SÓ DEUS QUIS SER MENINO: ‘Ídolo maior de uma geração’, baixinho Romário completa hoje 50; Relembre sua carreira
SÓ DEUS QUIS SER MENINO: ‘Ídolo maior de uma geração’, baixinho Romário completa hoje 50; Relembre sua carreira
Se você tem hoje entre 28 e 35 anos, garanto, é bem possível que se emocione à simples menção do nome ‘Romário’. É uma equação fácil de supor pois se baseia em um fato marcante de infância, que à época o pouco repertório de mundo impossibilitava escalonar a real dimensão.
Ou posso ter escrito uma grande besteira. O nome ‘Romário’ talvez não lhe signifique nada mais que palavras triviais como ‘pão’, ‘manteiga’, ‘café’, ‘leite’, ditas num despertar de uma sexta-feira ensolarada (29/1) às vésperas do Carnaval baiano.
Para este que vos escreve, porém, saber que o baixinho completa hoje 50 anos é um fato digno de homenagem que dispensa o trivial em substituto ao completo banquete dedicado somente aos titãs ou deuses.
Quando Ele (caixa alta, por favor) tinha 28 — minha idade hoje — conquistou a Copa do Mundo de 1994. O time, comandando pela dupla Parreira-Zagallo, era pragmático, lento e retranqueiro. Os momentos de brilho ficavam por conta de um pequeno jogador que desafiava um país preso ao seu passado glorioso, a uma pecha de cachorro de pouca monta, esquecido no ano de 1970 ? até então ano da conquista do último título mundial.
Quando Baggio isolou a última cobrança na disputa que consagrou o tetra, Romário atingia seu ápice para renunciá-lo, com desdém, em seguida. Naquele ano conquistou o título de melhor jogador do mundo na Europa e regressou ao Brasil para jogar futevôlei, curtir o verão carioca e marcar uns golzinhos aqui e acolá contra zagueiros de fazenda em torneios meia-boca.
Esta renúncia, sem dúvida, comprometeu a avaliação que fazem hoje do Baixinho. Jogadores léguas de suas habilidades, que brilharam no Velho Continente anos depois, foram alçados a condição de craques sem merecimento. Sequer esmerilhariam as chuteiras (pretas, jamais coloridas) do camisa 11 do Brasil.
No ato de renúncia há sempre inegável grandiosidade. O teólogo Leonardo Boff sintetiza o ato de abdicar em uma frase de elaboração divina. ?Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser menino?.
Romanceio, não nego. Talvez Romário só quisesse mesmo curtir a vida após chegar ao estágio máximo alcançado por um atleta. Mas não sou traído pela memória de menino, em frente a uma Sharp de 20 polegadas, impressionado pelo pulo que Romário acaba de dar antecipando dois suecos ciclópicos.
E se seus mil gols são ?fake? um, apenas, me basta:
Já deputado, uma vez pude entrevistá-lo durante evento na Arena Fonte Nova. Aqui registro. Sou o de camisa verde, de cabeça baixa. Preferia ter feito esta entrevista com o jogador Romário. Não com o parlamentar. Mas enfim… Nem tudo pode ou deve ser exatamente como queremos. Romário ensinou isso.
Valeu, peixe!
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).


