Cerveja sem álcool pode ter até 70% menos calorias; saiba qual escolher
No Dia Internacional da Cerveja, nutricionista explica as diferenças entre os tipos da bebida, alerta para armadilhas nutricionais e diz quem deve evitar o consumo
Por Liven Paula.
O clima desta sexta-feira (7) é especial para os amantes de cerveja, já que hoje é celebrado o dia da bebida alcoólica mais consumida no Brasil. Muitos soteropolitanos já deixaram as latas de cerveja no freezer para as comemorações da noite.
No entanto, apesar do tom festivo da data, alertas sobre o consumo de álcool na capital baiana geram preocupação após um levantamento divulgado em 2023, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) indicar que Salvador lidera o ranking de consumo do país.
Como alternativa, a cerveja sem álcool surge como uma saída para quem quer manter o hábito e o sabor, buscando afastar o grande "vilão" da bebida.

Nem todas as latas de cerveja sem álcool são iguais
Ao Aratu On, o nutricionista Rodrigo José explicou que a cerveja sem álcool pode ser uma aliada para quem deseja reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, mas destacou que nem todas as versões disponíveis no mercado possuem o mesmo perfil nutricional."O perfil nutricional muda drasticamente dependendo do método que a indústria escolhe para retirar ou evitar o álcool", afirma o especialista.
Segundo Rodrigo, nas cervejas produzidas por fermentação interrompida, o processo é interrompido antes que os açúcares do malte sejam consumidos pelo fermento. "Nutricionalmente, ela se torna mais rica em carboidratos rápidos e pode ter calorias semelhantes ou apenas ligeiramente menores que uma versão tradicional", explica.
Já nas cervejas que passam pelo processo de desalcoolização, o álcool é retirado apenas após a fermentação completa. "Como a fermentação ocorreu por completo, os açúcares já foram consumidos pelo levedo. O resultado é uma bebida com muito menos carboidratos e até 50% a 70% menos calorias que a cerveja comum", destaca.
Latas de cerveja preservam antioxidantes e vitaminas
Rodrigo também ressalta que a retirada do álcool não elimina compostos benéficos presentes na bebida. "Os antioxidantes derivados do lúpulo e da cevada continuam presentes e ajudam a reduzir o estresse oxidativo e combater inflamações", afirma. Ele acrescenta que "os níveis de vitaminas B6 e B12 permanecem praticamente idênticos aos da cerveja tradicional".

Em relação às bebidas que possuem até 0,5% de teor alcoólico, o nutricionista afirma que, para pessoas saudáveis, essa quantidade não produz efeitos metabólicos relevantes. "O nosso fígado é extremamente rápido. A quantidade de etanol é tão pequena que o organismo a metaboliza praticamente em tempo real, impedindo que o álcool provoque qualquer efeito psicotrópico ou toxicidade celular", explica.
Apesar dos benefícios, Rodrigo faz um alerta para pessoas com diabetes ou resistência à insulina. "As cervejas feitas por fermentação interrompida possuem alto índice glicêmico devido à maltose residual e podem provocar picos rápidos de glicose no sangue", alerta. "A melhor alternativa é optar pelas cervejas sem álcool produzidas por desalcoolização e sempre conferir a quantidade de carboidratos indicada no rótulo."
Latas de cerveja podem ajudar na hidratação e no emagrecimento
O especialista acrescenta que a cerveja sem álcool, principalmente a do tipo Weiss, pode auxiliar na hidratação após atividades físicas. "Ela é naturalmente isotônica, rica em água, potássio, magnésio e polifenóis", diz. No entanto, faz uma ressalva: "Para atletas de alta performance, ela não substitui os isotônicos industriais, pois possui menos sódio e menos carboidratos para reposição energética."
Para quem busca emagrecimento, a troca também pode trazer benefícios. "O álcool fornece calorias vazias e bloqueia temporariamente a queima de gordura. Ao retirar o etanol, reduzimos a carga calórica da bebida", afirma. Entretanto, ele pondera que "em dietas cetogênicas ou low-carb rigorosas, uma única lata pode conter carboidratos suficientes para comprometer o estado de cetose".
O nutricionista ainda afirma que a troca da cerveja convencional pela sem álcool traz benefícios para o fígado, que deixa de sofrer a sobrecarga provocada pelo metabolismo do etanol, e também favorece a qualidade do sono, uma vez que o álcool interfere nas fases mais profundas do descanso.
Apesar das vantagens, Rodrigo reforça que o consumo não é indicado para todos. Gestantes e lactantes devem optar apenas por produtos com teor alcoólico de 0,0%, enquanto pessoas em recuperação da dependência alcoólica precisam ter cautela, já que o sabor, o aroma e o contexto social podem funcionar como gatilhos para recaídas.
Para adultos saudáveis e fisicamente ativos, o especialista considera que o consumo de uma a duas latas por dia, em dias alternados, pode fazer parte de uma rotina equilibrada, desde que a bebida esteja incluída no planejamento alimentar para evitar excesso de calorias.

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