Armandinho exalta diversidade do Carnaval de Salvador, mas reclama do 'carnaval da mídia'
Para o músico, artistas de fora deveriam ser convidados da festa e não protagonistas
Por Da redação.
*Com texto de Edimário Duplat
Em sua comemoração de 50 anos da Banda Armandinho, Dodô e Osmar, o icônico guitarrista Armandinho Macedo celebrou mais um ano tocando na festa momesca e a importância da diversidade de ritmos que existem no Carnaval de Salvador. Entretanto, o músico fez duras críticas aos artistas “de fora” que ganham espaço de protagonistas com trios próprios. Para ele, a influência do apelo midiático tem descaracterizado a festa na capital baiana.
“A mistura de ritmo é bacana. Isso acontece aqui na Bahia. Surgiram aqui os ritmos como os merengues, o samba reggae, o Samba da Bahia, o pagode… são ritmos percussivos, baianos. Agora o que a gente fala é dos que não nos representam estar puxando o trio elétrico, sabe? Com trio elétrico na rua e que não representa a Bahia em lugar nenhum tá entendendo? Esse tipo de coisa é nocivo a cultura, a história. O carnaval é uma festa de tradição e cultural, de se manifestar. É como Pernambuco faz, como o Rio de Janeiro faz também. Cada um tem sua história”, afirmou.
Para Armandinho, trazer artistas de fora e promovê-los nos circuitos como protagonistas acaba por deixar de lado os verdadeiros agentes culturais da folia, desvalorizando assim a identidade baiana. E isto transforma o Carnaval de Salvador em um “carnaval de mídia”.
“A Bahia tem uma riqueza maravilhosa. Os blocos afro, essa mistura percussiva, tudo isso da Bahia, traz fica para escanteio, sabe? Fica em segundo plano em função de coisa de mídia. Virou um carnaval de mídia. ‘Ah tem que buscar Fulano porque vai trazer um milhão de pessoas pra rua’. Isso é uma atitude completamente destrutiva ao processo cultural e a imagem da Bahia e dessa festa que é o Carnaval”, completou.
Com o aniversário da Banda Armandinho, Dodô e Osmar acontecendo no mesmo ano da celebração de 50 anos do Ilê Aiyê, Armandinho Macedo não deixou de ovacionar o primeiro bloco afro do Brasil e da história dos outros blocos afro que fazem parte do Carnaval baiano. Para ele, os artistas de fora tem seu espaço, mas como convidados daqueles que fazem parte do Carnaval de Salvador.
“A manifestação mais importante da Bahia, a que é a nossa cara e nos representa. Ilê Aiyê, Olodum e Ghandi tem que estar em primeiro plano e prestigio para estarem cada vez mais bonitos. E vamos comemorar, né? Ilê Aiyê, Armandinho, Dodô e Osmar… Não vamos deixar de comemorar por conta dessas coisas que acontecem nesse carnaval. E acho que os artistas de fora deveriam ser convidados dos blocos afro, dos trios, de quem representa nossa terra”, finalizou.
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