PIB pode incluir comércio de drogas ilícitas em revisão do IBGE prevista para 2028
Drogas ilícitas estão entre as atividades analisadas pelo IBGE na revisão do cálculo do PIB brasileiro, seguindo referências internacionais
Por Dinaldo dos Santos.
O PIB brasileiro poderá passar a considerar, no cálculo das Contas Nacionais, estimativas relacionadas à comercialização de drogas ilícitas. A inclusão é estudada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dentro da revisão da metodologia usada para medir a atividade econômica do país, cujo primeiro resultado está previsto para 2028.

A discussão pode causar estranhamento à primeira vista, mas a lógica das Contas Nacionais é medir a atividade econômica de forma abrangente, inclusive quando determinadas operações são informais ou ilegais. Segundo o IBGE, essa orientação está prevista em manuais internacionais utilizados como referência para a elaboração das estatísticas econômicas.
Drogas ilícitas entram na revisão do PIB
O IBGE começou a discutir especificamente a estimativa da comercialização de drogas ilícitas nas Contas Nacionais brasileiras em 2019. Dois anos depois, em 2021, foi realizada uma primeira estimativa experimental para testar a metodologia.
A possibilidade também não é exclusiva do Brasil. A inclusão de atividades ilegais nas Contas Nacionais segue referências internacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) e de organismos como a Eurostat. Países europeus adotam esse procedimento há anos. A Inglaterra, por exemplo, passou a contabilizar drogas ilícitas em suas Contas Nacionais em 2014.
O que muda no cálculo?
A revisão não significa que o IBGE esteja tratando a atividade ilegal como uma atividade autorizada ou regular. O objetivo das Contas Nacionais é estimar a produção, a renda e os demais fluxos econômicos existentes no país.
O Sistema de Contas Nacionais reúne informações de diferentes pesquisas, registros fiscais e administrativos e outras fontes para medir a geração, a distribuição e o uso da renda na economia brasileira.
A inclusão de novas atividades, portanto, pode alterar séries históricas e indicadores quando a nova metodologia for incorporada. O tamanho desse eventual impacto sobre o PIB ainda não foi divulgado pelo IBGE.
Resultado só será conhecido em 2028
A revisão do Sistema de Contas Nacionais ocorre periodicamente. O IBGE informou que o trabalho metodológico ainda está em andamento e envolve testes relacionados a diferentes componentes das Contas Nacionais, não apenas às atividades ilícitas.
A nova série terá como referência o ano de 2021, conforme a atualização metodológica atualmente em implantação pelo instituto.
Até a divulgação dos primeiros resultados, portanto, não é possível afirmar quanto a eventual inclusão das drogas ilícitas representará no PIB brasileiro. O impacto dependerá dos métodos, fontes e estimativas que forem definidos pelo IBGE ao longo do processo.
Consumo de drogas ilícitas no Brasil
Cerca de um em cada cinco brasileiros (18,7%) já experimentou substâncias psicoativas ilícitas ao menos uma vez na vida, segundo a atualização do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Entre os homens, o percentual é de 23,9%, enquanto entre as mulheres chega a 13,9%.

O estudo aponta que, entre jovens menores de idade, a proporção de meninas que já experimentaram drogas supera a de meninos. De acordo com os dados, 8,1% da população — mais de 13 milhões de pessoas — fizeram uso de drogas até um ano antes da realização da pesquisa. Em contrapartida, em setembro deste ano o plenário do Senado Federal aprovou um projeto de lei que aumenta a pena para quem fornece drogas ou bebidas alcoólicas a crianças e adolescentes.
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