Ex-coordenadora de abrigo é denunciada por desviar mais de R$ 170 mil de mulher com deficiência em Ilhéus
MPBA acusa ex-gestora de apropriar-se do BPC e esvaziar contas de acolhida sem vínculos familiares entre 2018 e 2025
Por Rosana Bomfim.
Uma ex-coordenadora do Abrigo Lar Feminino de Ilhéus, Sayonara Santos Silva de Oliveira, foi denunciada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) por suposto desvio de R$ 175.080,70 de uma mulher com deficiência intelectual acolhida na instituição. A denúncia foi recebida pela Justiça no último dia 10 e envolve acusações de peculato e de infrações previstas na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência.

Ex coordenadora de abrigo em Ilhéus é ré por desvio de benefício de mulher com deficiência
A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Pedro Nogueira Coelho à 1ª Vara Criminal de Ilhéus. Na ação, o MP-BA pede a condenação da acusada e a fixação de um valor mínimo para reparar os danos financeiros sofridos pela vítima.
Segundo as investigações, os fatos teriam ocorrido entre 2018 e 2025, período em que Sayonara atuou como coordenadora do abrigo. Conforme a acusação, ela teria se aproveitado do acesso aos recursos financeiros da mulher, que depende do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e não possui vínculos familiares, para realizar movimentações sem prestar contas.
Benefício assistencial e poupança teriam sido desviados
De acordo com o Ministério Público, os valores mensais do benefício assistencial deixaram de ser destinados à vítima e teriam sido apropriados pela denunciada. A investigação também identificou movimentações que praticamente esvaziaram uma conta poupança da mulher, que possuía saldo superior a R$ 51 mil.
Entre as operações investigadas estão transferências bancárias, saques, compras e pagamentos que, segundo a denúncia, teriam beneficiado a própria acusada e terceiros.
Empréstimos teriam sido contratados em nome da vítima
A denúncia aponta ainda que a ex-coordenadora teria contratado empréstimos consignados e um cartão de crédito consignado em nome da mulher acolhida. Os valores liberados teriam sido apropriados pela acusada, enquanto as parcelas das operações passaram a ser descontadas diretamente do benefício assistencial da vítima.

Ainda conforme o MP-BA, mesmo após deixar a coordenação do abrigo, Sayonara teria mantido em sua posse, por mais de sete meses, o cartão utilizado para o recebimento do benefício. Nesse período, ela teria continuado a sacar os recursos destinados à mulher.
O prejuízo total apontado na investigação é de R$ 175.080,70. A Justiça deverá analisar as acusações apresentadas pelo Ministério Público.
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