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Fernando Guerreiro defende teatros maiores e diz que setor precisa voltar a ser “objeto de desejo”

Presidente da Fundação Gregório de Matos, Fernando Guerreiro defende teatros maiores e políticas para preços populares

Por João Tramm.

O presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), Fernando Guerreiro, defendeu a criação e ampliação de teatros com maior capacidade de público em Salvador. Em entrevista à Antena 1, ele avaliou que a estrutura atual da cidade dificulta a sustentabilidade de grandes produções, já que há poucos espaços capazes de receber um número elevado de espectadores.

Na entrevista, Guerreiro ainda destacou a importância do Teatro Vila Velha, recém reinaugurado. O espaço, que foi inaugurado em 1964, retomou a programação cultural com mudanças estruturais. 

Segundo Fernando Guerreiro, Salvador conta com o Teatro Castro Alves (TCA), com cerca de 1,5 mil lugares, e a Concha Acústica, com capacidade para aproximadamente 5 mil pessoas, enquanto a maioria dos demais teatros possui estruturas menores.

“Você tem o Teatro Castro Alves ali com cerca de 1.500 lugares, você tem a Concha com 5.000 e os outros teatros geralmente são espaços menores, e aí às vezes a conta não fecha”, afirmou.

Fernando Guerreiro defende teatros maiores e diz que setor precisa voltar a ser “objeto de desejo”

Fernando Guerreiro destaca aumento do público nos teatros

Para o presidente da FGM, a procura por espetáculos teatrais tem crescido e demonstra que existe público disposto a consumir produções do segmento. Ele citou apresentações recentes que tiveram ingressos esgotados em Salvador.

“Hoje os teatros estão lotados. Fernanda Torres encheu quatro TCAs. Novos Baianos Musical ficou três semanas em cartaz no TCA lotado, isso é um fenômeno, nunca houve isso na Bahia”, disse.

Fernando Guerreiro também comparou o momento vivido pelo teatro com o cinema. Na avaliação dele, a experiência presencial é um dos fatores que ajudam a explicar a retomada do público nos palcos.

“O teatro voltou, o cinema não. Porque o cinema você pode ver em casa, verdade. O teatro não, você não vai chamar uma pessoa pra fazer uma peça na sua cara...”, afirmou.

Ingressos e sustentabilidade das produções

Outro ponto abordado por Fernando Guerreiro foi o preço dos ingressos. Ele avaliou que os valores cobrados pelo teatro não acompanharam outros custos ao longo dos anos e que isso contribuiu para a percepção de que assistir a uma peça é caro.

O presidente da FGM citou como exemplo a montagem de “Cafajestes”, realizada por ele em 1994. Segundo Guerreiro, o ingresso custava R$ 50 na época e, em uma comparação aproximada com os valores atuais, corresponderia a cerca de R$ 200.

“Veja como o ingresso de teatro foi ficando defasado e criou-se o hábito de dizer que é caro. Ninguém reclama da Fonte Nova, só o estacionamento ali é um absurdo”, afirmou.

Para ele, produções com forte apelo junto ao público conseguem demonstrar que existe disposição para pagar por experiências culturais. Ao Aratu On, o governador Jerônimo Rodrigues prometeu ingressos populares no retorno do TCA após os dois anos de reforma.

“Quando é bom, se compra. Torto Arado começou com R$ 120, abriu uma hora e tinha vendido todos os ingressos... o teatro na Bahia tem que voltar a ser objeto de desejo”, declarou.

Políticas de acesso e preços diferentes

Apesar da defesa de ingressos capazes de garantir a sustentabilidade financeira das produções, Fernando Guerreiro também destacou a importância de políticas que ampliem o acesso ao teatro.

“Tem que ter políticas de acesso, ou seja, ingressos a preços populares para uma parcela da população como é o TCA no 11 da manhã... mas também um ticket médio mais alto que sustente as produções”, afirmou.

Ele citou ainda a apresentação de Anitta em Salvador como exemplo dos custos envolvidos em grandes eventos. De acordo com Guerreiro, a artista vendeu todos os ingressos, mas a estrutura necessária para a realização do espetáculo fez com que a produção não alcançasse o equilíbrio financeiro esperado.

“Anitta veio para cá e não fechou a conta e vendeu tudo, porque é uma estrutura mega”, disse.

Assista à entrevista completa:

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