Dificuldade para atingir orgasmo pode indicar problema; saiba quando procurar ajuda
No Dia Mundial do Orgasmo, especialistas explicam o que acontece no organismo durante o prazer, quando a dificuldade merece atenção e quais mitos ainda cercam a sexualidade
Por Dinaldo dos Santos.
A dificuldade para atingir o orgasmo nem sempre é motivo de preocupação. No entanto, quando se torna frequente, provoca sofrimento ou interfere na qualidade de vida, o quadro pode indicar uma condição que merece avaliação profissional. O alerta ganha destaque neste Dia Mundial do Orgasmo, celebrado em 31 de julho, data que hoje incentiva debates sobre saúde sexual, informação baseada em evidências e quebra de tabus.

Segundo entidades médicas e científicas dedicadas ao estudo da sexualidade humana, o orgasmo faz parte da resposta sexual, mas não deve ser encarado como o único objetivo da relação íntima. A satisfação sexual envolve fatores físicos, emocionais, psicológicos e relacionais, variando de pessoa para pessoa.
O que acontece no corpo durante o orgasmo
Durante o orgasmo, o cérebro libera substâncias como dopamina, ocitocina e endorfinas, neurotransmissores associados às sensações de prazer, recompensa, relaxamento e vínculo afetivo. Esse processo também pode provocar redução momentânea da tensão muscular, melhora do humor e sensação de bem-estar após a atividade sexual.
Especialistas ressaltam, porém, que esses efeitos variam entre os indivíduos e não significam que o orgasmo seja um tratamento para ansiedade, depressão ou outras condições clínicas. A saúde sexual deve ser compreendida de forma ampla, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais.
Outro ponto destacado pelos especialistas é que orgasmo e ejaculação não são sinônimos. Embora frequentemente ocorram juntos nos homens, tratam-se de fenômenos fisiológicos distintos. Da mesma forma, nem toda relação sexual precisa culminar em orgasmo para ser considerada satisfatória.
Quando a dificuldade para atingir o orgasmo merece atenção
A dificuldade persistente para atingir o orgasmo — condição conhecida como anorgasmia — pode estar relacionada a alterações hormonais, doenças crônicas, uso de determinados medicamentos, ansiedade, estresse, depressão, experiências traumáticas ou problemas no relacionamento.
Quando essa dificuldade provoca sofrimento ou interfere na qualidade de vida, a recomendação é procurar avaliação com ginecologista, urologista ou profissional habilitado em medicina ou terapia sexual. As disfunções sexuais possuem diagnóstico e, em muitos casos, tratamento.

Febrasgo alerta para promessas sem comprovação científica
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta para a divulgação de procedimentos e produtos vendidos com promessas de potencializar o prazer sexual sem comprovação científica.
Segundo a entidade, técnicas divulgadas nas redes sociais, como a suposta ativação de "pontos do prazer" na parede vaginal ou o uso de determinados dispositivos e substâncias com essa finalidade, não contam com respaldo científico e podem representar riscos à saúde.

Mitos sobre o orgasmo ainda geram desinformação
Especialistas reforçam que ainda existem muitos mitos sobre o tema. Entre eles, destacam que o orgasmo feminino não depende exclusivamente da penetração, que não existe uma frequência considerada "normal" para atingir o clímax, que cada pessoa vivencia a resposta sexual de forma diferente e que dificuldades ocasionais são comuns. Já os casos persistentes devem ser investigados.
Dia Mundial do Orgasmo incentiva informação e saúde sexual
Criado em 1999 como uma campanha publicitária de uma rede de sex shops no Reino Unido, o Dia Mundial do Orgasmo passou a ser utilizado por profissionais da saúde como uma oportunidade para ampliar o acesso à educação sexual baseada em evidências, combater preconceitos e estimular o cuidado com a saúde sexual.
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