TRAGÉDIA NO MAR: Marinha e Polícia Civil trabalham para buscar possíveis culpados
TRAGÉDIA NO MAR: Marinha e Polícia Civil trabalham para buscar possíveis culpados
Duas investigações paralelas apuram causas e os possíveis culpados pela tragédia que deixou pelo menos 19 pessoas mortas na Baía de Todos-os-Santos. Os inquéritos estão sendo elaborados pela Polícia Civil, que investiga se houve algum crime, e Marinha, responsável por apurar o acidente no âmbito administrativo.
“Caso eu chegue à conclusão, por meio das perícias, que houve culpados pela situação, cabe encaminhar tudo para o Ministério Público. É o órgão que pode levar o inquérito para à Justiça”, conta o titular da 24ª Delegacia Territorial (DT/Vera Cruz), Ricardo Amorim. Ainda de acordo com ele, as perícias comandadas pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) são fundamentais para a finalização dos trabalhos. O prazo médio para conclusão é de 30 dias.

Lancha Cavalo Marinho transportava 124 pessoas. Foto: Divulgação/SSP
O delegado pontua ainda que o dono da empresa CL Transportes, responsável pela Cavalo Marinho I, embarcação envolvida na tragédia, assim como o comandante e passageiros que sobreviveram já foram ouvidos. Pelas contas de Ricardo Amorim, 80 pessoas envolvidas diretamente no acidente já prestaram seus depoimentos.
Por outro lado, a Marinha diz que está fazendo um relatório para apresentar ao Tribunal Marítimo. Isso quer dizer que, caso fique constatado alguma irregularidade, a empresa pode sofrer alguma sanção. Os detalhes das investigações, que tem 90 dias para ficarem prontos, não foram informados pela assessoria do órgão.
A Marinha, no entanto, não tem poder para criminalizar nenhuma das partes envolvidas. Traduzindo: o processo feito pelo braço das Forças Armadas Brasileiras não levará ninguém à prisão, mas pode causar punições no âmbito administrativo.
A CL, empresa responsável pela embarcação, se pronunciou por meio de nota nesta segunda-feira (28/8). No texto, os responsáveis se defendem e dizem que a lancha estava em plenas condições de navegabilidade. A companhia pontuou ainda que está prestando apoio às vítimas e seus familiares e que custeou as despesas funerárias dos 19 mortos. Um número foi disponibilizado para ressarcir aqueles que ainda não procuraram o grupo: (71) 99935-2659.
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TRAGÉDIA
Era início da manhã de quinta-feira (24/8) quando o barco que levava 124 pessoas naufragou poucos minutos depois de deixar o terminal de Mar Grande. Desde as primeiras horas daquele dia, vieram à tona questionamentos sobre a travessia realizada por meio das lanchas. Questões como segurança, fiscalização e qualidade dos barcos foram levantadas.
Morreram naquela oportunidade: Davi Gabriel Monteiro Coutinho, 6 meses; Darlan Queiroz Reis Julião, 2 anos; Dulciana dos Santos Queiroz, 38; Dulcelina Machado dos Santos, 59; Laís Pita Trindade, 20; Taís Medeiros Ramos de Sales, 32; Thiago Henrique de Melo Muniz Barreto, 35; Antônio de Jesus Souza, 67; Ivanilde Gomes da Silva, 70; Isnaildes de Oliveira, 48; Lucas Medeiros Leão, 2; Rita dos Santos, 54; Rosemeire Novaes Carneiro da Costa, 40; Edileuza Reis Conceição, 53; Lindinalva Moreira da Silva, 50; Edilene Oliveira dos Santos, 43; Sandra Lima dos Santos, 40; Alessandra Bonfim dos Santos, 36 e Salvador Souza Santos, de 68 anos.
Ainda naquela manhã fatídica, a Marinha informou que 23 pessoas teriam morrido. No final da tarde, corrigiu o número para 18, que só seria aumentado neste domingo (27/8), com a localização do corpo de Salvador Souza.

Corpo de Salvador foi o 19º a ser localizado, três dias depois do acidente. Foto: Arquivo pessoal
*Publicada originalmente às 7h07
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