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Delegada é suspeita de receber R$ 50 mil do PCC por dados sigilosos

Investigação aponta Pix de R$ 50 mil feito por chefe da facção em troca de informações policiais

Por Isabela Cardoso.

Uma delegada da Polícia Civil do Pará foi presa na sexta-feira (16), suspeita de repassar informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, Maria Virgínia Grimwood Pinto teria recebido um Pix de R$ 50 mil de um dos chefes da facção em troca dos dados policiais.

Delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto

Na mesma operação, denominada Sinalagma, foi preso no Recife Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como uma das lideranças do grupo criminoso. A investigação apura a possível colaboração da delegada com a organização, incluindo o fornecimento de informações restritas e a oferta de proteção institucional a integrantes da facção.

Investigação aponta pagamento de R$ 50 mil

De acordo com o delegado Ney Luiz Rodrigues, a relação entre Maria Virgínia e Renato do Carmo envolvia pagamentos e o compartilhamento de informações obtidas nos sistemas da Polícia Civil do Pará.

“A investigação revelou que havia uma relação bastante promíscua entre essa liderança do grupo criminoso e a delegada. Houve pagamentos. Ele efetuou um pix de R$ 50 mil para essa delegada em troca de informações. Ela consultava os sistemas da Polícia Civil do Pará e repassava informações sigilosas para ele”, afirmou Rodrigues.

Além do suposto vazamento de dados, a delegada é investigada por possível proteção institucional a integrantes da organização criminosa.

Operação apura movimentação de R$ 14 bilhões

As investigações apontam que o grupo criminoso teria movimentado R$ 14 bilhões com o tráfico de drogas nos estados do Pará, Amazonas, Acre e Pernambuco.

A Operação Sinalagma busca cumprir três mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão domiciliar. A ação também inclui ordens judiciais para sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros.

As medidas foram expedidas pelo Juízo da Vara Criminal da Comarca de Ipojuca, em Pernambuco.

Como começaram as investigações

A investigação conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco começou em janeiro de 2025, quando Renato do Carmo foi preso na Região Metropolitana do Recife. Meses depois, ele passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

O objetivo era identificar e desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica.

Segundo as apurações, a relação entre a delegada e o suspeito teria começado em 2024, após uma prisão dele no Pará. Na ocasião, Renato estaria com um documento falso e teria sido liberado por Maria Virgínia, conforme as informações da investigação.

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