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24/04/2015 13h41 | Atualizado em 25/04/2015 08h26

Conheça a história de Chêe Zuêro, o humorista que faz sucesso nas redes sociais

Conheça a história de Chêe Zuêro, o humorista que faz sucesso nas redes sociais

Cláudia Costa

Fenômeno nas redes sociais, Bruno Oliveira, 33 anos, criador do personagem Chêe Zuêro, bateu um papo com o Aratu Online. A página, que completa um ano no próximo mês, já tem mais de 75 mil curtidas. Mas o que atrai tanta gente? Os vídeos das histórias contadas dentro do carro no ?estressificamento? do trânsito da capital baiana. Isso mesmo, o riso. De um jeito bem baiano, Chêe foi conquistando cada vez mais seguidores e fãs no Estado e no mundo abordando temas de relacionamento, política, economia e tudo que sua criatividade permitir. Confira a entrevista que o fisioterapeuta comediante deu para o nosso site e descubra um pouco mais sobre essa figura.

Aratu Online: Como surgiu o personagem Chêe Zuêro?
Chêe: Eu já tenho essa veia artística de gostar de fazer zoeira e gostar de fazer os outros darem risada. Mas, devido ao ?estressificamento? (o personagem, tem um vocabulário próprio ) do trânsito eu fui fazer uma brincadeira no dia dos namorados e acabou dando nisso. Eu fiz o primeiro vídeo, mandei pra um tio meu, ele botou no grupo da família e viralizou, ai eu me empolguei e fui embora.

AO: E o nome Chêe Zuêro vem de onde?
CZ: O meu apelido já era Chêe na rua, na escola e ai eu fui para um baba na praia no Porto da Barra e num momento de descontração eu comecei a falar um monte de maluquice e o pessoal: “Ah Che é muito zuêro, tem que filmar isso ai e botar na internet”, ai ficou Chêe Zuêro.

AO: Como surgem os temas para gravar os vídeos? Já viveu alguma situação parecida com aquelas que você conta?
CZ: Na hora do estresse mesmo, dentro do carro. As pessoas perguntam você não grava em outro lugar? A química só acontece dentro do carro, quando estou no trânsito parado a mente começa a viajar, e aí o que vier na cabeça rola, não tem edição, não tem texto, do jeito que vier vai. A maioria dos vídeos, aliás, têm um fundo de verdade, por isso as pessoas se identificam. Já passou por uma situação igual ou conhece alguém que já passou por uma situação semelhante. São histórias reais. Os vídeos de maior evidência são o do dia dos namorados e enterro de parente. Quem nunca se pegou numa situação de falecimento de uma pessoa próxima e que teve aquela correria toda. Tive que emprestar uma grana e daí aconteceu toda aquela situação. Consegui reaver o dinheiro da forma mais estranha possível. A mãe dela me deu R$ 100, o irmão tinha dois pneus na garagem, que eu levei. Cadê meu Pneu? Eu peguei, desconte no dinheiro do morto e aí foi abatendo o dinheiro que me deviam.

AO: Como fisioterapeuta, você leva o humor para sua profissão?
CZ: Levo sim, eu gosto bastante. Uma das minhas características nos lugares que eu já passei, eu gosto de levar alegria. Então isso me ajudou e me ajuda bastante porque no exercício da minha profissão eu trabalho com a debilitação humana, com enfermidade das pessoas, então nada melhor do que o bom humor e alto astral pra rebater tudo isso. Eu sempre conto uma história pra tentar desviar o momento de dificuldade e acaba dando certo.

AO: O personagem Chêe já te trouxe lucro?
CZ: Eu já fiz algumas campanhas publicitárias. Tive a oportunidade de escrever um personagem pra um político que me deu um retorno razoável. Mas, por enquanto está só na risada mesmo, até porque é tudo muito recente, a página ainda vai fazer um ano.

AO: Como você define o tipo de humor que você faz?
CZ: O diferencial é que eu faço uma comédia que qualquer pessoa pode assistir. O fato de já ter encarado uma sala de aula fazendo programa de saúde ajudou, eu não vejo a necessidade falar palavrão, fazer bulling, falar coisas obscenas. Uma coisa que me chamou atenção esses dias foi um guri. A mãe dele filmando e ele me imitando, então se fosse um vídeo de coisas obscenas jamais a mãe dele deixaria ele gravar.

AO: Você imaginou que teria mais de 70 mil seguidores? Imaginava que uma brincadeira tomaria essa proporção?
CZ: Eu não esperava essa repercussão toda, foi uma surpresa!! Um amigo meu fez a página pra mim e colocou o primeiro vídeo e já estourou. Ai ele me ligava, “Velhooo… já tem 100 pessoas, já tem 150, daqui a pouco tem 200, 500”, e eu comecei a me empolgar, e gravava mais vídeos, falava mais maluquice. E eu descobri que meu ponto forte é estar dentro do carro no trânsito, que a mente flui. Já tentei gravar em outros lugares e não vai. Tenho que estar ?estressificado?, aliás eu tenho meu próprio ?conteúdo palavrórico?, meu vocabulário que eu me identifico, como fala o chefe da gramática geral mundial, o importante é se comunicar.

AO: E a forma do Chêe falar, puxar o R nas palavras, de onde surgiu?
CZ: É uma característica do personagem. Chêe Zuêro é um matuto, revoltado, tirado a sabichão e no final ele não sabe de nada e ele só faz reclamar da vida. Ele diz que não vai mais fazer e no final acaba fazendo. Ele diz: não vou mais em festa de criança, daqui a pouco ó ele lá. Não vou mais pra boate e acaba indo, porque no final é só um desabafo dele nas situações vividas.

AO: Você já pensou em largar tudo pra se dedicar a comédia ou vai continuar conciliando com a profissão de fisioterapeuta?
CZ: Não, o mercado de stand up, de comédia é uma coisa meio incerta. Então, não dá pra abrir mão da sua profissão, do trabalho pra mergulhar de cabeça. Se houver uma necessidade lá na frente quem sabe?

AO: Como é ser reconhecido na rua?
CZ: É muito bom, eu estive na Fonte Nova no jogo do Bahia contra o Ceará e todo mundo querendo tirar foto, gravar vídeo. Quem não me conhecia já achava que eu era jogador do Bahia. Foi uma loucura, e me garante boas risadas. Conheço muita gente, as pessoas me dão ideias de vídeos. “Velho minha sogra foi morar lá em casa, faz uma resenha, faz um vídeo!”, isso é muito gratificante.

AO: E o Chêe paquerador, já faturou muitas gatas assim?
CZ: Eu sou comprometido, então tenho que andar na linha. Mas ela é minha fã numero 1, me incentiva bastante.

Foto: Claudia Costa/  Aratu Online

Foto: Claudia Costa/ Aratu Online

AO: O que o Bruno tem em comum com o Chêe?
CZ: Nada, eu sou totalmente diferente dele. Eu gosto de festa, ele diz que não gosta, reclama de tudo. Eu sou um cara relax, ele é um cara brabo revoltado.

AO: Quais os planos para o Chêe Zuêro?
CZ: Eu não sabia que tinha habilidade para stand-up, e estou treinando, fazendo um roteiro. Fui convidado para participar da Liga Baiana, que já eram pessoas que eu conhecia e admirava pelo fato de fazer comédia na internet também e agora estamos juntos. Estamos bolando algumas peças, vem coisa nova por aí. Eu nunca esperei isso, mas pelo andar da carruagem, já fiz campanhas, as pessoas dizem que eu levo jeito, vamos ver no que vai dar.

AO: Qual foi o vídeo de maior sucesso até hoje?
CZ: Dia dos Namorados. Rapaz antigamente você dava um Charisma, um Toque de Amor pra garota e hoje se você não gastar um salário mínimo você não é romântico. Esse vídeo bateu longe, tenho amigos em Angola e eles receberam o vídeo lá. “Velho, é você!!!”, disseram.

AO: E como você recebe esse retorno das pessoas de outros estados e até países assistindo seus vídeos?
CZ: Uma coisa que ficou evidente foi no meu aniversário em fevereiro, eu recebi vídeos de brasileiros que moram em Londres, na Suiça, Itália, pessoal me imitando e mandando feliz aniversário pra mim. Eu recebi quase 2 mil vídeos, postei alguns…eu não tinha nem dimensão de onde esses vídeos estavam rodando, foi muito legal mesmo.

AO: Você acha que a internet é a ferramenta que pode proporcionar isso para o seu trabalho te trazendo visibilidade?
CZ: Pode, e as pessoas falam isso. “Poxa, eu adoro seus vídeos, estou com parente no hospital e botei no tablet e mesmo debilitado ele se acabou de dar risada”. Eu me preocupo em inserir no meio dos vídeos uns conselhos, vai um pouco de denúncia, de algumas situações corriqueiras, do cotidiano. Eu estou muito feliz com tudo que está acontecendo e enquanto tiver trânsito, vai ter muito vídeo do Chêe Zuêro.

 

Fonte: Cláudia Costa, claudia.costa!aratuonline