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Dia do Voluntariado: como fazer uma ação social eficaz e ajudar quem mais precisa

Em um país onde milhões ainda enfrentam pobreza e privações de direitos básicos, uma ação social pode começar com algo simples

Por Dinaldo dos Santos.

Quando foi a última vez que você realizou uma ação social para ajudar alguém? Nesta sexta-feira (28), quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Voluntariado, a pergunta ganha ainda mais sentido diante de um cenário em que milhões de pessoas ainda convivem com diferentes formas de vulnerabilidade.

Muitas vezes, ajudar não exige grandes recursos: pode significar dedicar algumas horas, compartilhar conhecimento, participar de um mutirão ou simplesmente estender a mão a quem precisa.

Ação social pode começar de forma muito simples. Foto: Ilustração

Os números ajudam a dimensionar o tamanho desse desafio. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 7,3 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais realizaram trabalho voluntário em 2022, o equivalente a 4,2% dessa população.

A pesquisa considera como trabalho voluntário uma atividade não obrigatória, feita por pelo menos uma hora na semana de referência, sem remuneração, para beneficiar terceiros.

O levantamento mostra ainda que o voluntariado não precisa necessariamente estar ligado a uma grande instituição. Em 2022, 86,4% das pessoas que fizeram trabalho voluntário atuaram por meio de empresas, organizações ou instituições. O número também revela uma tendência de crescimento em relação a 2019, quando a taxa nacional era de 4%.

Ação social pode começar perto de casa

O próprio IBGE considera diversas formas de voluntariado, como atividades em escolas, hospitais, asilos, associações de moradores, organizações não governamentais, grupos de apoio, mutirões comunitários, ações de proteção ambiental e de animais, além da prestação gratuita de serviços profissionais.

Em outras palavras, uma ação social não precisa necessariamente envolver dinheiro. Um professor pode oferecer algumas horas de aula; um profissional pode disponibilizar seu conhecimento; um morador pode participar de um mutirão; e uma pessoa pode dedicar parte do tempo a uma instituição que atende idosos, crianças ou pessoas em situação de vulnerabilidade.

O levantamento do IBGE mostra também que as mulheres apresentaram taxa de realização de trabalho voluntário maior que a dos homens em 2022: 4,9% contra 3,5%. Entre pessoas com ensino superior completo, a taxa chegou a 6,9%.

Brasil ainda tem milhões em situação de pobreza

A necessidade de iniciativas de solidariedade fica mais evidente quando os dados sociais do país são observados.

De acordo com o IBGE, 23,1% da população brasileira estava abaixo da linha de pobreza em 2024, considerando o parâmetro de US$ 6,85 por dia em paridade do poder de compra, equivalente a R$ 694 mensais por pessoa. Apesar do percentual ainda elevado, houve redução em relação aos 27,3% registrados em 2023. Ao todo, 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza nesse período.

Brasil convive com pobreza e desigualdade. Foto: Ilustração

A pobreza, porém, não se resume à renda. Ela pode estar associada à falta de acesso a serviços e direitos básicos, como moradia adequada, água, saneamento, educação e alimentação.

É justamente essa perspectiva mais ampla que aparece nos estudos do UNICEF sobre pobreza multidimensional.

Crianças e adolescentes enfrentam diferentes privações

O estudo mais recente do UNICEF sobre pobreza multidimensional na infância e adolescência, publicado em 2025 com dados de 2023, aponta que 28,8 milhões de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos viviam em situação de pobreza multidimensional, o equivalente a 55,9% dessa população. O número representa uma melhora em relação a 2017, quando eram 34,3 milhões, ou 62,5%.

A análise considera diferentes dimensões da vida. Em 2023, por exemplo, 38% das crianças e adolescentes tinham algum tipo de privação relacionada ao saneamento, o equivalente a aproximadamente 19,6 milhões de pessoas. Na dimensão da renda, eram 19,1%, ou cerca de 9,9 milhões. Também havia 5,8 milhões com privação relacionada à moradia e 4 milhões na dimensão da educação.

Os dados mostram, portanto, que combater a vulnerabilidade exige mais do que enfrentar a falta de dinheiro. Muitas famílias precisam lidar simultaneamente com diferentes obstáculos para garantir condições adequadas de vida às crianças.

Foto: Ilustração | Freepik

Quase metade da população está no Cadastro Único

Outro indicador ajuda a dimensionar o alcance das políticas sociais no país. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Cadastro Único tinha, em março de 2026, 42,2 milhões de famílias cadastradas, reunindo aproximadamente 96 milhões de pessoas — quase metade da população brasileira.

O Cadastro Único é utilizado pelo governo para identificar e caracterizar famílias de baixa renda, reunindo informações como composição familiar, escolaridade, trabalho, renda, características do domicílio e outras condições socioeconômicas.

Isso não significa que todas essas pessoas estejam necessariamente em situação de pobreza ou necessitem da mesma forma de assistência. O cadastro funciona como uma grande base de identificação da população de baixa renda e serve de porta de entrada para diferentes políticas sociais.

Solidariedade também aparece nos números

Há ainda um dado interessante levantado pelo Mapa das Organizações da Sociedade Civil, plataforma administrada pelo Ipea. Segundo a Pesquisa Voluntariado no Brasil 2021, 56% da população adulta entrevistada afirmou fazer ou já ter feito alguma atividade voluntária ao longo da vida. O estudo apontou ainda cerca de 57 milhões de voluntários ativos no país naquele momento.

Os números são de uma pesquisa realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e pelo Datafolha, e não devem ser confundidos com a metodologia da PNAD Contínua do IBGE.

A pesquisa do IBGE, por sua vez, contabilizou 7,3 milhões de pessoas que realizaram trabalho voluntário na semana de referência em 2022. São levantamentos diferentes, com metodologias e conceitos distintos.

Essa diferença é importante, mas os dois levantamentos ajudam a mostrar que o voluntariado já faz parte da realidade de milhões de brasileiros.

Que tal começar hoje?

Em meio a estatísticas que revelam pobreza, desigualdade e privações, o Dia Nacional do Voluntariado pode ser também um convite para olhar ao redor.

Uma ação social pode assumir diferentes formas: separar roupas em bom estado para doação, ajudar uma instituição, participar de uma campanha de arrecadação, oferecer conhecimento gratuitamente, visitar uma pessoa que vive sozinha, colaborar com uma organização de proteção animal ou dedicar algumas horas a um projeto comunitário.

Não existe uma única maneira de ser voluntário. O que existe é a possibilidade de transformar tempo, conhecimento, trabalho e solidariedade em algo concreto para outra pessoa.

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