El Niño na Bahia: frio na Chapada, chuva em Salvador e seca no semiárido
A influência do fenômeno El Niño será um dos principais fatores responsáveis pelas condições climáticas da estação
Por, Bruna Castelo Branco e Ananda Costa.
O inverno começou oficialmente no dia 21 de junho, e deve ser marcado por temperaturas acima da média histórica e intensificação da estiagem em parte da Bahia. Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), a influência do fenômeno El Niño será um dos principais fatores responsáveis pelas condições climáticas da estação, sobretudo na segunda metade do período.
Enquanto o litoral baiano e Salvador devem manter a característica de uma das épocas mais chuvosas do ano, o interior, principalmente o semiárido, tende a enfrentar um cenário de seca mais rigorosa. Ao Aratu On, Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento de Alerta e Alarme (Cemadec) da Defesa Civil de Salvador (Codesal), informou que, para julho, a expectativa é de chuvas abaixo do normal na capital baiana, e ressaltou que a cidade ainda não está sofrendo influência do El Niño.
"Mesmo assim, não se descarta a possibilidade da ocorrência de sistemas intensos que se formem de forma pontual e que possam trazer pluviosidade intensa. Durante o inverno, o sistema meteorológico que atua em Salvador de forma mais recorrente é a frente fria. Para a nossa cidade, o El Niño costuma amplificar a atuação desse sistema e de diversos outros, trazendo acumulados mais expressivos", explicou.
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El Niño deve influenciar o clima no estado
De acordo com o Inema, o El Niño altera a circulação atmosférica ao aquecer as águas do Oceano Pacífico, provocando mudanças no clima em diferentes regiões do planeta.
Na Bahia, o fenômeno reforça as diferenças já características entre o litoral e o interior. Os ventos úmidos vindos do Oceano Atlântico favorecem a ocorrência de chuvas em cidades como Salvador e municípios do Recôncavo, enquanto o semiárido enfrenta redução das precipitações e baixa umidade do ar.
Frio ainda será sentido em algumas regiões
Apesar da previsão de temperaturas acima da média durante o inverno, o frio deve marcar presença nas primeiras semanas da estação, especialmente nas áreas de maior altitude.
Segundo o Inema, a Chapada Diamantina e o sudoeste baiano podem registrar temperaturas mínimas inferiores a 10°C.
Já no oeste do estado, a principal característica será a grande amplitude térmica, com madrugadas frias e tardes bastante quentes.
Também há possibilidade de formação de neblina e nevoeiro em regiões serranas e vales durante as madrugadas.

Entenda por que o inverno é diferente na Bahia
O comportamento do inverno no estado é influenciado pelos sistemas de alta pressão subtropical do Atlântico Sul, responsáveis por organizar os ventos de sudeste.
Esses ventos levam umidade para a faixa litorânea, favorecendo as chuvas, enquanto dificultam a formação de precipitações no interior, reforçando o período de estiagem.
Biomas sentem os efeitos da estação
As diferenças climáticas também impactam diretamente os biomas baianos.
Na Caatinga, predominante no interior, o inverno representa o auge da seca. Para economizar água, muitas espécies perdem as folhas, fenômeno conhecido como deciduidade. Outras, como o mandacaru, armazenam água no caule para resistir ao período seco.
Já na Mata Atlântica, nas restingas e nos manguezais do litoral, o aumento da umidade favorece o crescimento da vegetação e intensifica processos naturais, como floração e frutificação.

Como fica o inverno em cada região da Bahia?
Salvador e Recôncavo:
- Período mais chuvoso do ano;
- Maior nebulosidade e umidade.
Semiárido baiano:
- Estiagem mais intensa;
- Baixa umidade do ar e pouca chuva.
Chapada Diamantina e sudoeste:
- Possibilidade de temperaturas abaixo de 10°C;
- Madrugadas mais frias.
Oeste baiano:
- Grande variação de temperatura;
- Madrugadas frias e tardes quentes.
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