Após prisão de cabo, Exército nega roubo de armas e granadas de batalhão em Salvador
Militar é investigado por suspeita de desvio de armamentos e munições; corporação afirma que não constatou roubo de armamento orgânico
Por Victor Hernandes.
O Exército negou, nesta terça-feira (15), informações relacionadas a um suposto roubo e venda de armas, munições e granadas da corporação para traficantes em Salvador. O posicionamento ocorreu após a prisão de um cabo do Exército lotado na capital baiana, identificado como Deivison dos Santos Ferreira, investigado por suspeita de participação em um esquema de desvio de armamentos e munições para abastecer organizações criminosas.

Em nota enviada ao Aratu On, o 6º Batalhão de Polícia do Exército (6º BPE) afirmou que não foi constatado desvio de armamento orgânico da unidade. A corporação também esclareceu que o 6º BPE não possui nem realiza adestramento com granadas de mão de efeito explosivo letal.
Segundo o Exército, os militares utilizam e treinam apenas com granadas de gás lacrimogêneo e granadas de luz e som, ambas não letais. De acordo com o comunicado, em outubro de 2025, o 6º BPE participou de um exercício de adestramento da 6ª Região Militar, na região de Paulo Afonso, na Bahia. Na ocasião, foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar um eventual desvio de munição.
Entenda a investigação
As apurações envolvendo o militar começaram durante uma investigação sobre a atuação de grupos criminosos em Salvador. Durante o trabalho investigativo, surgiram suspeitas relacionadas ao possível desvio de armamentos e munições que poderiam ter como destino organizações criminosas.
As apurações no Exército se iniciaram após suspeitas durante uma investigação sobre a atuação de grupos criminosos na capital baiana. A análise de celulares apreendidos em uma operação realizada em abril, em um imóvel usado para armazenar e preparar drogas em Itapuã, revelou conversas que indicariam a negociação de materiais de uso restrito.
Segundo a apuração da Polícia Civil da Bahia e do Ministério Público da Bahia (MPBA), o militar teria negociado munições de fuzil, armas e granadas com integrantes do tráfico de drogas. De acordo com a investigação, o cabo do Exército seria o responsável por fornecer parte do material a criminosos. Somente para um dos grupos investigados, ele teria negociado aproximadamente mil munições para fuzis dos calibres 5.56 e 7.62.
Também foram identificadas conversas sobre a possível venda de granadas. A investigação ainda não conseguiu estabelecer a quantidade exata de artefatos que teria sido desviada. O militar teria usado apenas um emoji para se identificar nas conversas. A confirmação de sua identidade, segundo os investigadores, ocorreu a partir de informações pessoais fornecidas durante as negociações, entre elas CPF e chave Pix utilizada para o recebimento dos pagamentos.
O contato seria com Gabriel Reis Oliveira, apontado pela polícia como responsável pela compra e revenda de armas e drogas para diferentes grupos criminosos. O aparelho celular dele foi um dos elementos que ajudaram a revelar a suposta conexão com o militar.

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