A ascensão representa a entrada de mais de 10 mil novos investidores em apenas um ano e reforça o papel do estado no avanço do mercado de capitais fora do eixo tradicional Sul/Sudeste.

Novo mercado: Bahia puxa crescimento de investidores no Norte e Nordeste
No mesmo período, o total de investidores pessoa física cresceu cerca de 3,98% no Nordeste e aproximadamente 4,4% no Norte, segundo o relatório mais recente da instituição. O desempenho baiano, acima da média regional, evidencia a consolidação dessas regiões como novos vetores de expansão do mercado financeiro e sinaliza um movimento consistente de descentralização do investidor brasileiro.
O avanço acompanha uma tendência mais ampla registrada nos últimos cinco anos. Entre 2020 e 2025, Norte e Nordeste contabilizaram crescimento superior a 100% no número de investidores. Embora o Sudeste ainda concentre a maior parcela da base nacional, os dados indicam ampliação gradual do acesso aos investimentos e maior diversificação geográfica do mercado.
A expansão também está associada à digitalização dos serviços financeiros e à ampliação do acesso à informação, fatores que têm estimulado o interesse por planejamento financeiro, organização do orçamento e alternativas à poupança. Ainda assim, cerca de 30 milhões de brasileiros mantêm recursos aplicados na caderneta, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Um dos desafios nacionais, em termos de investimentos e economia, é a instabilidade do cenário político/fiscal do país. Já na Bahia, a economia do estado vem passando por transformações significativas nos últimos anos. Tradicionalmente marcada pela força do cacau e do petróleo, hoje o estado diversifica as bases produtivas
Região Norte/Nordeste
No Norte e Nordeste, onde predomina um perfil mais conservador, aproximadamente R$ 200 bilhões continuam alocados na poupança. O volume demonstra que segurança e familiaridade ainda influenciam fortemente as decisões financeiras, mesmo diante de opções com maior potencial de rentabilidade.
“A poupança segue sendo o investimento mais popular do país, mas já não cumpre o papel básico de preservar o poder de compra do brasileiro. Hoje, existem alternativas igualmente seguras, com liquidez e proteção regulatória, que entregam uma rentabilidade significativamente maior, como o Tesouro Direto, por exemplo. O desafio não é apenas migrar recursos, mas ampliar o entendimento de que segurança não está mais restrita à poupança, e que planejamento financeiro é o que, de fato, protege o patrimônio no longo prazo”, afirma Larissa Falcão, sócia e líder da XP nas regiões Norte e Nordeste.
Projeções indicam que manter R$ 100 mil na poupança pode representar uma diferença de até R$ 130 mil em dez anos quando comparado a aplicações conservadoras como CDBs, LCIs, LCAs e Tesouro Direto, mesmo em cenário de juros elevados. Em 2025, mais de R$ 85 bilhões foram retirados da poupança no país, marcando o quinto ano consecutivo de saques líquidos, segundo dados do Banco Central.
Para quem deseja começar a investir em 2026, especialistas recomendam definir objetivos de longo prazo, identificar o perfil de risco e formar uma reserva de emergência em produtos líquidos e conservadores, como Tesouro Selic, CDBs e fundos DI. Disciplina nos aportes, diversificação e acompanhamento periódico da carteira são apontados como pilares de uma estratégia sustentável.