Pais dos atletas baianos nas Olimpíadas revelam ao Aratu Online o que querem de presente
Pais dos atletas baianos nas Olimpíadas revelam ao Aratu Online o que querem de presente
“Ser pai é dividir as tarefas da família, é se preocupar para que não falte nada, é perder o sono para cuidar de um filho quando preciso, é educar para o bem. É amar incondicionalmente, é ensinar a perdoar, é se sentir feliz por ter uma família unida e batalhadora. E o que dizer de um filho atleta, atleta de alto rendimento? Nossa! É multiplicar por cem as tarefas, é ter de entender de tudo um pouco do universo esportivo, é renunciar a quase tudo para se dedicar a realização do sonho do filho, é se comprometer com cada coisa, cada detalhe da vida esportiva”.
A declaração citada anteriormente é de George Cunha, pai da nadadora baiana Ana Marcela Cunha, que nada amanhã (15/8), na praia de Copa Copacabana, a prova dos 10 km da Maratona Aquática feminina. Na data em que é celebrado o ‘Dia dos Pais’, o Aratu Online conversou com alguns dos patriarcas (oficiais e/ou oficiosos) de atletas baianos que compõem a delegação baiana nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.
Coincidência ou não… todos foram unânimes ao revelar o que esperam de presente nesta ocasião: uma medalha olímpica! Porém, caso ela não venha, não será sinônimo de desespero… ao contrário.

Seu George e a então pequenina Ana Marcela. A garotinha cresceu e hoje é a grande esperança feminina na Maratona Aquática
“Nesse dia dos pais, véspera da prova olímpica de minha filha Ana Marcela, já considero ter recebido meu maior presente antecipado! A felicidade de minha filha de estar representando o Brasil numa olimpíada em casa!”, diz enfaticamente George Cunha, que, ao lado da esposa Ana Patrícia, está no Rio de Janeiro e se disse bastante ansioso.
“Os dias que antecedem a prova de Ana Marcela temos dado conta de cada detalhe de tudo que foi planejado e executado nos últimos 4 anos, finalmente está chegando a hora de colher os frutos de tanta dedicação! Nessa reta final, há de se destacar o excelente trabalho da Psicóloga do Esporte – Carla de Pierro, que cuida não só da atleta Ana Marcela, mas a família e os demais profissionais da equipe multidisciplinar. Isso nos dá ainda mais tranquilidade para que ela chegue na segunda-feira (15/8) e coloque em prática tudo que treinou! Vai ser lindo ver Marcela brigar por uma medalha olímpica!”.
A afirmação é reverberada por seu Walmir Mamedio. Ele é o pai do também nadador da Maratona Aquática, Allan do Carmo. Aos 26 anos, o baiano, que fez parte da série Histórias Olímpicas do Aratu Online, vai disputar sua segunda Olimpíada. Ele ‘cai no mar’ somente na terça-feira (16/8), às 9h, na praia de Copacabana.

Quem não conhece seu Walmir Mamedio? Onde Allan do Carmo está, ele marca presença apoiando o filhote. Nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, não poderia ser diferente. Há dias está em solo carioca organizando a torcida para o baiano Allan.
“A ansiedade toma conta de toda família (mais de 10 pessoas formaram uma torcida organizada e estão no Rio de Janeiro apoiar Allan). Tenho fé que meu presente vai vir só na terça”, profetizou seu Walmir.
PAI ‘PUSTIÇO’
Dona Joceli Alves Vieira de Jesus espera que o seu presente não demore tanto. Desde a morte do esposo (Renilson de jesus) há 14 anos, ela assumiu o papel de ‘patriarca’ da família Jesus e garante cuidar com bastante zelo do filho, o pugilista Robenilson de Jesus. “Assumi a função de mãe e pai do Robenilson após a morte do pai dele. Foi uma batalha acumular as funções, mas graças a Deus deu certo”, disse Joceli, que não vê a hora de seu filho entrar em ação. Formado na academia Champion, no bairro da Cidade Nova, o pupilo do treinador Luiz Dórea sob novamente aos ringues neste domingo (14/8) às 12h15. O baiano, da categoria galo (até 56 kg), vai enfrentar o norte-americano Shakur Stevenson, em duelo válido pela oitava de final do torneio de boxe.

Dona Joceli tirou de letra os obstáculos da vida, acumulou o posto de ‘pai e mãe’ e formou o pugilista Robenilson de Jesus, que volta a lutar neste domingo.
“Mesmo à distância, estaremos aqui na torcida por ele. Tenho confiança, que ele dará seu melhor e, ao menos, uma medalha traga para mim de presente”, sorridente disse dona Joceli.
Quem também assume o papel de pai ‘pustiço’ e festeja a data neste domingo é o técnico Mário Augusto. Treinador do São Francisco do Conde, quatorze vezes campeão estadual de futebol feminino, ele é um dos principais responsáveis pelo sucesso da experiente Miraildes Mota, a Formiga. A meia de 38 anos participa no Rio de Janeiro de sua sexta Olimpíada. Ela veste a camisa da seleção brasileira desde que o futebol feminino foi incluído nos Jogos, em Atlanta-1996.

Técnico do São Francisco do Conde, Mário Augusto, assumiu o posto de pai ‘pustiço’ para centenas de garotas… não poderia ser diferente com a baiana Formiga, meia da seleção brasileira feminina
“É uma ‘filha’ sensacional. Nunca deixou para trás suas origens. Independente de qualquer resultado, se ganhará medalha ou não… ela já me deu o maior presente que foi difundir o futebol feminino mundo a fora. Tenho certeza que não só eu, mas os brasileiros, os esportistas em si, estão felizes por tudo que a Formiga já fez pelo esporte”, ressaltou Mário Augusto, amigo pessoal de Francisco Conceição Simões.
O taxista , de 55 anos, é o pai da lateral Fabiana. Dona da camisa número 2 da seleção, a jovem de 26 anos, nascida e criada no bairro de Periperi, já foi prata em Pequim/2008 e ouro no Pan de Toronto/2015.
“Agora, falta só a medalha de ouro. Mas independente de qualquer que seja o resultado, meu maior presente ela já me deu. O fato de ter: uma filha jogadora de futebol, na seleção brasileira, disputando uma Olimpíada… qual pai não teria orgulho disso? Sou agraciado por ter uma filha como a Fabiana”, ressaltou seu Francisco, que acompanhou, de perto, a filha nas duas primeiras partidas dos Jogos Olímpicos.

Por conta do trabalho, seu Francisco precisou retornar a Salvador. Antes, porém, foi dar um abraço na filha, a lateral direita Fabiana, que, infelizmente, se machucou na dramática vitória sobre a Austrália, na última sexta-feira (12/8).
“Estive lá com ela, na vitória diante da China (3×0), logo na estreia e depois, na goleada por 5 a 1 sobre a Suécia. Foi emocionante. Só voltei por conta do trabalho (risos). Não fosse isso, estaria com ela o tempo todo. Ela é meu tudo”, revelou Francisco, que assim com qualquer pai se ‘derrete’ pela filha.
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