STF impõe restrições a Jaques Wagner após operação da Polícia Federal
O senador Jaques Wagner (PT) deverá cumprir uma série de medidas cautelares determinadas pelo ministro do STF André Mendonça
Por Bruna Castelo Branco.
O senador Jaques Wagner (PT) deverá cumprir uma série de medidas cautelares determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, após ser alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e suposto favorecimento ao Banco Master. Segundo os investigadores, o parlamentar teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política alinhada aos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional. Em nota, Wagner negou as acusações.

Entre os benefícios sob investigação está um apartamento de luxo localizado no condomínio Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, em Salvador. De acordo com a Polícia Federal, há suspeitas de que o imóvel tenha sido utilizado como forma de pagamento de propina.
Como parte das medidas cautelares impostas pelo STF, Jaques Wagner está proibido de manter contato com gerentes, administradores, corretores, funcionários, engenheiros, arquitetos ou quaisquer colaboradores das empresas MD BA Parque Florestal Construções e Grupo Moura Dubeux, responsáveis pelo empreendimento onde está localizado o imóvel investigado.
O senador também não poderá exercer atividades de gestão, administração, representação, consultoria, contratação, intermediação ou negociação com pessoas jurídicas envolvidas nas apurações.
Operação investiga supostas vantagens indevidas
A Operação Compliance Zero cumpre 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares como a suspensão dos passaportes dos investigados e a proibição de contato entre eles.
Segundo a Polícia Federal, além do apartamento em Salvador, estão sob apuração repasses que somariam R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a familiares do senador, o uso de aeronaves particulares e a concessão de ingressos para shows da cantora Taylor Swift em São Paulo e nos Estados Unidos.
Os investigadores buscam esclarecer se Jaques Wagner utilizou a influência do cargo para beneficiar interesses do Banco Master.

A PF aponta que os fatos investigados podem configurar os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
O inquérito segue em andamento. Até o momento, não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público nem condenação contra Jaques Wagner ou os demais investigados.
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