Salvador faz mutirão para triagem de cirurgia de estrabismo; médica explica condição
Mutirão gratuito para triagem de cirurgia de estrabismo acontece em Salvador neste sábado (15); saiba o que é e veja como participar da triagem
Por Liven Paula.
Salvador receberá um mutirão gratuito para triagem de cirurgia de estrabismo neste sábado (15). O atendimento será das 7h às 9h, no Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção da Cegueira (IBOPC) na Rua Pedro Lessa, nº 118, no bairro do Canela.

Vagas mutirão gratuito para triagem de cirurgia de estrabismo
Ao todo, 100 senhas serão entregues por ordem de chegada durante a ação, que vai avaliar pacientes com possível indicação para o procedimento. Para passar pela avaliação, é necessário apresentar documento de identificação, CPF, Cartão do SUS e comprovante de residência.
A iniciativa busca ampliar o acesso à avaliação especializada, especialmente para pessoas que convivem com o desalinhamento dos olhos e ainda não passaram por uma investigação oftalmológica.
A condição pode aparecer de diferentes formas e nem sempre é percebida imediatamente. Ao Aratu On, Iluska Agra, médica oftalmologista, explicou que o estrabismo acontece quando os olhos não ficam alinhados na mesma direção: “Enquanto um olho olha para frente, o outro pode desviar para dentro, para fora, para cima ou para baixo”.

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O desvio pode ser permanente ou aparecer apenas em alguns momentos. Além da alteração no posicionamento dos olhos, outros sinais podem indicar a presença do problema.
“Algumas pessoas também podem ter visão dupla, dificuldade para enxergar em profundidade, fechar um dos olhos em determinados momentos, principalmente em ambientes com maior exposição à luz, ou inclinar a cabeça para enxergar melhor”, detalha Iluska.
Problema pode surgir em qualquer idade
Apesar de ser frequentemente associado à infância, o estrabismo também pode aparecer na vida adulta. A médica aponta que existem diferentes causas para o desenvolvimento da condição.
“Ele pode estar relacionado ao próprio desenvolvimento da visão, a alterações no grau dos olhos, a fatores hereditários ou a alterações nos músculos e nervos responsáveis pelo movimento dos olhos”, comenta.
Doenças neurológicas, alterações na tireoide e traumas na face também podem estar relacionados ao aparecimento do estrabismo. Em alguns casos, entretanto, não é possível determinar uma única causa.
Nem todo caso precisa de cirurgia
A triagem realizada durante o mutirão não significa que o paciente será submetido imediatamente a uma cirurgia. O objetivo é identificar quem apresenta características que podem indicar a necessidade do procedimento.
Segundo Iluska, existem outras possibilidades de tratamento, dependendo do quadro apresentado pelo paciente. “Nem todo estrabismo precisa de cirurgia. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver óculos, tampão para tratar a ambliopia, prismas ou outras medidas”.

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Quando a cirurgia é indicada, o procedimento busca melhorar o alinhamento dos olhos por meio de ajustes nos músculos responsáveis pelos movimentos oculares. “A cirurgia é realizada nos músculos que movimentam os olhos. O oftalmologista ajusta a posição ou a força de determinados músculos para melhorar o alinhamento ocular”.
De acordo com a especialista, geralmente se trata de uma cirurgia relativamente rápida e, na maioria dos casos, não há necessidade de internação prolongada.
Importância do diagnóstico na infância
Nas crianças, identificar o estrabismo cedo pode fazer diferença no desenvolvimento da visão. Isso acontece porque o cérebro ainda está aprendendo a utilizar as informações recebidas pelos dois olhos.
“Quando um olho desvia, o cérebro pode começar a dar preferência ao outro olho, e a visão do olho desviado pode não se desenvolver adequadamente. Isso pode causar ambliopia, conhecida popularmente como ‘olho preguiçoso’”, alerta a médica.

Pais e responsáveis devem observar sinais como desvio frequente de um dos olhos, fechamento de um olho para enxergar, inclinação constante da cabeça ou aparente dificuldade visual. “Desvio ocular persistente não deve ser considerado normal apenas porque a criança é pequena”, destaca Iluska.
Estrabismo também pode afetar adultos
Na fase adulta, além dos sintomas relacionados à visão, a condição pode interferir na autoestima e na qualidade de vida.
“Nos adultos, além da questão do alinhamento dos olhos, pode causar visão dupla e trazer impacto na qualidade de vida e na autoestima”, afirma.
Os pacientes avaliados no mutirão que apresentarem indicação para cirurgia poderão ter o procedimento encaminhado posteriormente pelo SUS. A avaliação, portanto, será uma etapa para definir a necessidade de tratamento.
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