Ilê Aiyê realiza tradicional saída do Curuzu e celebra 52 anos com momento simbólico
Duas pombas pousaram no turbante da Deusa do Ébano do Ilê Aiyê, Carol Xavier, na tradicional saída do bloco no Curuzu, Liberdade, em Salvador
O Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, realizou neste sábado (14) sua tradicional saída do Curuzu, na comunidade da Liberdade, em Salvador. Em 2026, o bloco completa 52 anos de existência e leva para o Carnaval o tema “Turbantes e Cocares: A História de Resistência do Povo Afro e Indígena de Maricá”, destacando a influência da cultura afroindígena no Brasil e a conexão entre Bahia e Rio de Janeiro.
A concentração ocorreu em frente ao Ilê Asé Jitolu, na Ladeira do Curuzu, com a tradicional cerimônia das pombas, símbolo de paz e bênçãos para o desfile na folia momesca. Centenas de moradores, admiradores e foliões acompanharam a chegada da banda, os rituais e a caminhada até a Senzala do Barro Preto, sede do bloco.
Um dos momentos que mais chamou a atenção do público foi quando duas pombas pousaram no turbante da Rainha do Ébano durante a cerimônia. A cena foi recebida com aplausos e registros em celulares, tornando-se um dos pontos mais comentados da noite.

O percurso passou ainda pelas imediações do terreiro da matriarca Mãe Hilda Jitolu, liderança religiosa do bloco falecida em 2009. Do Curuzu, a banda seguiu em direção ao Plano Inclinado da Liberdade, de onde os integrantes partiram para o circuito Osmar, no Campo Grande, com desfile previsto para as 2h da manhã.
+ Confira galeria de fotos da saída do Ilê Aiyê ao final da matéria
Atraso na saída do Ilê Aiyê
A saída do bloco sofreu atraso após um carro estacionado de forma irregular impedir a organização do cortejo. Prevista para as 20h, a programação teve início por volta das 22h, quando a banda iniciou os toques de tambor. A Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) foi acionada e sinalizou a ocorrência.
Noite da Beleza Negra e Deusa do Ébano 2026
No dia 17 de janeiro, a Senzala do Barro Preto sediou a 45ª edição da Noite da Beleza Negra do Ilê Aiyê. A cerimônia elegeu Caroline Xavier de Almeida, de 27 anos, conhecida como Carol Xavier, como Deusa do Ébano de 2026.
Estudante de jornalismo, professora de dança afro para crianças e atual rainha do Malê Debalê, Carol concorreu pela terceira vez e recebeu o título das mãos da Deusa de 2025, Lorena Bispo. Ela foi premiada com o Troféu Deusa do Ébano e R$ 7.700,00.
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O segundo lugar ficou com Sarah Moraes, de 28 anos, auxiliar administrativa e moradora de Sussuarana, enquanto Stephanie Ingrid, de 24 anos, dançarina, coreógrafa e arte-educadora do Nordeste de Amaralina, conquistou a terceira colocação. Ambas receberam o Troféu Sérgio Roberto e premiações em dinheiro.
A cerimônia acompanhou o tema do Carnaval 2026 - “Turbantes e Cocares: A História de Resistência do Povo Afro e Indígena de Maricá” - e reuniu 15 candidatas em apresentações que destacaram dança, performance e expressividade.
Confira a galeria de fotos da saída do Ilê, por Kleber Toledo, da Agência Fred Pontes:
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