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Justiça Eleitoral pode barrar IA da Meta? O que diz especialista sobre denúncias

Campanha aponta restrição desigual em testes de imagens políticas com nomes de candidatos e aciona o Tribunal Superior Eleitoral

Por João Tramm.

A IA da Meta pode ser interrompida ou suspensa por determinação da Justiça Eleitoral, caso seja comprovado favorecimento político e a empresa não corrija as irregularidades apontadas. A avaliação é do advogado de direito eleitoral Dr. Rauan Soares, que analisou as denúncias apresentadas por usuários da plataforma.

A ferramenta é acusada de permitir a criação de imagens políticas com “Flávio 22”, mas recusar pedidos semelhantes com “Lula 13”. Nesta semana, a campanha de Lula e a meta já tinham entrado em embate judicial diante do entendimento que a plataforma não estava entregando os vídeos petistas da mesma forma.

Serviços de IA da Meta podem ser interrompidos se favorecimento político for comprovado

TSE pode suspender IA da Meta após denúncias de desigualdade em conteúdos eleitorais

Segundo o advogado, a representação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já inclui pedidos para regularizar o funcionamento da ferramenta e garantir isonomia entre os candidatos. Uma eventual interrupção dos serviços, no entanto, dependeria de solicitação específica e de decisão judicial.

Rauan Soares explica que, neste momento, o foco está na regularização da ferramenta para assegurar condições iguais aos candidatos. Caso sejam identificadas outras irregularidades, uma ação específica para pedir punições à empresa também poderá ser apresentada.

Para a campanha, o caso ultrapassa a possibilidade de uma falha operacional. A coligação classifica o episódio como uma possível interferência na discussão pública e na igualdade de condições entre os candidatos.

'Por isso, o pedido ao TSE é claro e urgente: não basta apenas que a plataforma cesse essa restrição ilegal, é necessário recompor, em dobro, o alcance que foi indevidamente retirado da campanha e seus apoiadores, para reparar o prejuízo antes do dia da votação'.

Ferramentas não justificat porque não conseguem gerar imagens

Flávio Bolsonaro pode ser punido?

O advogado ressalta que, até o momento, não há pedido específico de punição contra o candidato Flávio Bolsonaro relacionado ao episódio. A discussão está concentrada na conduta da plataforma e na possibilidade de interferência na igualdade de condições da disputa eleitoral.

A comprovação de eventual atuação coordenada entre a empresa e uma campanha também representa um desafio, segundo a análise apresentada por Soares. Por ser uma companhia estrangeira, a Meta pode exigir maior complexidade na apuração de possíveis vínculos, embora isso não impeça a investigação de sua atuação no Brasil.

Representação contra a IA da Meta

De acordo com a coligação, a ferramenta de IA do WhatsApp apresenta um comportamento que favorece determinados conteúdos. Além das reclamações já feitas anteriormente contra a plataforma, a campanha pede medidas urgentes para interromper o que considera uma restrição desigual durante a reta final da disputa eleitoral.

'Diante do cenário que afeta a paridade de armas na reta final do pleito, a coligação pede ao TSE a concessão de tutela incidental de urgência. Entre os requerimentos estão a cessação imediata da restrição aos conteúdos da campanha, a derrubada de perfis inautênticos e a recomposição do alcance perdido em dobro, medida que deve ser custeada pela própria plataforma para compensar os danos causados ao debate democrático até o dia da votação'.

Ferramenta não consegue gerar imagens

Em testes descritos no material, a ferramenta aceitou produzir cartazes com a frase “Flávio 22”, mas não concluiu pedidos com “Lula 13”. Ao ser questionada sobre a recusa, a IA teria informado que tentou realizar a solicitação, mas “o sistema não deixou completar a imagem”.

Em outro teste, foi solicitado à ferramenta um cartaz com “Flávio 22”, em estilo político e com as cores verde e amarelo. A imagem foi gerada, mas com a frase “O Brasil que queremos”. Na sequência, ao receber um pedido semelhante com a inscrição “Lula 13”, a ferramenta respondeu:

'Não consegui gerar essa imagem com o texto Lula 13'.

Outras tentativas também geraram erros da plataforma

Dilema entre Meta e a esquerda vêm desde 2024

As queixas envolvendo a atuação de plataformas digitais em conteúdos políticos não são recentes. Desde as eleições municipais de 2024, empresas de tecnologia foram chamadas pelo TSE para firmar acordos de cooperação voltados à integridade do processo eleitoral e ao enfrentamento da desinformação.

Entre as reclamações relatadas por setores da esquerda estão supostas reduções no alcance de publicações políticas. Um dos casos mencionados envolve o influenciador Eduardo Moreira, do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), que teria relatado restrições em conteúdos publicados após uma entrevista com o presidente Lula.

A controvérsia mais recente envolve a geração de imagens pela IA da Meta. A campanha de Lula levou novos questionamentos ao TSE após alegar que a ferramenta apresentava respostas diferentes a solicitações semelhantes envolvendo candidatos.

A discussão sobre a ferramenta ocorre em meio a reclamações anteriores sobre o alcance de conteúdos políticos nas plataformas digitais. No entanto, eventuais acusações de favorecimento precisam ser apuradas, e a comprovação de irregularidades dependerá da análise das evidências e da decisão da Justiça Eleitoral.

Decisões do TSE estão no centro das eleições

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, registrou nesta terça-feira (13) o endereço eletrônico do canal Exército do Lula, no aplicativo de mensagens WhatsApp, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A formalização do canal, que já soma mais de 4 milhões de inscritos, foi realizada pouco depois de o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, ter condicionado a manutenção do canal no ar ao seu registro junto à Justiça Eleitoral. 

Apesar deste cenário de debates jurídicos, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, garantiu que as eleições não estão “sob ameaça concreta” de ações internacionais ou do crime organizado. A declaração ocorreu um dia após a Polícia Federal (PF) realizar uma operação para investigar um possível planejamento de atos que poderiam colocar em risco instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil.

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