Nasa envia tecidos humanos ao espaço para testar novos tratamentos médicos
Experimentos na estação espacial investigam doenças e testam tecnologia para criar retinas artificiais
Por Isabela Cardoso.
A Nasa enviou amostras de tecidos de cérebro e coração humanos à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) para investigar os efeitos da microgravidade no organismo e desenvolver pesquisas que podem contribuir para novos tratamentos médicos.

Os materiais chegaram ao laboratório orbital na quinta-feira (15), transportados pela espaçonave Dragon, da SpaceX, junto a 2.858 quilos de carga.
A missão, lançada na terça-feira (13), também levou experimentos voltados à saúde dos olhos e à prevenção de alterações físicas associadas à permanência prolongada no espaço.
Os estudos buscam ampliar o conhecimento sobre o funcionamento de tecidos humanos em condições de microgravidade e podem abrir caminhos para avanços médicos na Terra.
Cérebro é foco de pesquisas sobre Alzheimer e Parkinson
Dois experimentos utilizarão modelos de cérebros humanos cultivados em laboratório, chamados miBrains. Um deles, denominado AVATAR-ORg1, vai acompanhar as mudanças nesses modelos durante cinco semanas e comparar os resultados com os de tecidos cerebrais mantidos sob a gravidade terrestre.
Outro estudo pretende investigar a relação entre inflamação e doenças neurodegenerativas. Para isso, os pesquisadores vão utilizar estruturas chamadas de “vilas organoides”, que combinam células de diferentes pessoas para representar características de diversos pacientes.
A expectativa é que os resultados contribuam para pesquisas sobre doenças como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla. Os experimentos também podem ajudar a compreender melhor como as condições do espaço afetam o organismo humano.

Pesquisa investiga efeitos da microgravidade no coração
A saúde cardiovascular também está entre os focos da missão. Os cientistas pretendem analisar como a microgravidade interfere no crescimento e no funcionamento de modelos tridimensionais de tecidos cardíacos humanos.
Os resultados poderão contribuir para estudos sobre doenças do coração e para o desenvolvimento e a avaliação de medicamentos. A pesquisa também faz parte dos esforços para compreender as alterações que podem ocorrer no sistema cardiovascular durante missões espaciais prolongadas.
Nasa testa produção de retina artificial no espaço
Outro experimento da missão, chamado LambdaVision-1, vai avaliar a produção de retinas artificiais em condições de microgravidade. A tecnologia poderá, se os estudos forem bem-sucedidos, ajudar a recuperar a visão funcional de pessoas que perderam a capacidade de enxergar devido a doenças degenerativas da retina.
O projeto utiliza a proteína bacteriorrodopsina, encontrada no microrganismo Halobacterium salinarum. Quando ativada pela luz, a proteína pode desempenhar um papel na tecnologia desenvolvida para imitar algumas funções das células responsáveis pela captação de luz nos olhos humanos.
Um dos desafios é produzir camadas uniformes e estáveis desse material. Segundo a descrição da pesquisa, as condições terrestres podem comprometer a consistência das estruturas. A microgravidade pode favorecer a fabricação de camadas mais adequadas ao desenvolvimento da retina artificial.

A tecnologia ainda depende dos resultados dos experimentos para demonstrar sua eficácia e possível aplicação clínica.
Experimentos também monitoram riscos à saúde dos astronautas
A permanência prolongada no espaço pode provocar mudanças no organismo, incluindo alterações no cérebro, na pressão intracraniana, nos olhos e na densidade óssea. Por isso, a missão também reúne pesquisas voltadas à compreensão e ao monitoramento desses efeitos.
Entre elas está o teste ELISA MABL, sigla para Ensaio Imunoabsorvente Enzimático para Perda Óssea Associada à Microgravidade, direcionado à investigação de questões relacionadas à perda de massa óssea em ambientes de gravidade reduzida.
Os estudos fazem parte dos esforços para tornar missões espaciais de longa duração mais seguras para os tripulantes. Ao mesmo tempo, as pesquisas com tecidos humanos e modelos biológicos podem produzir conhecimentos úteis para a medicina na Terra.
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