Dez anos entrando na casa dos outros
Que alegria voltar a falar de organização aqui na coluna do Aratu On! E esse retorno vem junto com outro recomeço: voltei a gravar vídeos com mais consistência, e deles até nasceu um bordão: "Eu sou Anne Kelly e vejo organização em tudo".
Esse recomeço acontece bem pertinho de uma data especial. Daqui a cinco dias, em 3 de outubro, comemoramos o Dia da Personal Organizer, e eu não poderia deixar de falar sobre a profissão: sobre as demandas, as responsabilidades e também sobre o lado bom de, a cada dia ou semana, estar num lar diferente, com uma família diferente, que tem um ritmo e uma rotina diferentes. Ainda mais agora, que completo 10 anos de mercado, seja como Personal Organizer, seja como dona de loja de produtos organizadores.

Pois bem, por onde começar? Pelo começo. Em 2016, algumas pessoas já tinham ouvido falar dessa profissional da organização, mas não existia nenhuma loja especializada em organizadores na Bahia. Tanto que fomos os primeiros. Ao longo desses 10 anos, vi lojas surgindo e lojas fechando, não só aqui, mas em vários lugares do Brasil. Mas esse não é o ponto. O ponto é o quanto as pessoas conhecem o nosso trabalho. Hoje, a fatia da pizza cresceu: mais gente sabe o que é uma Personal Organizer, e isso é ótimo. Mas muita gente ainda desconhece tudo o que ela pode fazer dentro de um lar.
Quando olho para trás, vejo insegurança. Vejo medo. Eu entrava na casa do cliente com a responsabilidade de entregar resultado, e a insegurança era grande. Hoje, a insegurança deu lugar à experiência. Mas a responsabilidade continua a mesma. Meu Deus do céu, imagina a cliente perguntar por alguma coisa e eu não saber onde está? Só de pensar, já suo frio (rs). É raríssimo acontecer, e o que me ajuda é estar com a equipe 100% no mesmo ambiente.

Uma vez, um cliente me perguntou por uma meia nova que não estava encontrando e insinuou que ela poderia ter se perdido no processo de organização. A única coisa que respondi foi: no processo de organização, é muito mais comum acharmos os itens perdidos do que perdê-los. A gente escuta o tempo todo: "Meu Deus, nunca mais tinha visto essa blusa!" ou "Procurei isso até morrer! Sabia que tinha em casa, mas não fazia ideia de onde estava e tive que comprar outro" (rs).
Na minha opinião, além de jogo de cintura, a Personal Organizer precisa saber escutar, e muito. Cada cliente tem sua velocidade, seu ritmo. Alguns são objetivos; outros gostam de detalhar tudo. E cada PO também é de um jeito: imagina uma PO cinestésica atendendo um cliente auditivo! Por isso, vejo esse trabalho como uma bela arte de amor ao próximo, que explora muitos sentidos e habilidades do profissional. Tem hora de falar e se posicionar, hora de calar e ouvir, hora de abraçar e deixar a emoção fluir. Tem de tudo.

Começamos o trabalho de manhã. Ao longo da jornada, o cansaço bate, mas, no fim do dia, você vê tudo tomando forma, e cada minuto valeu a pena. Aí volto pra casa, peço uma massagem ao meu marido ou faço um escalda-pés, enquanto já estou pensando nos organizadores: como vou resolver tal coisa no dia seguinte, onde vou guardar aquilo, se vou levar mais uma assistente, quais etiquetas vou usar, se o estoque de etiquetas vai dar…
E assim começa uma nova jornada, geralmente às 9h da manhã. Dez anos depois, sigo com o mesmo frio na barriga de entrar numa casa nova. Só que agora ele vem acompanhado de escuta, de método e de muita gratidão. Feliz Dia da Personal Organizer para todas nós. Porque, como eu disse lá no início, eu sou Anne Kelly e vejo organização em tudo.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

