Menos metas, mais verdade: um convite para viver 2026 no seu ritmo
Não sei você, mas quando um ano novo começa, ele quase sempre vem carregado de sonhos, planos e projetos. Dá aquela sensação de que uma vida nova está logo ali, na nossa frente. “Um recomeço possível”. Quem vem de um ano difícil imagina dias mais tranquilos. Quem vem de um ano de abundância quer ainda mais. Esse é o movimento natural da vida, e marcos como a virada do ano deixam tudo isso ainda mais intenso.
Há alguns anos, criei um ritual simples que muita gente faz, mas nem sempre admite. No começo do ano, reviso o que sonhei e planejei no ano anterior. Tudo anotado no celular, sem glamour nenhum. Este ano, por exemplo, percebi que realizei cerca de 50% do que planejei. Mas também vi esforço real em todas as minhas metas. E isso importa.
Depois, começo a listar o que desejo para os próximos 12 meses. É quase um desabafo organizado e uma tentativa honesta de colocar alguma ordem na bagunça interna, nada sofisticado e tudo com bastante verdade.
O que essa prática me ensinou ao longo do tempo é simples: a vida real não funciona na lógica do “ou tudo ou nada”. Não é sobre cumprir tudo ou fracassar. A vida acontece no ritmo possível. No que dá para fazer, mesmo quando o cansaço aperta e a vontade de desistir aparece.

Para facilitar, gosto de dividir a vida em alguns pilares bem simples: trabalho e realizações, amores e afetos, saúde, lazer e descanso, dinheiro, ou crio outros de acordo com o momento. Não porque eu seja supermetódico, mas porque a vida é feita desses pedaços. Quando a gente olha tudo junto, parece impossível; quando separa, fica mais fácil enxergar. E aí vem um ponto importante: não adianta escrever dez metas impossíveis. Eu tento ficar em cinco, sendo cada uma de um pilar diferente. Isso ajuda a manter equilíbrio e evita aquela sensação de viver obcecado por uma única coisa enquanto o resto desmorona.
Essas metas não são uma cobrança. Elas funcionam como um norte. Porque, vamos ser sinceros, todo mundo carrega cansaço, dúvidas, vontades escondidas e sonhos que não cabem na agenda. Todo mundo tenta, todo mundo tropeça e todo mundo recomeça. O que faz diferença não é cumprir 100%; é se mover e conseguir olhar para si e pensar: “Eu avancei. Eu me cuidei mais. Eu falei mais a minha verdade. Eu fiz o que deu.”
Metas não são sobre performance e resultados o tempo todo. São sobre direção e aquele fio que puxa a gente de volta quando o mundo tenta nos engolir. Então, antes de sair anotando tudo o que você “tem” que fazer em 2026, tente algo mais simples:
- O que é prioridade de verdade para você?
- O que você vive adiando, mas sabe que mudaria sua vida se começasse?
- Onde dói? Onde brilha? Onde falta coragem?
Se conseguir responder isso com sinceridade, você já começou o ano no caminho certo, porque promessa de ano novo não é sobre virar outra pessoa; é sobre voltar a ser quem você era antes de se perder no meio do caminho.
Que 2026 traga menos pressão e mais verdade, menos cobrança e mais cuidado, menos metas inalcançáveis e mais passos possíveis. E que, no balanço do próximo dezembro, você também possa dizer: “Não fiz tudo. Mas fiz o suficiente para me tornar alguém melhor.”
Agora, para fechar com uma pequena provocação: depois de fazer isso por quase 20 anos, fui convidado pelas pessoas ao meu redor e pela própria vida a tentar algo diferente em 2026: não definir metas (espero conseguir), deixar a vida me levar um pouco mais, sentir mais e ajustar no caminho, com menos controle.
Talvez eu tenha ido longe demais no excesso de planos e de listas e, no fundo, no fundo, eu já tenha tudo organizado; o que falta agora não é estrutura, é presença, é viver. Pode parecer contraditório, mas não é: o excesso de planejamento também cansa, adoece e, às vezes, atrapalha a própria jornada.
A mensagem que deixo é simples: o que faz mais sentido para você agora, planejar tudo ou sentir e colher o que você já está fazendo?
Que sua jornada em 2026 seja muito especial: mais verdadeira do que perfeita e repleta de aprendizado.
+ Salim Khouri, especialista em RH e liderança, estreia coluna no Aratu On
*Este material não reflete, necessariamente, a opinião do Aratu On
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).