TRIBUNAL DO CRIME: Poder paralelo define julgamento e mortes de “X-9” em Salvador
TRIBUNAL DO CRIME: Poder paralelo define julgamento e mortes de “X-9” em Salvador
Por Da redação.
Humberto, Antônio, Gilmar e Osvaldo. Esses são nomes comuns, mas que engrossam uma estatística preocupante que se instalou em Salvador entre junho e julho: os tribunais do crime. Eles julgam, condenam e executam. Os quatro foram assassinados por traficantes que viam nas vítimas “problemas” para seus “negócios”.
Coincidentemente ou não, três casos aconteceram no complexo do Nordeste de Amaralina – que engloba o Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e Chapada do Rio Vermelho. A primeira condenação no período de um mês foi contra Humberto Carlos Cerqueira Santos, o “Seu Bigode”, 71 anos.
Era início da noite do dia 18 de junho quando ele foi surpreendido por vários homens, que atiraram sem piedade. Vizinhos contaram que o idoso não permitia que os traficantes vendessem drogas perto do seu pequeno bar, localizado na Vila Indiana. Isso teria sido o motivo da brutalidade.
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Menos de 30 dias depois, mais dois homicídios e uma tentativa com o teor parecido na mesma região. Antônio Carlos Batista, de 74 anos, e Gilmar Maia Costa, 38, estavam na lista do tribunal do mal e foram “eliminados” na mesma data, 15 de julho. Testemunhas que acionaram a Polícia Militar disseram que Antônio era considerado “X-9” pelos traficantes. A nomenclatura é dada à pessoa que passa informações dos bandidos para a polícia.
Seu Antônio conversava com o ex-PM Eduardo Capistrano dos Santos por volta das 16h, na Chapada do Rio Vermelho, quando foi baleado e morreu. Capistrano, demitido em 2008 do Batalhão de Choque após ser condenado pela Justiça comum por homicídio, só não se tornou vítima fatal porque um dos tiros acertou seu ombro.
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Três horas mais tarde, Gilmar também foi morto. O segurança passava pelo Vale das Pedrinhas quando foi executado à queima roupa. Exatos dois meses antes antes, o homem impediu um assalto no supermercado Extra, localizado na Avenida Vasco da Gama. Isso teria sido o motivo do assassinato.
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Imagem da casa onde ocorreu o assassinato em São Caetano
Entre 18 de junho (data da morte de “Seu Bigode”) e 18 de julho, o complexo do Nordeste de Amaralina registrou ainda outros quatro assassinatos. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga todos eles.
MAIS VIOLÊNCIA
No intervalo de tempo entre as atrocidades contra Humberto, Antônio e Gilmar, outro homem foi vítima do tribunal, em 13 de julho. O rodoviário Osvaldo Mathias da Conceição Filho, de 55 anos, passava pela Rua Geolândia, bairro de Campinas de Pirajá, quando foi morto por vários homens. O crime aconteceu bem cedo, às 5h.
Cotidianamente, ele ia de motocicleta à localidade para pegar seu almoço. O vizinho dele, identificado como Wellington, o “Porquinho”, sabia de todos os passos do motorista e passou as coordenadas para seus comparsas, integrantes de uma quadrilha que atua na região.
Poucas horas depois da ação, “Porquinho” foi preso. O titular da 4ª Delegacia Territorial (DT/São Caetano), Nilton Tormes, informou que a quadrilha do suspeito achava que Osvaldo era “X-9”. Já os demais acusados, Heric Lenne Batista de Matos Mendes e Adailton da Silva Souza, foram localizados nesta quarta-feira (26/7).
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