RISCO: São Caetano, Brotas, Paralela e ACM estão no topo em assalto a ônibus, diz estudo
RISCO: São Caetano, Brotas, Paralela e ACM estão no topo em assalto a ônibus, diz estudo
Casal troca tiros com a polícia durante tentativa de assalto a ônibus na Avenida San Martin. Homem morre durante assalto a micro-ônibus na Fazenda Grande do Retiro. Notícias como essas compõem o mosaico urbano da cidade de Salvador. São parte de uma triste rotina que gera medo, tensão, insegurança.
O transporte público da capital, que deveria funcionar como válvula de escape em favor da fluidez do trânsito na cidade, acaba assumindo o posto de única alternativa para aqueles que não têm condições de comprar um carro, ou uma moto, por exemplo.
Tendo como pano de fundo a realidade do transporte público em Salvador, a geógrafa Daiane Castro Bittencourt apresentou como tese de mestrado o trabalho Avaliação Espacial de Ocorrências de Roubo em Transporte Coletivo Urbano por Ônibus, tendo como base as ocorrências de 2013 e 2014.
Para entender um pouco mais sobre essa análise e quais as alternativas para melhorar esse quadro, o Aratu Online conversou com o doutor e arquiteto Juan Pedro Moreno Delgado, coordenador do Centro de Estudos de Transportes e Meio Ambiente- (CETRAMA), vinculado à Universidade Federal da Bahia, e orientador do trabalho. Confira:

Engenheiro e arquiteto Juan Delgado desenvolveu um estudo sobre assaltos a ônibus em Salvador – Reprodução Youtube
Aratu Online: Durante os estudos, foi possível identificar um padrão nas ocorrências de assalto a ônibus em Salvador?
Juan Delgado: Sim. Notamos que fatores como: locais com maior frequência de ônibus; que apresentam como característica a aglomeração de pessoas; que tenham rotas de fuga próximas; com ausência de policiamento e, por fim, próximos a pontos de tráficos de drogas, têm forte relevância. Quando esses cinco fatores se sobrepõem ou se combinam, criam condições propícias para a realização de assaltos.
AO: Quais os locais da cidade nos quais os assaltos a ônibus em Salvador ocorrem com mais frequência?
JD: As principais áreas são: São Caetano, a região compreendida entre Bom Juá e Pirajá, a região de Brotas (nas proximidades da Fonte Nova), Avenida Paralela e Avenida Antônio Carlos Magalhães, na área que fica próxima ao bairro do Itaigara.
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AO: Em sua opinião, como esse estudo pode contribuir para a implementação de políticas públicas mais eficazes em Salvador?
JD: Com o sistema de base de dados que foi criado. Com ele, podemos saber mais não só sobre os números, mas também sobre as causas dos problemas. É possível consultar esse banco de dados e, a partir dele, entender como atacar o problema. É possível ainda criar políticas públicas integradas. Não é só a questão do policiamento que resolve. O problema tem relação com a pobreza, tráfico de drogas, geografia da cidade. Não basta apenas olhar para a segurança, se a raiz da questão permanece na cidade.
E um dos pontos mais grave disso, é a pessoa deixar de usar o ônibus, o que interfere diretamente no trânsito e na cidade, que se tornam insustentáveis.
AO: Existem medidas imediatas que possam melhorar esse quadro?
JD: No curto prazo, é possível imprimir o mapa (com os dados sobre ocorrências na capital) e atacar os pontos críticos. Eu posso analisar onde o fato está acontecendo e atuar diretamente ali. Você pode utilizar o conhecimento científico para agir.
AO: Analisando o quadro atual, é possível imaginar, no médio prazo, um transporte público mais seguro e um trânsito mais fluído em Salvador?
JD: É possível sim e o primeiro desafio é termos uma rede integrada de transporte. É preciso unir as políticas municipal e metropolitana: metrô, BRT, vias para ciclistas e calçadas para pedestres…este é um ponto muito importante, investimento para pedestres e ciclistas. Só a infraestrutura não garante isso. O que garante são as políticas públicas integradas.
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