Siga o Aratu ON no GoogleE veja as notícias do Brasil e da Bahia com destaque nas suas buscas.
Adicionar

Quem era Santa Dulce? Testemunhas revelam como era a freira baiana no cotidiano

Religiosos e pessoas que conheceram Irmã Dulce relembram a simplicidade, a compaixão e a dedicação da primeira santa brasileira aos pobres e enfermos

Por Victor Hernandes.

Quem a via caminhando a passos lentos pelas ruas de Salvador, com passos miúdos e olhar atento, nem sempre mensurava a força de sua compaixão. Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, tornou-se a primeira santa brasileira, mas sua maior virtude começou muito antes da canonização: a humanização em conjunto com a capacidade de enxergar a dignidade onde o mundo só via o abandono.

Documentário inédito sobre a vida da Santa Dulce dos Pobres estreia em agosto; saiba como assistir

Muito além das orações e dos altares, Dulce era feita de presença, abraços acolhedores e noites mal dormidas para garantir que nenhum doente ficasse sem atendimento. 

Para resgatar as memórias de quem dividiu corredores, conventos e altares ao lado do "Anjo Bom da Bahia", o Aratu On reuniu os relatos emocionados de três testemunhas que tiveram a honra, a alegria e o privilegio de quem conviver com a religiosa ainda em vida.

O olhar de quem dividiu a rotina no convento

Um desses personagens é a irmã Olivia Lucinda da Silva, de 76 anos. Ela conheceu Irmã Dulce na decada de 70, quando  ingressou no convento. Nascida em Pernambuco, a religiosa passou por São Paulo antes de desembarcar na Bahia. Ela relembra o acolhimento afetuoso de Dulce antes mesmo de sua chegada e destaca a dedicação incansável da santa à oração e ao atendimento diário aos enfermos e necessitados.

“Quem conheceu Dulce teve a oportunidade de viver o cotidiano dela e acompanhar cada um de seus passos. Em nosso primeiro encontro, ela se dirigiu a mim e disse que ficaríamos juntas no convento. Antes de eu chegar, ela já havia me escrito uma carta dizendo que estava me esperando. Quando terminei os estudos, fui conviver com ela”, relembrou. 

A freira também relembrou alguns dos hábitos que eram praticados pela religiosa na convivência com o próximo. 

“Ela tinha muitas virtudes, mas sobressaía a compaixão pelos pobres, pelas crianças e pelos deficientes, além de sua simplicidade, espírito de serviço e amor a Deus. Ela rezava muito e fazia penitências. Gostava muito de visitar os pacientes durante a noite para ver se tinham se alimentado e passava em todos os postos de enfermagem para checar se todos haviam sido atendidos. Ela ficava até atender todo mundo”, explicou. 

A humildade longe dos holofotes

Hoje um dos gestores e diretores  das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), no passado coroinha de Santa Dulce. Esse é um resumo da experiência vivida por Márcio Didier, que teve seu primeiro contato com a freira ainda na infância. Ele recorda uma figura reservada, que ensinava pelo exemplo e recusava qualquer tipo de vaidade ou reconhecimento por seu trabalho comunitário.

“A primeira vez em que estive com ela foi como coroinha, participando de uma celebração em sua homenagem. Ela era muito tímida, quieta e calada. Ensinava-nos que podíamos falar de Deus sem precisar falar dele diretamente”, revelou. 

Didier destacou ainda das virtudes visualizadas em Dulce ao citar suas obras.    

“Acho que uma das coisas que mais me tocava era a simplicidade e a humildade dela. Dulce não queria ser vista como santa, sempre que se falava nisso, ela se retirava. Quando mencionavam suas obras, dizia que pertenciam a Deus”, apontou. 

“Ela fugia dos holofotes e do centro das atenções. Conseguia acolher a todos com um abraço e sem fazer distinção. Para além da santa e da religião, falamos de uma pessoa que sabia valorizar o ser humano independentemente de tudo”, observou. 

A grandeza espiritual de uma mulher frágil

O cônego Edson Menezes também conviveu de perto com Santa Dulce, realizando inclusive no sacramento da confissão.

“Tive o privilégio de conhecer Irmã Dulce, conviver com ela e escutá-la, sobretudo em confissão. Para mim, foi algo marcante. Ela tinha uma habilidade e uma delicadeza no trato com as pessoas: trocava fraldas de bebês e roupas de doentes com uma agilidade e sensibilidade admiráveis. Eu ficava impressionado com sua doçura.

Ele destaca a sensibilidade do toque da religiosa no cuidado direto com os doentes, o profundo respeito ao sacerdócio e uma consciência espiritual impressionante

“Ela mantinha um respeito e uma reverência enormes pelo padre; ajoelhava-se mesmo com toda a dificuldade física. O senso de pecado que ela cultivava chamava a atenção. Às vezes não temos consciência do que é o pecado, mas ela, diante de qualquer ato ou pensamento que julgasse não corresponder a Deus, à sua vocação e à sua missão, procurava se confessar”, comentou. 

“Em algumas ocasiões, ao relatar pequenos detalhes, chorava durante a confissão, tamanha era sua consciência espiritual. Imagine-a, com toda aquela fragilidade, chorando — parecia um gato miando. Era um choro que emanava de uma mulher fisicamente frágil, mas espiritualmente gigante”, contou. 

 

 

Programação da festa de Santa Dulce 

A Festa de Santa Dulce dos Pobres começou no último dia 1º, em Salvador. O festejo reúne uma programação religiosa e cultural que segue até o dia 13 de agosto.

Neste ano, a celebração traz como tema "Santa Dulce dos Pobres nos educa na paz pela força da Graça Sacramental". Promovido pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), com apoio da Prefeitura de Salvador, o evento contará com missas, trezena, procissões, shows, quermesse e ações solidárias, além de reunir milhares de fiéis, devotos e turistas durante os 13 dias de programação.

Segundo o reitor do Santuário Santa Dulce dos Pobres, Frei Ícaro, a festa é um momento de agradecer pela trajetória da primeira santa brasileira.

"Vão ser dias de muita fé, de muita devoção e celebração em honra a Santa Dulce, agradecendo a Deus por ter nos dado a primeira santa brasileira, aqui da nossa terra e da nossa cidade. Convidamos a todos para celebrar conosco a festa de Santa Dulce", afirmou.

O ponto alto da festa será em 13 de agosto, data litúrgica de Santa Dulce. Ao longo do dia, a programação de encerramento contará com uma série de atividades religiosas e culturais.

"Vamos ter as celebrações religiosas pela manhã e à tarde. Na praça haverá eventos, bandas católicas e shows em honra a Santa Dulce. E no dia 13, o grande dia da festa, teremos a missa solene às 17 horas, programação durante todo o dia e, depois, a procissão", disse Frei Ícaro. 

Festa De Santa Dulce Dos Pobres Começa Neste Sábado (1º) Em Salvador

LEIA MAIS: Farol da Barra ganha arquibancada para público assistir ao pôr do sol; veja como ficou

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.