Ciclista encontra cachorro abandonado em estrada sob calor de 37 ºC, pedala 5 km com o animal no colo e encontra uma família para ele
Durante o percurso por uma estrada de terra, em um dia de calor próximo a 37 ºC, o esportista encontrou um cachorro abandonado
Por Da redação.
Uma viagem de bicicleta pelo Cerrado goiano ganhou um novo significado para o cicloviajante mineiro João Carlos Vieira, conhecido nas redes sociais como Jotta Vieira. Durante o percurso por uma estrada de terra, em um dia de calor próximo a 37 ºC, o esportista encontrou um cachorro abandonado, debilitado e com sede. O que começou como uma parada para ajudar o animal se transformou em uma história de solidariedade, superação e um novo começo para o bichinho.
Ao perceber que o cão precisava de ajuda, Jotta interrompeu a viagem para oferecer água e amenizar os efeitos do calor intenso. Em meio às condições difíceis da estrada, o ciclista decidiu não deixar o animal para trás.

Depois de hidratá-lo, o mineiro encontrou uma maneira de continuar o trajeto sem abandonar o cachorro. Ele seguiu pedalando com o pet no colo por cerca de 5 quilômetros, até chegar a Santo Antônio de Goiás, município goiano onde a história ganhou um desfecho inesperado.
Ciclista conseguiu ajudar o cachorro
A viagem de Jotta Vieira pelo Cerrado foi marcada por uma situação que exigiu uma mudança de planos. Em vez de continuar pedalando, o esportista precisou parar diante da condição do animal, encontrado sozinho à beira de uma estrada de terra.
Com temperaturas próximas de 37 ºC, o calor tornava ainda mais preocupante a situação do cachorro, que estava debilitado e com sede. A primeira providência do ciclista foi oferecer água, uma tentativa de aliviar o desconforto do animal antes de seguir viagem.
O resgate, porém, não terminou naquele momento. Diante da necessidade de levar o cão para um local onde pudesse receber ajuda, Jotta decidiu transportá-lo consigo na bicicleta.
Foram aproximadamente 5 quilômetros pedalando com o cachorro no colo até Santo Antônio de Goiás. O gesto transformou uma viagem esportiva em uma jornada de cuidado e responsabilidade, mostrando como uma atitude inesperada pode mudar o destino de um animal em situação de abandono.
Veja vídeo:
O que aconteceu quando o ciclista chegou a Santo Antônio de Goiás?
A chegada ao município goiano trouxe uma surpresa para o cicloviajante. Durante uma pausa para tomar café, Jotta conheceu uma cliente que se sensibilizou com a história do cachorro resgatado na estrada.
Ao saber da situação do animal, a mulher decidiu adotá-lo e assumir os cuidados necessários para sua recuperação. Assim, o que havia começado com um encontro casual no meio do Cerrado terminou com a possibilidade de um novo lar para o cão.
A adoção deu um novo rumo à história. Depois de ser encontrado sozinho, com sede e debilitado, o cachorro passou a ter a oportunidade de receber atenção e cuidados em um ambiente seguro.
O resgate repercutiu entre os seguidores do cicloviajante, que elogiaram a iniciativa de interromper o percurso para ajudar o animal. Nos comentários, internautas classificaram a atitude como um “gesto maravilhoso” e descreveram Jotta como “um ser humano praticando o amor”.
Abandonar animais é crime no Brasil?
Até alguns anos atrás, animais eram tratados juridicamente como propriedades, e os responsáveis eram vistos como “donos”. Mas, finalmente, isso mudou: com o avanço das discussões sobre bem-estar e direitos dos animais, as pessoas passaram a entender que essa relação exige responsabilidade, proteção e, muitas vezes, afeto. Hoje, leis nacionais e internacionais asseguram garantias específicas a esses seres vivos, além de punições a criminosos que violem essas legislações.
O levantamento “Índice de Abandono Animal”, conduzido pela Mars Petcare em parceria com um grupo global de especialistas, estimou que 143 milhões de cães e 203 milhões de gatos vivem nas ruas em todo o mundo. No Brasil, 25% dos cães — o equivalente a 20,2 milhões de cachorros — estão em situação de abandono, enquanto cerca de 177 mil vivem em abrigos. Entre os gatos, o cenário é parecido: 26% (10 milhões de animais) estão abandonados e aproximadamente 7.400 foram abrigados em ONGs ou espaços administrados pelo poder público.
A pesquisa também indica riscos de novos casos de abandono entre animais que hoje vivem em lares brasileiros. De acordo com o estudo, 11% dos tutores de cães e 13% dos tutores de gatos consideram renunciar ao pet nos próximos 12 meses. Os principais motivos citados são: não estar mais apto fisicamente para cuidar do animal (28%), mudança de residência (24%), falta de tempo (17%) e aumento dos custos de manutenção (16%).
Mas, o que muita gente não sabe é que, desde 1988, maus-tratos aos animais (e isso inclui abandono) é crime no Brasil, com penas de reclusão de 3 meses a 1 ano, ou, em caso de cachorros e gatos, de 2 a 5 anos, multa e proibição de guarda.
A pauta também é reforçada pelo Decreto nº Nº 12.254/2024, que reconhece os animais como indivíduos, e não apenas como parte do ecossistema.
Como denunciar
Ao identificar uma situação de risco, o primeiro passo é reunir provas: fotos, vídeos e relatos de testemunhas. Em casos de atropelamento ou abandono, recomenda-se anotar a placa do veículo e registrar imagens. A orientação é evitar a divulgação nas redes sociais para não gerar possíveis processos.
Onde registrar a denúncia
As queixas podem ser apresentadas a diferentes órgãos:
- Delegacias: presencialmente ou pelos sites das instituições. Além disso, é possível denunciar de forma anônima por meio do Disque Denúncia: (71) 3235-000 (Salvador) / 181 (interior da Bahia).
- Ministério Público: preferencialmente por meio das ouvidorias estaduais, via internet ou telefone. Para denunciar ao Ministério Público Federal, acesse www.mpf.mp.br/ba.
- Secretarias de Meio Ambiente: pelos canais regionais de atendimento;
- Conselhos Regionais de Medicina Veterinária: exclusivamente quando o caso envolver profissionais da área.
A legislação estabelece que todos os animais presentes no país são responsabilidade do Estado, e nenhum órgão pode negar atendimento ou investigação. Em caso de omissão, a orientação é denunciar ao Ministério Público.
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