De 'barril' a 'pega a visão': conheça gírias baianas e seus significados
Quem chega à Bahia pode até conhecer o português, mas nem sempre entende de primeira algumas expressões usadas no dia a dia dos baianos
Por Bruna Castelo Branco.
“Pegue a visão”, “não venha de migué” e “isso é barril”. Quem chega à Bahia pode até conhecer o português, mas nem sempre entende de primeira algumas expressões usadas no dia a dia dos baianos. Para celebrar o Dia Nacional da Língua Portuguesa, comemorado em 5 de novembro, o Aratu On preparou um dicionário informal de Baianês para ajudar quem ainda está se familiarizando com o vocabulário local.
Assim como acontece em outras partes do Brasil, a Bahia tem expressões próprias, que atravessam gerações e aparecem em conversas entre amigos, nas ruas e até nas redes sociais. Algumas são usadas para elogiar, outras para reclamar, brincar ou simplesmente dar mais ênfase ao que está sendo dito.

Confira, abaixo, alguns exemplos e seus significados:
Dicionário de Baianês
Pombo sujo: pessoa considerada mau-caráter, enrolada ou pouco confiável.
Baixo astral: expressão que pode ser usada para descrever alguém ou uma situação desagradável. Em determinados contextos, também se refere a comportamentos considerados de baixo nível.
Lá ele: reação usada para afastar uma interpretação maliciosa ou de duplo sentido. Pode equivaler a “Deus me livre” ou “eu, não!”.
Voltei, puta!: expressão de impacto usada para enfatizar um retorno ou uma chegada, com tom de surpresa ou brincadeira.
Seu puto: forma de chamar alguém de sacana ou sem-vergonha. Dependendo da intimidade e da entonação, pode ser uma provocação bem-humorada.
Barril: algo complicado, tenso ou difícil. Também pode ser usado para destacar uma situação intensa.
Migué / Miguezeiro: migué é uma desculpa esfarrapada ou uma conversa para enganar alguém; miguezeiro é quem costuma recorrer a esse tipo de artifício.
Negão / Minha filha: formas informais de tratamento usadas em conversas cotidianas, inclusive com pessoas que não são necessariamente negras ou mulheres. O sentido depende da intimidade, do contexto e da maneira como são ditas.
Boca de me dê: pessoa que vive pedindo coisas aos outros, especialmente comida. É o famoso “pidão”.
Brocar: mandar muito bem, arrasar ou ter um desempenho excelente.
Baratino: conversa fiada, enrolação ou história inventada.
Pegar a visão: prestar atenção, ficar ligado ou entender o que está acontecendo.
Comer água: consumir bebidas alcoólicas, geralmente em um contexto de festa ou diversão.
Se pique / Se saia: ir embora, sair de algum lugar ou deixar uma situação.
Massa: algo legal, bacana ou interessante.
É bala: expressão usada para dizer que algo é muito bom, bonito ou excelente.
Aperta a mente: pressionar alguém, insistir em determinado assunto ou ficar pegando no pé.
Crocodilagem: atitude de falsidade, traição ou deslealdade.
É niuma: expressão que pode indicar que a pessoa não vai deixar determinada situação passar e que pode haver uma reação ou revanche.

Convite para a festa também tem tradução
A simpatia e a receptividade são marcas frequentemente associadas à cultura baiana. E, se a conversa virar convite para uma festa, é possível que você escute expressões como:
“Êa! Bó pu regui?”: um convite para ir ao reggae ou a uma festa.
E, se a estadia na Bahia durar um pouco mais, não estranhe se a relação com comerciantes, vizinhos ou prestadores de serviço ficar mais próxima. Entre os apelidos carinhosos que podem aparecer na conversa estão “binho” e “binha”, formas afetuosas de chamar alguém.
Vale lembrar que o significado das expressões pode variar de acordo com a região, o contexto e a entonação. Afinal, a criatividade do baiano não cabe em um único dicionário — e sempre há uma gíria nova entrando em circulação.
Agora é sua vez: qual expressão não pode faltar em um dicionário de Baianês?

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