Alerta no litoral: quase 500 Peixes-Leão invasores são retirados do mar da Bahia; entenda ameaça
Com incentivo pago a pescadores na Costa do Descobrimento, captura recorde de espécie predadora e venenosa acende sinal de alerta para a biodiversidade marinha e o setor pesqueiro em toda a Bahia
Por Da redação.
A presença do temido peixe-leão na costa da Bahia deixou de ser um caso isolado e passou a exigir medidas urgentes de contenção. Em apenas um mês, quase 500 espécimes desse predador invasor foram retirados das águas do litoral de Porto Seguro, no sul do estado. A ação integra uma força-tarefa voltada para conter o avanço desenfreado da espécie e mapear sua distribuição pelo território marítimo baiano.

Para acelerar a retirada do animal da água, o município implementou o Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão, que paga um incentivo financeiro de R$ 10 por cada exemplar entregue pelos pescadores à Colônia de Pescadores local. Esse auxílio financeiro continuará ativo por mais um mês, período após o qual o valor pago por captura passará por uma redução gradual.
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Os espécimes recolhidos são repassados aos laboratórios da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Na instituição, pesquisadores realizam uma biometria detalhada — contando, pesando e medindo cada peixe —, além de conduzirem análises sobre genética, origem, dieta e comportamento adaptativo da espécie na região.
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Alerta para Salvador e o ecossistema marinho da Bahia
A proliferação do peixe-leão preocupa ambientalistas, a comunidade científica e o setor econômico de todo o estado. Nativo da região do Indo-Pacífico, o animal não possui predadores naturais nas águas brasileiras e ostenta uma alta taxa de reprodução. Sendo um predador voraz que se alimenta de peixes nativos e crustáceos, sua expansão descontrolada põe em risco o equilíbrio dos ecossistemas de recifes, a biodiversidade e o sustento de milhar de famílias que dependem da pesca artesanal e do ecoturismo na Bahia.
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Para a capital baiana e cidades com forte apelo marítimo, como Salvador e os municípios do entorno da Baía de Todos-os-Santos, a rápida expansão da espécie ao longo da costa acende um alerta preventivo. O desequilíbrio na cadeia alimentar marinha pode impactar a oferta de pescados e frutos do mar nos mercados locais, afetando desde a gastronomia típica soteropolitana até o comércio pesqueiro regional.
No Parque Marinho do Recife de Fora, uma importante área de preservação onde a atividade pesqueira é proibida por lei, o protocolo de contenção é diferenciado: a remoção do peixe-leão é executada exclusivamente por pesquisadores habilitados e equipes especializadas. Já nas demais áreas abertas do litoral, a cooperação dos pescadores tem sido fundamental para o mapeamento da praga.
Segundo a oceanógrafa Martina Rossato, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal de Porto Seguro, o pagamento por captura não representa uma solução definitiva para erradicar o peixe invasor, mas cumpre um papel fundamental no controle populacional inicial e no suporte à pesquisa científica.
Vale ressaltar que a espécie não costuma representar perigo direto ou imediato para banhistas nas praias, já que habita predominantemente recifes de corais, formações rochosas e ambientes submersos mais profundos. No entanto, o alerta de segurança permanece: os espinhos do peixe-leão são venenosos e causam dor intensa em caso de contato acidental, exigindo cuidado dobrado de mergulhadores e pescadores ao manusear o animal.

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