'Sem forró, não é São João': Adelmario Coelho critica uso da data como festival
Fala foi feita em entrevista ao videocast Aratu Tá On quando o músico opinou que "Sem forró, não é São João": Adelmario Coelho critica uso da data como festival
Por João Tramm.
Um dos principais nomes da música nordestina, o cantor Adelmario Coelho fez um alerta sobre o que considera uma descaracterização crescente dos festejos juninos. Em entrevista ao Aratu Tá On, Adelmario Coelho critica uso da data como festival, com espaço reduzido para o forró e para elementos tradicionais da cultura nordestina.
Segundo Adelmario, a preocupação vai além da escolha dos artistas. Para ele, o desaparecimento de símbolos históricos da festa ameaça a própria identidade do São João.
"Eu tenho a memória da minha infância, do que representava o verdadeiro São João. O milho assado, o quebra-pote, o pau de sebo, a fogueira, tudo isso marcou gerações. Quando a gente deixa de ver esses elementos, acaba uma tradição. E quando acaba uma tradição, vira um festival. Eu acho que a luta é justamente para que a gente entenda o valor dessas raízes e preserve aquilo que fez do São João uma das maiores manifestações culturais do Nordeste."
Adelmario Coelho critica uso da data como festival
Na avaliação de Adelmario, a substituição gradual das tradições juninas por atrações de diversos gêneros musicais faz com que muitos eventos deixem de representar o verdadeiro espírito do São João.
"Você acaba uma tradição, vira o quê? Um festival", afirmou. Para ele, uma programação sem forró não deveria sequer ser apresentada como festa junina. "Para mim não é São João. Pode considerar um festival", declarou.
O forrozeiro compara a situação ao Carnaval, onde gêneros como axé e pagode ocupam naturalmente o protagonismo. Da mesma forma, ele defende que o forró seja reconhecido como o anfitrião musical do período junino: "Quem é a base do festejo? O forró. Você quer dançar o quê no São João? Forró", argumentou.
Embora seja defensor da tradição, Adelmario afirma não ser contrário à presença de outros estilos musicais nos festejos. O que ele questiona é a inversão de prioridades.
Como solução, o cantor sugere uma espécie de equilíbrio entre tradição e diversidade musical. Em sua visão, cerca de 90% da programação deveria ser formada por artistas de forró, deixando entre 5% e 10% para outros ritmos que tenham demanda popular.
"Se quiser um festival, vamos dar outro nome. Festa junina, para mim, tem que ter forró como protagonista", concluiu.

Aratu Tá On
O produto, apresentado pelo jornalista João Tramm, acontece todas as quartas e sextas, às 14h, e é transmitido pelo Youtube do Aratu On. Em mais de trinta episódios, o videocast já recebeu outros representantes do pagode, dentre elas a cantora A Dama. No papo, a artista chocou a audiência ao revelar que não escuta pagode.
Outros grandes nomes já estiveram nos estúdios do Aratu On, que também recebeu os humoristas Alda e Leozito. A dupla revelou bastidores e spoilers do novo programa deles, ‘De Frente com o Capitão’
Antes disso, o Aratu Tá On recebeu o ÀTTØØXXÁ, quando o trio comentou temas como a saída do antigo vocalista e o novo ciclo que o grupo vive. O programa também contou com a presença do influenciador Thiago Luna, que comentou sobre a probabilidade do seu time, o Vitória, ser campeão brasileiro e da Copa do Nordeste.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
