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“MUITO BARULHO POR MUITO”: Paredões de som dominam cena cultural nas periferias de Salvador

“MUITO BARULHO POR MUITO”: Paredões de som dominam cena cultural nas periferias de Salvador

Por Da redação.

“MUITO BARULHO POR MUITO”: Paredões de som dominam cena cultural nas periferias de SalvadorDiogo Henrique

?#Sextooouuu, minha gente!? Essa é a hashtag utilizada pela galera para sinalizar que o final de semana chegou. Em uma cidade onde a música e seus diversos segmentos fazem parte da cultura não é difícil se deparar com novidades. Além de ser fábrica de talentos e vasto celeiro musical, Salvador consegue oferecer múltiplas possibilidades no quesito festas.

O mais recente fenômeno são os paredões de som. Neles, carros turbinados se encontram com tudo que há de mais moderno e potente em aparelhagem de som. O objetivo é proporcionar no mínimo oito horas de agito, dança, flertes, quebra de pudores e até mesmo revelações de talentos.

Os paredões de som, atualmente, são responsáveis pela diversão dos jovens entre 13 a 28 anos. Nas comunidades da capital baiana é comum a prática do som alto. É aí que acontece a famosa “partilha musical”, quando seu vizinho impõe o gosto dele e você é o obrigado a ouvir. No caso de paredão o jogo é ainda mais voraz. As pessoas escolhem estar ali, se organizam para tal, preparam a roupa que vão usar e também as coreografias – estas, em particular, são a alma do negócio.

Veja em vídeo como funciona os paredões de som em Salvador

No bairro de Cajazeiras, que fica no miolo de Salvador, a cerca de 20 quilômetros do Centro Histórico, a prática já virou negócio. Lá, os eventos são divulgados previamente e acontecem de forma privada com a cobrança de ingressos. Geralmente, as mulheres não pagam ingresso. É papel dos homens bancar todo o seu close durante a participação.

Elas, as novinhas, como são chamadas pelo dialeto do paredão, levam semanas preparando os passos com as amigas, pois se recusam a fazer feio na hora de “lacrar com as inimigas”. Os famosos shorts jeans justos, foram substituídos pelas ?shorcinhas?, (combinação de shorts com calcinha) que são mais curtos e oferecem a liberdade da menina dançar mais à vontade. Acompanhado dele está a famosa havaianas, e uma blusa que mostre a barriga. Essas são as normas de um look ideal levando os boys ao delírio.

Com quinze dias de planejamento, a divulgação do paredão começa a tomar corpo com escolha do local, playlist e definição de data. Por meio do Facebook e grupos de WhatsApp, os organizadores dos paredões convidam a galera para se reunir e fazer o movimento. Eles contam também com o famoso boca a boca.

VIA ZAP
E aí, novinhas!!! E aí, filhoooo… É sábado às 14 horas, atrás do Alphaville da Estrada do Coco, compartilha âe que a festa vai ser bagaceira. (Sucesso).

Chegando o dia do encontro a movimentação é iniciada e o aglomerado de gente começa a se formar. Neste caso, o local escolhido foi Cajazeiras 10, atrás no campo da Pronaica, depois da igreja católica.

Os carros chegam e com abertura da primeira mala o Carnaval é formado ao som da música ?Festa da Árvore? da banda La Fúria.

?É festa da árvore, tá? Só vai quem trepa…?

Neste momento, a euforia toma conta e as cenas a seguir são de puro lacre por parte das meninas e as gays, que dão o colorido na festa elevando a figura feminina…

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NEM TUDO É FESTA
Sônia é moradora do Bairro de Cajazeiras a mais de 30 anos e vende lanches na principal praça do bairro. Ela conta que os paredões chegaram aos poucos até se instalarem de vez.

?Antes nada disso acontecia aqui, a praça era mais calma. Esses carros foram chegando aos poucos e a cada fim de semana aparecem mais um?, afirmou a vendedora.

Sônia completa contando sobre algumas confusões que os paredões trouxe para o lugar. ?Às vezes, tem cada briga entre eles que é de assustar. Quando a polícia chega é o maior reboliço, todo mundo sai correndo é homem, mulher, criança, gato e cachorro?, finaliza Sônia contando tudo na maior euforia.

Já no bairro do Engenho Velho de Brotas as festas também acontecem aos finais de semana e não tem hora para acabar. Por lá, os encontros são feitos até mesmo nas ruas mais estreitas, onde apenas um carro é suficiente para bloquear o acesso.

Os eventos começam por volta das 20h e reúnem um público jovem, trajando roupas despojadas, como shorts, camisa básica e havaiana. A sofisticação fica por conta das bebidas, que na grande maioria são vodkas e whiskys caros, que depois de algumas horas são substituídos pelas cervejas.

O som alto, gargalhadas e brincadeiras não incomodam os moradores que aos poucos se juntam a ?bagunça? e começam a dançar ao som de bandas com La Fúria, Parangolé, Léo Santana e É o Tchan.

Romério Moreira, de 23 anos, é estudante de administração e morador do bairro de Brotas. Ele revela como começou a frequentar os paredões e diz que apesar do preconceito em torno do tema, os encontros de som são pura diversão.

“A primeira oportunidade que eu tive de ir em um paredão foi durante uma viagem que fiz pra ilha, no ano passado. Foi um experiência muita boa, e por isso continuo indo”, disse.

SUCOM
Através da assessoria, a Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) informou que apesar de não ter um dado específico sobre os paredões de som, tem recebido denúncias de casos de uso indevido dos sons de automóveis. De acordo com a Sucom, as maiores ocorrências acontecem nos finais de semana, no bairro da Boca do Rio.

Ainda segundo o órgão, atualmente, os limites para volume de som é: Das 7h às 22h 70 decibéis, e das 22h às 7h 60 decibéis. A fiscalização acontece todos os dias e as denúncias podem ser feitas  pelo Fala Salvador no número 156.

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

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