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14/03/2017 20h20 | Atualizado em 14/03/2017 20h21

RESPOSTA: Em post na internet, Moraes Moreira desabafa sobre Carnaval: “Tentaram melar meu baba”

RESPOSTA: Em post na internet, Moraes Moreira desabafa sobre Carnaval: “Tentaram melar meu baba”

RESPOSTA: Em post na internet, Moraes Moreira desabafa sobre Carnaval: “Tentaram melar meu baba” Foto: Nestor Carrera - Aratu Online
Da Redação

O Carnaval 2017 não foi dos melhores para Moraes Moreira. O pioneiro — detém esse título por ter sido o primeiro artista a cantar em cima do trio na Bahia — se apresentou duas vezes na folia e, em ambas (domingo e terça), teve sérios problemas com quebra do caminhão.

Passados duas semanas do fim da festa, Moraes desabafou. Em sua página no facebook disse que “nunca em meus tantos carnavais havia passado por esta situação”. Narrou ainda que recebeu um conselho da Polícia Militar “para abandonar o caminhão” após problemas com o derramamento de óleo na pista. Contou ainda que os fãs bradaram: “Moraes Moreira não merece ser tratado dessa maneira?.

O ex-vocalista dos Novos Baianos criticou ainda o trio de Thiago Abravanel, que tocou antes dele: “um marinheiro de primeira viagem”.

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Veja nota completa:

Posso me considerar um homem feliz. Já na casa dos 70, ainda tenho disposição para subir num trio elétrico, cantar por mais de quatro horas com o auxilio do meu filho Davi Moraes. Seguimos a tradição de Osmar: família que toca unida permanece unida. A nossa banda entra nesse clima caseiro. O repertório vai desde os sucessos carnavalescos a clássicos da MPB.

Já são 42 anos dedicados ao Carnaval da Bahia e do Brasil. Nossas canções resistiram a tudo e a todos, dando mostras de que vieram para ficar. Passada a euforia dos sucessos imediatos, elas ressurgem gloriosas, no gogó dos foliões, inteiras e renovadas pela juventude. Reforçam assim um conceito que tenho: um bom Carnaval se faz com passado presente e futuro.

Nosso Carnaval 2017 começou em Natal. Ainda lá recebi pelo celular uma mensagem de Armandinho: “Fala Moreira, Caetano declarou que você é o pai do Axé e pronto, quer você queira ou não. Que você foge disso como o diabo foge da cruz”. Fiquei intrigado, mas respondi: ?deixa Caetano falar?.

Caetano disse que eu era o pai do Axé e do Carnaval moderno. A segunda parte da mensagem: “quer você queira ou não”, não ficou claro se foi ele que disse. Fiquei meio cabreiro, pois me pareceu autoritário, feriu suscetibilidades e provocou ciumeiras. Como sabemos, a paternidade é disputada por muitos.

Quando o Axé chegou foi arrasador. A engrenagem formada pelas gravadoras, empresários e radialistas, baniram as minhas músicas e as de Dodô e Osmar de toda e qualquer programação dos meios de comunicação. De repente ficamos velhos, nenhuma conexão entre nós e o novo movimento aconteceu. Poucos artistas se pronunciaram: Luiz Caldas e Bel Marques sâo alguns dos poucos que nunca negaram a nossa influência.

Enquanto o Axé vivia seu auge conseguíamos aqui e acolá, emplacar na Bahia, com muita dificuldade, uma ou outra música na programação, como Chame Gente, Cidadão e Lua dos Amantes.
Dizer que eu tenho algum preconceito em relação ao Axé é algo que não faz o menor sentido. Com muito orgulho sou parceiro de Gerônimo, de Neguinho do Samba, entre outros. Digo na letra de Chame Gente, Bahia de todos os Santos, encantos e Axé. Na saída de Natal para Salvador comentei com Davi, que estava sentindo uma energia pesada no ar. Cheguei na cidade da Bahia e fiz as minhas obrigações.

Havia passado um verão feliz em Salvador. Lancei o meu livro de poesias ?Poeta não Tem Idade?, me apresentei no teatro Rubi e participei da Noite de Santo Amaro, fui no projeto social de Margareth Menezes e na Casa do Sol. Tudo prenunciava um Carnaval maravilhoso.
A comemoração pelos 70 anos de Moraes cresceu, ainda mais depois da divulgação da música-tema da TV Bahia, composta por Mateus Aleluia, que faz referência aos 50 anos Tropicália e à minha efeméride.

Sabíamos de antemão que o trio a ser usado por nós no domingo seria o Trio Light, fornecido pela prefeitura, e na terça teríamos o Trio O Ricardão, do governo estadual. Ressalva: como o nome dos trios são feios, falta inspiração, sou do tempo do Tapajós, Marajós, Caetanave, Trio Espacial.
Completamente chocada, nossa empresária Bel Kurtz nos deu a noticia: “o caminhão está com problemas de embreagem, não consegue sair do lugar?. Imagine, esses caminhões são vistoriados por vários orgãos. Nunca em meus tantos carnavais havia passado por esta situação. O reboque foi chamado para trocar o cavalinho, outra cabine seria acoplada. Apesar da demora, conseguimos fazer a troca. Fomo embora, a nossa pipoca esperava. Fomos aos trancos e barrancos pois o motorista não se entendia com o novo sistema de embreagem. Logo no início do circuito, o tombo foi tão grande que fui ao chão. Pedi desculpas e segui cantando. A pipoca estava conosco.

Chegamos perto de Ondina com muito sacrifício. Aí começou a cair uma chuva. Os funcionários do trio começaram a cobrir os equipamentos, percebi que estava correndo risco de vida. Resolvi parar de cantar, mas Davi continuou a tocar com a banda. Diante de nossas reclamações, uma senhora ameaçou nos processar.

Na terça-feira, as esperanças não se renovaram com Trio Ricardão. Pra completar, o trio de Thiago Abravanel tocava sem parar. Um marinheiro de primeira viagem.

Seguimos com a pipoca enlouquecida. Na altura do Barravento, o trio parou de andar e derramou todo o óleo na pista. O pessoal da polícia militar pediu que abandonássemos o caminhão. Esperei a troca da cabine, tirei fotos com os fãs, que, bradaram: “isto é um absurdo, uma vergonha, um artista como Moraes Moreira não merece ser tratado dessa maneira?. Para felicidade, o motorista era bom e nos conduziu até o fim do circuito. Nossa pipoca deu uma demonstração de amor.

Num momento de lucidez, o secretário Isaac Edington, da Saltur, declarou ao jornal Correio: “A gente tem uma frota de trios elétricos sucateada. Os trios são muito antigos em sua maioria, por mais que eles passem pelo processo de fiscalização, onde a gente tem todos os órgãos responsáveis cuidando disso, mas eles ainda deixam muito a desejar?. Tentaram melar meu baba, mas não conseguiram.

O povo baiano viu que eu estava lá com minha história, meu repertório, com Davi Moraes, a banda e uma equipe dedicada. Eu sou o primeiro cantor do trio, e esse, com certeza, não será o meu último Carnaval.

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Fonte: Da redação