Desconto por greve deixa servidores do IBGE sem salário na Bahia
Servidores do IBGE Bahia sem salário: funcionários tiveram os dias parados descontados de uma só vez na folha de outubro; sindicato contesta medida
Por Isabela Cardoso.
A folha de pagamento de outubro trouxe uma surpresa para servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Bahia: o desconto integral dos dias em que participaram da greve realizada em agosto e setembro. Segundo o sindicato da categoria, a cobrança concentrada em uma única parcela fez com que alguns funcionários ficassem sem receber salário no início de novembro.

Servidores do IBGE Bahia sem salário
A situação provocou reação dos trabalhadores e levou o instituto a se manifestar nesta sexta-feira (6). Em nota, o IBGE afirmou que não interrompeu o diálogo com os servidores e que pretendia retomar as negociações depois do período de defeso eleitoral, encerrado em 25 de outubro.
"O IBGE não se recusou ao diálogo. Ao contrário, comunicou formalmente que o processo negocial prosseguiria após o período de defeso eleitoral", declarou a instituição.
Por que o IBGE descontou os dias de greve?
O principal questionamento dos servidores é a forma como os descontos foram realizados. O Assibge afirma que não houve acordo prévio para definir como seria feita a cobrança dos dias parados e que a aplicação integral na folha de outubro provocou prejuízos financeiros aos funcionários.
Na Bahia, os impactos foram maiores porque o estado concentrou a maior adesão à mobilização. O sindicato também afirma que tentou construir uma alternativa para a compensação dos dias de paralisação, mas não conseguiu avançar nas negociações com a direção.
O IBGE sustenta que o desconto em parcela única está de acordo com as normas da administração pública federal e com as orientações do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Segundo o instituto, 143 funcionários participaram da greve, o equivalente a aproximadamente 1% do total de servidores. O período de paralisação variou de um a 25 dias por trabalhador.
Quais eram as reivindicações dos servidores?
A greve de agosto e setembro foi motivada por divergências entre os funcionários e a direção do IBGE sobre questões relacionadas às condições de trabalho e à carreira.
Entre as demandas apresentadas pela categoria estavam alterações nas regras de trabalho, revisão dos critérios de progressão profissional e redução das indenizações pagas aos servidores que atuam em pesquisas de campo.
O sindicato também buscava negociar a compensação dos dias de paralisação para evitar os efeitos financeiros de um desconto integral. Segundo a entidade, uma proposta chegou a ser apresentada, mas não houve acordo.
IBGE promete manter diálogo com trabalhadores
Diante da insatisfação, o instituto voltou a afirmar que está disposto a continuar as tratativas com a categoria. A direção, porém, destacou que qualquer negociação precisa respeitar os limites legais e as atribuições do órgão e das instâncias centrais do governo federal.
O posicionamento não encerra o impasse sobre os descontos aplicados aos salários de outubro. Os servidores contestam a forma de cobrança, enquanto o IBGE mantém o entendimento de que seguiu as regras da administração pública.
Procurado pela reportagem, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos não respondeu aos pedidos de posicionamento.
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