Cidadania

Autoestima cidadã produtiva: por que o Brasil começa em quem trabalha

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Pessoas andandoArquivo/Agência Brasil

Reconhecer o próprio valor é o primeiro passo para transformar o Brasil. Na coluna desta semana, insisto em uma reflexão que considero urgente: o Brasil não funciona sozinho e nem se sustenta por decretos, discursos ou abstrações. O país existe porque milhões de pessoas acordam todos os dias para trabalhar, produzir, empreender, cuidar, ensinar, transportar, vender e servir. Ainda assim, muita gente foi levada a acreditar que é pequena, invisível ou sem valor, como se o Brasil fosse sempre responsabilidade de “outros”.

É a partir dessa distorção que proponho o conceito de autoestima cidadã produtiva. Não se trata de vaidade ou autoajuda. Trata-se de consciência. Quando o cidadão não se reconhece como parte do sistema, ele se afasta. Quando não se sente valorizado, transfere responsabilidades. E quando não entende o próprio valor, torna-se mais vulnerável à manipulação. Sem autoestima, não há cidadania madura, mas apenas medo, dependência e conflito.

A psicologia e a própria história social mostram que transformações profundas não acontecem apenas por meio de leis. Elas acontecem quando valores passam a ser compreendidos, vividos e compartilhados no cotidiano. Primeiro o coração entende, depois a razão acompanha. É assim que comportamentos coletivos se reorganizam.

A autoestima cidadã produtiva tem um significado muito concreto: entender o valor do trabalho. Nada é de graça. Tudo passa por quem produz. Empregados, empregadores, produtores, comerciantes e consumidores fazem parte do mesmo sistema. Não faz sentido alimentar a lógica do “nós contra eles”, porque essa divisão enfraquece a todos. Trabalho não é vergonha. Produzir não é culpa. Empreender não é pecado. É dignidade, responsabilidade e construção coletiva.

A classe produtiva brasileira já possui estrutura. Existem associações, federações, confederações e entidades organizadas. O desafio não é a ausência de instituições, mas a falta de unidade estratégica. Quando cada setor fala isoladamente e cada entidade reage sozinha, a força coletiva se perde. A proposta da autoestima cidadã produtiva nasce para organizar uma linguagem comum, valores comuns e um propósito compartilhado, não para atacar, mas para dar voz com clareza.

Muito se fala que a mudança do Brasil depende da educação, e isso é verdade. Mas a educação formal é, por natureza, um processo lento. Enquanto isso, a vida acontece. Por isso, a educação cidadã também precisa ocorrer fora da escola, no dia a dia, quando o cidadão compreende como o país funciona, qual é o seu papel e por que suas escolhas importam.

Antes de mudar o Brasil, é preciso reconhecer o valor de quem o sustenta todos os dias. Ninguém é pequeno ou invisível. Cada cidadão importa. A transformação começa quando entendemos o valor da autoestima cidadã produtiva, com consciência e pertencimento. O Brasil começa em mim. O Brasil começa em você.

 

 

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Empresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia

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