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Ações policiais concentraram 56% dos tiroteios registrados em Salvador e RMS

Relatório do Instituto Fogo Cruzado aponta que Salvador e Região Metropolitana registraram 656 tiroteios no primeiro semestre de 2026

Por Ananda Costa.

O primeiro semestre de 2026 foi marcado pelo aumento da participação de ações e operações policiais nos episódios de tiroteios registrados em Salvador e na Região Metropolitana (RMS). 

Ações policiais concentraram 56% dos tiroteios registrados em Salvador e RMS

É o que aponta o Relatório Semestral do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta quarta-feira (29), que contabilizou 656 tiroteios entre janeiro e junho, dos quais 366 ocorreram durante operações policiais, o equivalente a 56% do total, o maior percentual da série histórica da instituição na Bahia.

Ao longo dos seis primeiros meses do ano, 637 pessoas foram baleadas na capital e na RMS. Desse total, 487 morreram e 150 ficaram feridas. Segundo o levantamento, 340 vítimas foram atingidas durante ações policiais, representando 53% de todos os baleados no período.

Chacinas em ações policiais atingem maior percentual da série histórica

Outro dado que chamou atenção no levantamento foi o índice de chacinas relacionadas a operações policiais. Das 14 chacinas registradas entre janeiro e junho deste ano, 13 ocorreram durante ações policiais, o equivalente a 93% do total — o maior percentual desde o início do monitoramento realizado pelo Instituto Fogo Cruzado na Bahia, em 2022.

Esses episódios deixaram 49 mortos. O Complexo do Nordeste de Amaralina aparece entre as áreas mais afetadas. Apenas os bairros Nordeste de Amaralina e Pirajá concentraram 37% das mortes provocadas por chacinas policiais no semestre.

Perseguições policiais batem recorde

O relatório também aponta recorde no número de perseguições durante ações policiais. Foram registrados 98 casos no primeiro semestre de 2026, o maior número desde o início da série histórica do Instituto.

Como consequência dessas ocorrências, 95 pessoas foram baleadas durante perseguições, outro recorde do levantamento.

Crianças, adolescentes e moradores dentro de casa entre os atingidos

O estudo revela crescimento das vítimas mais jovens em operações policiais. Enquanto nenhuma criança havia sido baleada nessas circunstâncias no primeiro semestre de 2025, neste ano ao menos duas crianças foram atingidas.

Entre os adolescentes, o número de vítimas baleadas durante ações policiais aumentou 36%, alcançando o maior patamar já registrado pelo Instituto.

Também houve aumento de pessoas baleadas dentro das próprias residências. Foram 81 vítimas atingidas em casa, alta de 17% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O levantamento ainda aponta crescimento de 25% nos registros de feminicídio. Um dos casos citados é o da cabo da Polícia Militar Celeste de Oliveira Martins, morta pelo marido, também policial militar, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Barbalho, em Salvador.

Agentes de segurança também foram vítimas

A violência armada também atingiu profissionais da segurança pública. Segundo o relatório, 34 agentes foram baleados entre janeiro e junho deste ano. Dez morreram e 24 ficaram feridos.

Pela primeira vez na série histórica, a maioria dos agentes atingidos estava em serviço no momento do ataque. Dos 34 casos registrados, 24 ocorreram durante o expediente. Policiais militares representam 88% das vítimas entre os agentes de segurança.

Tiroteios em Salvador e RMS

Entre os municípios monitorados, Salvador permaneceu como a cidade mais impactada pela violência armada, concentrando 473 dos 656 tiroteios registrados, o equivalente a 74% do total.

Na sequência aparecem:

Camaçari: 53 tiroteios;
Dias d'Ávila: 32;
Lauro de Freitas: 28;
Simões Filho: 25;
Candeias: 14;
Vera Cruz: 13.

Entre os bairros com maior número de ocorrências estão Beiru/Tancredo Neves (19 tiroteios), São Cristóvão (15), Engenho Velho de Brotas (14), Pirajá (13), Itapuã (12), Pernambués (12) e Santa Cruz (12).

Perfil das vítimas

O relatório aponta que adultos entre 18 e 59 anos foram os mais afetados pela violência armada, somando 588 vítimas. Também foram registrados:

6 crianças baleadas;
37 adolescentes;
5 idosos.

Além disso, 11 mototaxistas, entregadores ou motoboys, seis motoristas de aplicativo e um vendedor ambulante foram baleados no primeiro semestre.

Os principais motivos associados aos disparos de arma de fogo foram ações e operações policiais (366 registros), homicídios e tentativas de homicídio (209), disputas entre grupos armados (42), roubos ou tentativas de roubo (42), sequestros ou cárcere privado (18) e brigas (15).

LEIA MAIS: Jovem é assassinado a tiros em oficina em Dias D'Ávila, na RMS

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