Secretaria de Saúde aponta possui 141 casos notificados de microcefalia em Salvador
Secretaria de Saúde aponta possui 141 casos notificados de microcefalia em Salvador
Por Da redação.
No Estado da Bahia, até o dia 19 de dezembro de 2015, foram notificados 271 casos suspeitos de microcefalia com perímetro cefálico menor ou igual a 32 centímetros. Os casos ocorreram em 62 municípios, tendo Salvador registrado 141 casos. Dentre os 271 casos, foram notificados dez óbitos nos municípios de Salvador Itapetinga (1), Olindina (1), Tanhaçu (1), Camaçari (1) e Itabuna (1), Campo Formoso (1), Alagoinhas (1) e Crisópolis (1). Todos os casos estão em investigação.
Na semana passada o governador Rui Costa e o secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, se reuniram com os prefeitos dos municípios com maior incidência de zika, chikungunya e dengue para apresentar a campanha estadual e alinhar o fluxo de atendimento dos pacientes.
O Centro de Operações de Emergências em Saúde do Governo da Bahia já funciona há 15 dias e tem como objetivo atender às necessidades de produção e atualização de informações sobre o quadro epidemiológico baiano e estabelecimento das medidas de vigilância, controle e atenção. A iniciava é coordenada pela Sesab, responsável pelo envio de equipes para auxiliar os municípios na investigação em campo, clínica e laboratorial, bem como o estabelecimento de um plano para controle das microcefalias e redução dos agravos.
No que se refere aos casos notificados de microcefalia, cabe ressaltar que a suspeita e registro oportuno são fundamentais para desencadear o processo de investigação, visando à identificação das prováveis causas, assim como o acompanhamento da evolução destes casos. Dessa forma, todos os casos identificados de microcefalia que se enquadram na definição do Ministério da Saúde, devem ser comunicados imediatamente (até 24h) pela equipe do estabelecimento de saúde onde foi realizado diagnóstico, por meio do formulário de notificação e ocorrência de microcefalia disponível no endereço www.resp.saude.gov.br.
Diversas ações de pesquisa e desenvolvimento tecnológico estão em curso pelo Governo do Estado para combater o Aedes aegypti. Dentre elas, destaque para o teste rápido para dengue e chikungunya, o caça mosquito, mosquito transgênico, bacillus thuringiensis, wolbachia e repelente com nanotecnologia.
Um terço dos 30 bebês com microcefalia examinados no mutirão do HGRS apresentaram alterações visuais
Dos 30 bebês com microcefalia atendidos no mutirão para exame oftalmológico realizado nesta segunda-feira (21) no Hospital Geral Roberto Santos, dez apresentaram alterações no fundo de olho. A informação é do médico oftalmologista Bruno de Paula Freitas, especialista em retina. Em todos os 30 casos, há suspeita de contaminação das mães pelo zika vírus durante a gestação. Os bebês passaram por exames em um equipamento chamado RETCAM, cedido para o mutirão pela Unifesp ? Universidade Federal de São Paulo. O secretário da Saúde, Fábio Vilas Boas, e o subsecretário, Roberto Badaró, foram conferir os trabalhos de perto.
Uma possível ação do zika vírus provocando alterações que podem prejudicar a visão dos bebês ainda está no campo da suspeita, como ressaltam Bruno Freitas e o professor Rubens Belfort Jr., da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e um dos oftalmologistas mais conceituados no Brasil e no mundo. ?Estamos aprendendo juntos. Tudo ainda é muito novo, há poucas semanas nem se cogitava uma ligação entre o zika vírus e o número grande de crianças com microcefalia, isso talvez seja um enorme problema para o Brasil no futuro?, destaca o professor.
O fato de muitas dessas crianças nascidas com microcefalia apresentarem alterações também nos olhos é um fato mais novo e desconhecido ainda. ?Nossa cooperação com a Bahia é no sentido de estudarmos isso, como também fazemos em Pernambuco. Estamos colhendo dados porque, infelizmente, esperamos que isso vá acontecer em outras regiões do Brasil?, afirma Rubens Belfort Jr., enfatizando a única ferramenta que se tem para enfrentar o problema: a prevenção, com o combate constante ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti. ?Em nenhum lugar do mundo existe tratamento, e vai demorar para existir?, salientou.
O risco de alterações no fundo de olho dos bebês, causando lesões capazes de afetar a visão, está presente na ocorrência de diversas doenças infecciosas contraídas pelas mães, como sífilis, herpes, toxoplasmose, entre outras que afetam o sistema nervoso central. Como o zika vírus age também sobre o sistema nervoso, e a retina é composta do mesmo tecido, acontece o risco de haver lesões. Em seis casos estudados anteriormente, três pacientes apresentaram alterações do fundo de olho, relata Bruno de Paula Freitas, o que o levou a promover o mutirão, do qual participaram médicos oftalmologistas não só do HGRS, mas de diversas instituições.
Mudança de vida
O mutirão, voltado exclusivamente para pacientes com microcefalia começou às 7 horas da manhã no Ambulatório de Oftalmologia, que fica no Ambulatório de Multiespecialidades do Hospital Roberto Santos. O atendimento, totalmente gratuito, estendeu-se até às 17 horas, com o exame oftalmológico e orientação de acompanhamento, bem como exames complementares para melhor documentação dos achados. Entre eles, a coleta de dados e de material das mães e dos bebês para exame laboratorial na Fiocruz.
?Não existe nada na literatura médica, tudo ainda é muito novo. Mas, nos casos estudados, quando fizemos avaliação do fundo de olho com exame de oftalmoscopia, ou mapeamento de retina, detectamos alterações atingindo o nervo ótico. Em contato com outros colegas, eles disseram já ter observado isso?, explica Bruno de Paula Freitas.
A ocorrência da microcefalia (malformação da cabeça e cérebro, pequenos em relação ao de bebês da mesma idade e sexo) modificou inteiramente a vida do casal Luciano Bertolussi e Suzana Ribeiro Santana Bertolussi. Comerciária, 33 anos, Suzana deixou de trabalhar desde que a filha, Ana Laura, nasceu no dia 30 de setembro.
O parto aconteceu no Hospital Roberto Santos e a menina ficou por 30 dias na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo), semi-UTI. ?Dizem que um filho muda a vida da gente. No nosso caso, mudou tudo, inclusive mudamos de cidade?, conta Suzana. O casal, que morava em Paulo Afonso, já se transferiu para Salvador, para acompanhar melhor o caso da filha.
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