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Lula joga game sobre Canudos antes de assinar lei e brinca com personagem histórico

Presidente testou título baiano no Planalto antes de sancionar incentivos de centenas de milhões para o setor de games

Por Isabela Cardoso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva experimentou o jogo Árida 2, desenvolvido pelo estúdio baiano Aoca Game Lab, pouco antes de assinar a regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, nesta quarta-feira (14), no Palácio do Planalto, em Brasília.

Lula Joga Game Baiano Pouco Antes De Assinar a Regulamentação Do Marco Legal Dos Jogos Eletrônicos

Ambientado no sertão baiano do século XIX, o game retrata a trajetória de uma jovem em meio à seca e ao caminho para Canudos.

A demonstração ocorreu nos bastidores da solenidade, na presença da primeira-dama Janja da Silva e de Filipe Pereira, fundador da Aoca Game Lab. Durante a experiência, Lula controlou Cícera, protagonista da história, e recebeu orientações para realizar ações como colher caju, usar um facão para abrir caminhos na Caatinga e interagir com elementos do ambiente, entre eles o carcará Canela.

Lula testa jogo baiano Árida 2 e regulamenta Marco Legal dos Jogos Eletrônicos

Durante o discurso na cerimônia, Lula mencionou a experiência com o título produzido na Bahia e defendeu a valorização de histórias brasileiras por meio dos jogos eletrônicos. 

“Hoje eu vi um game sobre Canudos. Eu já li três livros sobre Canudos, já fui a Canudos, conheço a história... Até parece que Antônio Conselheiro é meu parente”, brincou o presidente.

Em seguida, elogiou a iniciativa de transformar episódios da história nacional em jogos capazes de alcançar públicos de outros países. “Acho extraordinário a gente fazer um game com as histórias brasileiras. Por que eu tenho que contar uma história americana, chinesa ou francesa se eu posso contar uma história brasileira e fazer o mundo conhecer a nossa trajetória via game? Parabéns”, declarou.

Marco Legal dos Games prevê incentivos e financiamento

A regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos estabelece condições para ampliar o acesso de empresas do setor a mecanismos federais de incentivo à cultura, à tecnologia, à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação. 

Entre as medidas anunciadas pelo governo federal estão R$ 200 milhões em editais da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destinados ao desenvolvimento de jogos e de soluções digitais inovadoras.

O pacote também prevê a criação do chamado Rouanet Games, que permitirá a captação de patrocínios por meio da Lei Rouanet, em parceria com empresas públicas, além da estruturação da plataforma pública Game Brasil e da criação de cursos superiores especializados na área em cinco universidades federais.

Outra mudança proposta envolve o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A Agência Nacional do Cinema (Ancine) pretende apresentar ao comitê gestor do fundo a redução do valor mínimo dos empréstimos destinados ao setor, de R$ 500 mil para R$ 150 mil.

A proposta também prevê diminuir a taxa de juros dessas operações de Taxa Referencial (TR) mais 2% ao ano para TR mais 0,5% ao ano. Para 2026, o FSA prevê R$ 460 milhões em crédito para a indústria audiovisual, incluindo os jogos eletrônicos.

Aoca Game Lab aposta em história e cultura sertaneja

A apresentação a Lula ocorre em uma fase de expansão da Aoca Game Lab, estúdio baiano que desenvolve jogos inspirados na história e na cultura do sertão.

O primeiro capítulo da franquia Árida foi traduzido para 16 idiomas e passou a ser utilizado como ferramenta pedagógica interdisciplinar em escolas brasileiras, segundo as informações fornecidas pelo estúdio. O jogo aborda o contexto histórico de Canudos e é empregado em atividades relacionadas a disciplinas como História, Geografia e Literatura.

O próximo título, ÁRIDA 2: Rise of the Brave, foi desenvolvido a partir de expedições e pesquisas de campo em locais como o Santuário de Monte Santo, no interior da Bahia. A proposta é ampliar os recursos visuais e narrativos para retratar as disputas e a resistência sertaneja.

Estúdio baiano vê novas possibilidades para o setor

Para Victor Cardozo, diretor de operações da Aoca Game Lab, a regulamentação representa uma mudança nas condições de desenvolvimento de jogos no Brasil, sobretudo para empresas independentes.

Segundo ele, o novo marco poderá facilitar o acesso a kits de desenvolvimento de plataformas como Xbox, Nintendo e PlayStation, além de ampliar a previsibilidade tributária e as possibilidades de financiamento.

“O avanço do projeto vai permitir à produção nacional ter acesso a kits de desenvolvimento das principais plataformas como Xbox, Nintendo e PlayStation com muito mais facilidade, isenções e agilidade, garantindo que as empresas avancem em seus projetos com mais segurança e previsibilidade”, afirmou.

Cardozo também destacou a expectativa de abertura de novas linhas de financiamento e de fortalecimento da indústria nacional. “Novas linhas e fundos abrirão espaço para novos estúdios, novos títulos e um ciclo consistente de fortalecimento. Foi uma construção de longo prazo, que veio desde a Cartilha Gamers até o decreto, e estamos muito felizes com esse marco”, concluiu.

Durante a solenidade, Lula relacionou o incentivo à indústria de jogos à estratégia de ampliar a participação brasileira na economia digital. “O Brasil não pode ser o eterno país exportador de soja, de milho. O Brasil tem que ser exportador de inteligência”, declarou.

O presidente também alertou para a necessidade de preservar as políticas públicas destinadas ao setor. “O que vocês estão conquistando agora é dizer que o Estado brasileiro tem uma política de game. Mas se preparem, porque fazer é difícil, mas destruir é apenas um passo”, afirmou.

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