Moradores denunciam insegurança causada por ‘paredões’ em São Cristóvão
Moradores da região da Beira Rio, no bairro de São Cristóvão, denunciam episódios de insegurança provocados por paredões
Por Da redação.
Moradores da região da Beira Rio, no bairro de São Cristóvão, em Salvador, denunciam episódios de desordem, insegurança e perturbação sonora provocados por festas conhecidas como “paredões” na localidade.

Segundo relatos da comunidade enviados à equipe de reportagem do Aratu On, os eventos estariam sendo organizados por um homem conhecido pelo apelido de “BK (Black)”, apontado por moradores como ligado ao bar "Let's Goo". De acordo com as denúncias, a população afirma viver sob intimidação e medo de represálias.
Ainda conforme os relatos, durante as festas, ruas chegam a ser bloqueadas, impedindo a circulação de moradores e veículos na região. Trabalhadores afirmam que precisaram sair de casa a pé para conseguir chegar ao trabalho após terem o acesso impedido.
Veja vídeo:
Os moradores também denunciam noites inteiras de som alto, uso de fogos de artifício, disparos de tiros para o alto e circulação de pessoas armadas nas proximidades dos eventos.
À reportagem, membros da comunidade afirmam que evita formalizar denúncias por medo de retaliações, e que, por esse motivo, nenhum boletim de ocorrência foi registrado.

Violência em 'paredões' em Salvador
Entre janeiro e agosto de 2025, 31 pessoas foram baleadas em eventos em Salvador e região metropolitana, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado. O número representa um aumento de 287,5% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados oito casos — seis mortes e dois feridos, sendo apenas uma morte em ação policial, ocorrida durante uma festa do tipo paredão.
Dos 31 baleados neste ano, nove morreram — alta de 50% — e 22 ficaram feridos, aumento de 1.000% em relação ao ano anterior. Seis vítimas ocorreram em ações policiais (três mortos e três feridos), um crescimento de 500% em comparação a 2024.
Os dados mostram que 55% dos baleados — 17 pessoas — foram atingidos em festas paredão, incluindo cinco em operações policiais. “Cinco das seis pessoas baleadas pela polícia em eventos neste período foram atingidas em festas paredão”, observa o levantamento, indicando que, historicamente, esse tipo de evento tem sido alvo de criminalização.
Do total de baleados em 2025, 22 eram homens, seis mulheres e três pessoas com gênero não identificado. Em relação à idade, 25 eram adultos (nove mortos e 16 feridos), dois adolescentes e uma criança ficaram feridos. Entre as vítimas com identificação racial, sete eram negras e uma branca.
Em nota enviada ao Aratu On na ocasião, a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que "as Forças Estaduais e Federais intensificaram o combate ao crime organizado e aumentaram em cerca de 20% o número de armas apreendidas em toda a Bahia". Além disso, ressaltou que a atuação dos agentes de segurança no estado contribuiu com a "a redução de 6% dos registros de homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte no estado".
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