Léo Kret recebia mais de R$ 36 mil antes de exoneração da Prefeitura Salvador

Léo Kret foi exonerada após se tornar alvo de uma operação contra desvio de dinheiro público em Salvador

Por Anna Caroline Santiago.

Antes de ser exonerada do cargo de diretora de Políticas para Pessoas LGBTQIAPN+ da Secretaria Municipal da Reparação (Semur), Léo Kret recebia remuneração que ultrapassava os R$ 36 mil mensais, segundo dados disponíveis no Portal da Transparência de Salvador. A ativista é alvo de investigação por suspeita de desvio de dinheiro público.

Léo Kret recebia mais de R$ 36 mil antes de exoneração da Prefeitura Salvador. Foto: Portal da Transaparência

De acordo com a consulta pública, a ex-vereadora tinha salário bruto de cerca de R$ 27 mil, com os descontos legais. Com a inclusão de adicionais, o valor total chegava a R$ 36,4 mil. 

A Prefeitura de Salvador informou a exoneração de Léo Kret e de outras duas servidoras vinculadas à pasta. Em nota, a gestão municipal afirmou que a medida atende a uma recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA).

“Em relação à operação do Ministério Público estadual (MP-BA) desta terça-feira (26), a Prefeitura de Salvador informa que, seguindo a recomendação do órgão ministerial, as servidoras citadas serão exoneradas. A gestão municipal salienta que colabora com a apuração para que todos os fatos sejam esclarecidos”, declarou a prefeitura.

Investigação do MP-BA

Além da ex-vereadora, equipes cumpriram sete mandados de busca e apreensão em um órgão público, uma associação e endereços ligados a cinco pessoas físicas, entre elas servidores do Município de Salvador. A Justiça também determinou o afastamento do presidente e do diretor-geral da associação investigada, além de duas servidoras municipais.

Os mandados foram cumpridos em diversos pontos de Salvador, incluindo o Edifício Thomé de Souza e bairros como Pernambués, Graça, Itapuã e Comércio, além da localidade de Jambeiro, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

Segundo o MP-BA, as investigações apontam que recursos públicos destinados ao patrocínio de eventos carnavalescos e ações voltadas à comunidade LGBTI+ teriam sido desviados por meio de uma associação de fachada. De acordo com os promotores de Justiça, a entidade recebeu mais de R$ 1,1 milhão da Prefeitura de Salvador, e parte dos valores teria beneficiado integrantes da própria associação.

Ainda conforme as investigações, os recursos deveriam ser utilizados para viabilizar eventos em 57 bairros de Salvador, além do apoio a 18 blocos carnavalescos durante o Carnaval de 2025.

A apuração teve início após o Ministério Público receber informações e documentos apresentados por organizadores de eventos e integrantes da comunidade LGBTI+, que relataram irregularidades na destinação de verbas públicas destinadas à realização do projeto “Caminhada da Diversidade LGBTI+”.

'Armaram pra mim', diz Léo Kret sobre investigação de desvio de verbas

Foto: Redes sociais

A ex-vereadora Leo Kret afirmou que é vítima de uma “armação” após se tornar alvo de uma investigação que apura suposto desvio de verbas públicas destinadas a eventos carnavalescos e ações voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ em Salvador. 

A “Operação Sponsor”, deflagrada pelo MP-BA, investiga suspeitas de uso irregular de recursos públicos em contratos relacionados a eventos carnavalescos e iniciativas voltadas ao público LGBTI+ na capital baiana.

Em pronunciamento após a operação, Leo Kret disse que teve o nome associado a um contrato que, segundo ela, não possui sua assinatura. A ex-vereadora também criticou a divulgação do caso. “Por eu ser uma pessoa pública, muitas pessoas acabam dando a notícia de forma irresponsável para ter mais audiência. Querem arrastar meu nome na lama, como sempre”, declarou ao programa Alô Juca.

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