Trans acusa PSOL de preconceito: “Saí e Ciro me estendeu o tapete vermelho”
Trans acusa PSOL de preconceito: “Saí e Ciro me estendeu o tapete vermelho”
Por Da redação.
Ex-candidata ao senado por Minas Gerais, Duda Salabert abandonou o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) nesta segunda-feira (22/4). Ela alega que o partido investiu menos em sua campanha e na de outras pessoas trans, em comparação ao gasto com outros candidatos ao mesmo cargo.
A professora, que é transexual, recebeu 351.874 votos nas eleições de 2018, mais do que o candidato à presidência de república Guilherme Boulos (PSOL), que foi escolhido por 50.587 mineiros, e que o deputado federal Aécio Neves (PSDB), eleito com 106.702 dos votos.
A insatisfação pela diferença no orçamento das campanhas acompanhava Duda desde as eleições, mas foi a expulsão da militante Indianara Siqueira do PSOL que a fez decidir pela desfiliação. A professora afirma, ainda, que sete partidos já demonstraram interesse em sua filiação e que o ex-candidato à presidência Ciro Gomes disse que “o PDT já estendeu [a ela] o tapete vermelho”.
“Achei muito carinhoso. Fico feliz que tantos partidos se interessem pela causa transexual. O PSOL não quis dar a mesma importância dada a outros candidatos à candidatura de uma mulher trans. O Ciro demonstrou interesse, mas quero analisar com cuidado a proposta de cada um. Além do PDT, fui sondada pelo PT, PV, Patriotas, Rede, Cidadania e PSB”, contou.
A campanha de Duda custou R$ 15.690, segundo ela, valor fornecido pelo diretório nacional do partido. “Descobri que, para outras candidaturas, o valor disponibilizado pelo PSOL foi até dez vezes maior. Naquele momento, já percebi que o partido era transfóbico em sua estrutura”, disse. Ela afirma que, após as eleições, não foi chamada nem uma vez sequer para reuniões ou encontros da legenda. “Eles me isolaram”, relatou Duda.
Duda afirma que pretende usar esse tempo para cuidar dos projetos sociais que criou em Belo Horizonte. Na política, sua próxima meta é se candidatar à prefeitura da capital mineira, em 2020. “Recebi 112 mil votos só em Belo Horizonte. Tenho certeza de que farei um bom trabalho lá”, diz.
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