Fim do Dolly Guaraná? Empresa se manifesta após pedido de falência

Após a Justiça pedir falência, a empresa do Dolly Guaraná se manifestou sobre o pedido de falência e a dívida estimada em R$ 15 bilhões

Por Lucas Pereira.

Após ser noticiado que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP) protocolaram, na última quarta-feira (1º), o pedido de falência do Grupo Dolly, muitos internautas se perguntaram se seria o fim do Dolly Guaraná, famoso pelo personagem Dollynho e suas propagandas comemorativas.

FFim do Dolly Guaraná? Empresa se manifesta após pedido de falência. Foto: Divulgação
Nesta quinta (2), o Grupo Dolly se manifestou sobre a ação e as dívidas estimadas em R$ 15,7 bilhões.Em nota obtida pelo Aratu On, a Dolly Refrigerantes informou que não foi oficialmente citada ou intimada pelo Poder Judiciário e que tomou conhecimento do processo por meio da imprensa.

A companhia classificou a iniciativa dos órgãos fiscais como uma "conduta temerária e persecutória", negando as acusações das procuradorias de que teria utilizado seu processo anterior de recuperação judicial, finalizado em maio após quase oito anos, como uma estratégia de "blindagem patrimonial" para travar cobranças.

A Dolly, que existe desde 1987, garantiu ainda que mantém o compromisso com a regularidade de suas operações e que acionará todas as medidas processuais cabíveis, nas esferas cível e criminal, assim que receber a notificação formal.

Pedido de Recuperação Judicial da Dolly

Tramitando na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, o processo detalha que, dos mais de R$ 15 bi devido, R$ 8,3 bilhões estão inscritos na dívida ativa da União, R$ 7,4 bilhões correspondem a débitos com o estado de São Paulo e cerca de R$ 15 milhões são referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Na manifestação enviada à Justiça, os órgãos sustentam que grande parte desse valor é considerada exigível e não possui garantias suficientes para a quitação.

As procuradorias argumentam que o endividamento da empresa arrasta-se há mais de 25 anos e acusam o grupo de adotar uma estratégia para postergar as cobranças.  Segundo a petição, a Dolly utilizou o processo de recuperação judicial para suspender execuções fiscais e impedir medidas de constrição de bens, sem efetivamente regularizar os débitos. Após o fim do processo judicial, a empresa tentou ingressar em uma recuperação extrajudicial, mas não cumpriu os requisitos legais necessários.

Após a Justiça pedir falência, a empresa do Dolly Guaraná se manifestou sobre o pedido de falência e a dívida estimada em R$ 15 bilhões. Foto: Divulgação

Em 2023, a Máquina de Vendas, dona da Ricardo Eletro passou por situação parecida, após a Justiça de São Paulo decretar falência. O grupo até tentou recorrer da decisão e revertou-a por três vezes, porém, ainda está enfrentando uma batalha judicial e não opera mais lojas físicas.

Outra empresa que protocolou pedido de recuperação judicial foi a das Lojas Americanas, após uma fraude bilionária, estimada em R$ 22 bi, em 2023. À época, o ex-CEO do Grupo Americanas, Miguel Gutierrez, chegou a ser preso por suspeita de envolvimento nos desvios financeiros, mas foi solto. Atualmente, as Americanas aguardam resultado do pedido de encerramento da recuperação.

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