Asa Branca está fora do Festival de Quadrilhas do Galinho
Mesmo com a saída da Quadrilha Asa Branca, o Festival de Quadrilhas do Galinho segue sendo realizado normalmente nos dias 23 e 24 de junho, em parceria com a Federação Baiana das Quadrilhas Juninas (FEBAQ)
Por Taís Rocha.
A Quadrilha Asa Branca anunciou que não vai mais se apresentar no Festival do Galinho 2026, que acontece nesta terça (23) e quarta-feira (24), no Ginásio Poliesportivo de Madre de Deus. A decisão foi comunicada pela diretoria do grupo por meio de uma nota oficial divulgada nas redes sociais.
Segundo o comunicado, a desistência ocorreu por "necessidade de ajustes técnicos e viabilidades administrativas". A quadrilha informou que optou por não participar do evento para preservar a qualidade do espetáculo apresentado ao público.
Asa Branca está fora do Festival de Quadrilhas do Galinho
Na mensagem, a diretoria afirmou que o grupo estava ansioso para participar de mais uma edição do festival, mas destacou que a decisão foi tomada com responsabilidade. A Asa Branca também agradeceu à organização do evento pela compreensão e ao público de Madre de Deus pelo carinho recebido, reforçando que continuará levando a cultura junina para outros eventos.
Festival de Quadrilhas segue acontecendo
Mesmo com a saída da Quadrilha Asa Branca, o Festival de Quadrilhas do Galinho segue sendo realizado normalmente nos dias 23 e 24 de junho, em parceria com a Federação Baiana das Quadrilhas Juninas (FEBAQ).
As apresentações reúnem quadrilhas de diversas cidades baianas na disputa pelo Troféu Celisa Felicidade. Entre os critérios avaliados pelos jurados estão conjunto do trabalho, coreografia, figurino, musicalidade, marcador e casamento.
Com a desistência da Asa Branca, permanecem na programação quadrilhas de cidades como Salvador, Catu, Camaçari, Mata de São João, Alagoinhas e Candeias, além de outras participantes previstas pela organização do festival. Entre os grupos participantes estão Forró do ABC, de Salvador; Bela Flor, de Catu; Fogueira Santa, de Camaçari; Caipiras da Mata, de Mata de São João; Beija-Flor, de Alagoinhas; e Brilho de Candeias, de Candeias.

Como surgiram as quadrilhas juninas
Um elemento característico que faz parte das tradições do São João, as quadrilhas juninas vieram da Europa, com forte influência francesa. Esta manifestação cultural tem origem na contradança europeia, de influência francesa. Chamava-se quadrille, pois era dançada com quatro ou oito casais, que formavam um quadrado e preenchiam os salões da corte portuguesa. Com a mudança para o Brasil, em 1808, a família real trouxe consigo esta dança, que se espalhou pelos salões do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
Um exemplo de como essas raízes francesas ainda permanecem nas quadrilhas são os comandos que regem a dança: anarriê, alavantú e balancê.

De acordo com Sálua Chequer, mestre em artes e estudiosa da cultura nordestina, com o passar do tempo, a burguesia e a população geral passaram a reproduzir as danças da nobreza portuguesa, o que proporcionou adaptações e a adesão do estilo nas regiões interioranas. Mas um acontecimento histórico causou o rompimento das quadrilhas com as capitais: a proclamação da república.
Longe dos grandes centros urbanos, as quadrilhas ganharam novas características, típicas do cotidiano rural. “É como o caminho da roça. Aquele caminho em que vai um atrás do outro, porque não há uma estrada larga”, descreve Sálua Chequer, sobre o túnel de passagem formado pelos braços dos casais. “É uma coisa com características de interior, da zona rural. Então esse cotidiano da vida simples no campo é incorporado à quadrilha, e toda a movimentação é feita disso”, complementa.
Além disso, saíram os instrumentos de orquestras e entraram triangulo, zabumba e sanfona, tocando xote, o xaxado e o baião.
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