Alimentação e energia sobem em Salvador, mas inflação desacelera em junho

Prévia da inflação na Região Metropolitana de Salvador foi a menor do país; alimentos e conta de luz subiram, enquanto combustíveis registraram queda

Por Laraelen Oliveira.

A prévia da inflação de junho na Região Metropolitana de Salvador desacelerou pelo segundo mês consecutivo e fechou em 0,28%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo da média nacional, de 0,41%, e colocou Salvador entre as localidades com a menor inflação do país no período.

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Inflação acumulada de 4,50% em 12 meses ainda impacta o poder de compra dos baianos, especialmente em despesas essenciais como moradia, alimentação e transporte/Foto: Reprodução

Mesmo com a desaceleração, o aumento dos preços de alimentos e da energia elétrica continuou impactando o orçamento das famílias soteropolitanas. Em contrapartida, a queda nos combustíveis ajudou a reduzir a pressão inflacionária no mês.

Energia elétrica e alimentação puxam inflação em Salvador mesmo com desaceleração do índice 

O grupo de saúde e cuidados pessoais apresentou uma das maiores altas, com avanço de 0,63%, impulsionado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, medicamentos e planos de saúde. Já o grupo habitação registrou aumento de 0,58%, tendo como principal responsável a energia elétrica residencial, que ficou 2,18% mais cara em junho.

A alta da conta de luz foi influenciada pela bandeira tarifária amarela, que adiciona cobrança extra na tarifa de energia, além dos reajustes aplicados em algumas capitais, incluindo Salvador. Individualmente, a energia elétrica foi o item que mais contribuiu para elevar a prévia da inflação na região.

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Mesmo com desaceleração do índice, a Inflação continua sendo influenciada por custos de energia, um dos itens que mais pesam no orçamento das famílias brasileiras/Foto: Freepik 

Após registrar em maio a maior alta mensal dos últimos seis anos, o grupo alimentação e bebidas desacelerou e avançou 0,19% em junho. Apesar do resultado mais moderado, alguns produtos continuaram apresentando aumentos expressivos, como a batata-inglesa, que subiu 21,70%.

Por outro lado, itens importantes para o consumo diário tiveram redução de preços, como o café moído, que caiu 5%, as frutas, com recuo de 2,01%, e as carnes, que ficaram 0,73% mais baratas.

Gasolina e etanol ficam mais baratos e aliviam pressão da inflação em Salvador 

Outro fator que contribuiu para segurar a inflação em Salvador foi a queda no grupo transportes, que registrou deflação de 0,23%. O resultado foi puxado principalmente pelos combustíveis, que tiveram redução média de 1,92%.

A gasolina ficou 1,53% mais barata, enquanto o etanol apresentou queda de 5,21%, tornando-se os principais responsáveis por aliviar a pressão inflacionária no mês. Apesar disso, as passagens aéreas registraram aumento de 12,29%, amenizando a queda do grupo.

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Com o resultado de junho, a inflação acumulada na Região Metropolitana de Salvador chegou a 3,82% no primeiro semestre de 2026 e a 4,50% nos últimos 12 meses. Embora esteja abaixo da média nacional no acumulado anual, o índice segue acima da meta de inflação estabelecida pelo governo federal.

A expectativa agora é pela divulgação do IPCA oficial de junho, prevista para o próximo dia 10 de julho, quando será possível confirmar o comportamento dos preços no país e em Salvador.

Alta do gás de cozinha e energia elétrica mantém pressão sobre orçamento das famílias

Apesar da desaceleração da inflação em Salvador, alguns itens continuam pesando no bolso dos consumidores. Além da alta da energia elétrica registrada na prévia da inflação de junho, os baianos estão enfrentando um novo aumento no preço do gás de cozinha.

A Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, anunciou reajuste de 9,59% no gás liquefeito de petróleo (GLP). De acordo com o Sindicato dos Revendedores de Gás do Estado da Bahia (SinRevGas), o aumento deve representar um acréscimo entre R$ 8 e R$ 10 para o consumidor final. Em Salvador, o botijão de 13 quilos é vendido atualmente entre R$ 130 e R$ 145.

A Inflação também pode sofrer influência de fatores internacionais, como oscilações cambiais, crises globais e mudanças nas tarifas de importação e exportação/Foto: Reprodução 

Enquanto despesas essenciais como energia e gás seguem pressionando o orçamento doméstico, o governo federal anunciou medidas para facilitar o acesso ao crédito para trabalhadores de aplicativos. Com a implementação do Move Aplicativos, iniciativa do programa Move Brasil, mais de 30 modelos de veículos passaram a contar com redução de preços para motoristas de aplicativo e taxistas.

Além disso, foi lançada uma linha de crédito voltada para entregadores e motociclistas de aplicativos, com o objetivo de ampliar o acesso ao financiamento de motocicletas e incentivar a renovação da frota.

No cenário internacional, outra medida pode trazer reflexos para a economia brasileira. O governo dos Estados Unidos anunciou uma proposta para aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. Apesar disso, itens considerados estratégicos, como café e carne bovina, devem ficar de fora da taxação.

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