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Terremoto na Colômbia faz moradores reviverem trauma de tragédia de 1999

Terremoto registrado na manhã desta segunda-feira (10) deixa 164 mortos; buscas fazem moradores reviverem episódio de 1999

Por Rosana Bomfim.

Equipes de emergência continuam, nesta terça-feira (11), as buscas por sobreviventes entre os escombros após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10).  O tremor atingiu principalmente áreas do Eixo Cafeeiro, região que ainda carrega as marcas de um dos terremotos mais devastadores da história recente do país.

O número de mortos chegou a pelo menos 164, segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades.  O Itamaraty informou que, até o momento, não foram identificados brasileiros entre as pessoas mortas no terremoto.

Terremoto Na Colômbia

Terremoto na Colômbia  

O terremoto aconteceu por volta das 7h34 e foi sentido em diferentes regiões da Colômbia. Os maiores impactos foram registrados no Eixo Cafeeiro e em áreas do departamento de Chocó. Prédios foram danificados, estruturas desabaram e equipes de resgate foram mobilizadas para procurar pessoas que possam estar presas sob os escombros.

A situação também provocou preocupação entre moradores de cidades como Manizales, onde o tremor foi fortemente sentido. Muitas pessoas deixaram edifícios e permaneceram nas ruas diante do medo de novos abalos.

 

Terremoto registrado na manhã desta segunda-feira (10) deixa 164 mortos; buscas fazem moradores reviverem episódio de 1999. | Foto: Reprodução Agencia PI

 

Região revive trauma de 1999

O novo terremoto trouxe à memória dos moradores uma tragédia ocorrida há mais de duas décadas. Em 25 de janeiro de 1999, um terremoto de magnitude 6,1 Mw atingiu o Eixo Cafeeiro, com epicentro próximo ao município de Córdoba, no departamento de Quindío.

Segundo o Serviço Geológico Colombiano (SGC), o terremoto de 1999 deixou 1.185 mortos, 8.536 feridos e 731 desaparecidos. Armenia, capital do Quindío, foi a cidade mais atingida, com 921 mortes registradas.

O tremor ocorreu às 13h19 e teve aproximadamente 21,6 quilômetros de profundidade. A intensidade máxima registrada chegou a 9 na escala EMS-98.

Na época, o desastre provocou a destruição ou interdição de milhares de imóveis e afetou diretamente serviços públicos, escolas, hospitais e estabelecimentos comerciais.

Terremoto na Colômbia faz moradores reviverem trauma de tragédia de 1999. Foto: Reprodução La Patria

Réplicas agravaram situação em 1999

O terremoto de 1999 também foi seguido por uma série de réplicas. De acordo com o Serviço Geológico Colombiano, foram registradas 138 ocorrências durante o mês seguinte.

Uma das mais fortes aconteceu ainda no dia 25 de janeiro, às 17h40, com magnitude 5,5 Mw. O novo abalo provocou o desabamento de estruturas que já haviam sido danificadas pelo primeiro terremoto e aumentou os riscos para moradores e equipes de resgate.

A situação dificultou ainda mais o trabalho das equipes que procuravam vítimas e sobreviventes entre os escombros.

Milhares de imóveis foram afetados

O terremoto de 1999 provocou danos em dezenas de milhares de imóveis no Eixo Cafeeiro. Segundo levantamento técnico do SGC, 79.446 imóveis sofreram algum tipo de dano. Em Armenia, mais de 21 mil imóveis foram danificados ou destruídos.

A infraestrutura de educação também foi atingida. Dos 521 estabelecimentos de ensino existentes na região afetada, 27% ficaram inutilizados e outros 56% precisaram passar por reparações profundas. Cerca de 143 mil estudantes foram impactados.

Na área da saúde, oito dos 61 hospitais existentes na região sofreram danos considerados irreparáveis.

Vítimas do terremoto na Colômbia em 1999. Foto1: Reprodução  Getty Images

Tragédia provocou impacto econômico

Além das perdas humanas, o terremoto de 1999 provocou prejuízos econômicos de grandes proporções. A atividade cafeeira, uma das principais bases econômicas do Eixo Cafeeiro, foi afetada pelo desastre.

Segundo dados reunidos pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), as perdas econômicas chegaram a aproximadamente 2,7 trilhões de pesos colombianos, o equivalente a cerca de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) colombiano de 1998.

Diante da dimensão da tragédia, o governo colombiano declarou estado de emergência econômica, social e ecológica na região atingida.

Memória do desastre permanece

O terremoto de 1999 mudou a paisagem de cidades do Eixo Cafeeiro e deixou uma marca profunda na população. Décadas depois, o novo tremor fez moradores reviverem o medo provocado pelo antigo desastre.

A continuidade das buscas por sobreviventes e os relatos de pessoas deixando prédios às pressas reforçam a lembrança de uma região que já enfrentou uma grande emergência sísmica.

Enquanto as equipes de resgate trabalham entre os escombros para localizar possíveis sobreviventes, a Colômbia enfrenta novamente uma tragédia que remete a um dos episódios mais dolorosos de sua história recente

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