ribeiro apoiam Vini Jr. após caso de racismo

"Estamos com você, Vini". O atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, recebeu manifestações de apoio de clubes, jogadores - a exemplo de Everton Ribeiro, do Bahia, e Richarlison -, além do piloto de F1 Lewis Hamilton, após denunciar insultos racistas durante a partida contra o Benfica, válida pelo jogo de ida dos playoffs da Liga dos Campeões.

Vini Jr alegou ter sido alvo de ataque racista de jogador argentino | Foto: Reprodução/Instagram

O confronto, disputado na terça-feira, em Lisboa, foi vencido por 1 a 0 pelo clube espanhol, com gol do brasileiro. A partida ficou interrompida por cerca de dez minutos após Vinícius relatar que teria sido chamado de “macaco” pelo argentino Gianluca Prestianni, atacante do Benfica.

Após o episódio, a Uefa anunciou a abertura de uma investigação para apurar as acusações de comportamento discriminatório.

Apoio nas redes sociais

Nas redes sociais, atletas e clubes se manifestaram em solidariedade ao jogador brasileiro. Entre eles, o piloto da Ferrari, Lewis Hamilton, que frequentemente se posiciona contra desigualdade e discriminação, publicou uma mensagem de apoio. Em um story no Instagram, escreveu: “Estamos com você”, acompanhada de uma imagem de Vinícius Júnior olhando para o céu. Além disso, ele comentou uma publicação recente do jogador: "Continue a brilhar. Orgulho de você, irmão. Estou com você".

Mbappé diz que ouviu Prestianni chamar Vini de 'macaco' 5x

A partida entre Real Madrid e Benfica foi marcada por tensão após o gol da vitória do clube espanhol. Depois de balançar as redes, Vinícius Júnior comemorou dançando e, em seguida, denunciou ter sido alvo de injúrias raciais por parte de Gianluca Prestianni. O jogo foi paralisado com a aplicação do protocolo antirracismo.

Após o apito final, Kylian Mbappé comentou o episódio em entrevista à repórter Tati Mantovani, do TNT Sports. Segundo o atacante francês, o jogador do Benfica teria tentado evitar a captação das imagens ao cobrir a boca com a camisa.

"No momento de tensão, o camisa 25 do Benfica usou palavras inaceitáveis. Ele colocou a camisa na boca para que as câmeras não captassem o que dizia e chamou Vini Jr de macaco cinco vezes. Eu, Vini Jr e outros jogadores do Real Madrid perdemos o controle. Não queríamos voltar a jogar. Isso é inaceitável. Somos vistos por muitas crianças, muitas pessoas nos assistem, então precisamos dar exemplos", afirmou.

Mbappé também ressaltou que não pretende generalizar o episódio. "Eu não sou perfeito, Vini não é perfeito, os jogadores não são perfeitos. Temos nossos defeitos, mas há coisas que não podem ser aceitáveis. Não quero generalizar, estou falando de um jogador. Já estive em Portugal muitas vezes e nunca tive problema com isso. Seria um erro falar do Benfica ou dos torcedores. Estou falando desse jogador, que, para mim, não merece disputar a Champions League", declarou.

Benfica se posiciona após investigação da Uefa

O Benfica se manifestou na quarta-feira (18) após a Uefa anunciar a nomeação de um inspetor para investigar denúncias de “comportamento discriminatório” durante a partida de terça-feira contra o Real Madrid, pelos playoffs da Champions League.

Em comunicado, o clube de Lisboa informou que “encara com total espírito de colaboração, transparência, abertura e sentido de esclarecimento as diligências hoje anunciadas pela Uefa”, e reafirmou “de forma clara e inequívoca, seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão”. A nota também afirma que o clube “lamenta a campanha de difamação de que o jogador tem sido vítima”.

Veja a íntegra do comunicado:

“O Sport Lisboa e Benfica encara com total espírito de colaboração, transparência, abertura e sentido de esclarecimento as diligências hoje anunciadas pela Uefa, na sequência do alegado caso de racismo ocorrido no jogo frente ao Real Madrid.

O Clube reafirma, de forma clara e inequívoca, o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão, que vão ao encontro dos valores matriciais da sua fundação e que têm em Eusébio o seu símbolo maior.

O Sport Lisboa e Benfica reitera ainda que apoia e acredita plenamente na versão apresentada pelo jogador Gianluca Prestianni, cuja conduta ao serviço do Clube sempre foi pautada pelo respeito pelos adversários, pelas instituições e pelos princípios que definem a identidade benfiquista. O Clube lamenta a campanha de difamação de que o jogador tem sido vítima”.

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