POR TRÁS DO POKÉMON GO: Usuários abrem mão de privacidade e dão acesso a informações pessoais
POR TRÁS DO POKÉMON GO: Usuários abrem mão de privacidade e dão acesso a informações pessoais
Febre no universo digital e nova mania dos proprietários de dispositivos móveis ao redor do mundo, o jogo Pokémon GO desembarcou em terras brasileiras no último dia 03 de agosto. Desde então, vários usuários correram para ?baixar? o aplicativo e iniciar à caça aos bichinhos virtuais.
O que muitos não sabem é que essas ferramentas podem funcionar como uma verdadeira porta de entrada para as empresas, que passam a ter acesso livre às informações que você armazena. É o que esclarece o professor universitário e consultor na área de comunicação, Marcelo Chamusca:
?Em geral, todos os seus dados podem ser acessados, assim como os locais que você frequenta. No caso do Pokémon GO é pior ainda, já que o usuário utiliza a câmera dos dispositivos, ou seja, até a sua casa pode ser mapeada. Em resumo, abre-se mão de toda e qualquer privacidade?.
Em um mundo capitalista, é de se estranhar que serviços sejam oferecidos de forma gratuita. O nível de ?invasão? varia de acordo com cada aplicativo, mas, como bem define Chamusca, ? há sempre uma estratégia por trás disso?.
E depois de ler os termos do acordo e aceitá-los, não adianta mais chorar pelo leite derramado. Segundo a advogada especialista em direito digital, Ana Paula Moraes, ?a partir do momento que você concorda, se tiver os dados vazados, não poderá reclamar ou processar a empresa responsável?.
Ana Paula identifica pelo menos dois problemas, que classifica como graves, no caso do Pokémon GO. O primeiro deles é que o jogo só exige a autorização dos pais e responsáveis em casos de menores de 13 anos, em uma ?clara violação da legislação brasileira e do Estatuto da Criança e do Adolescente?.
A advogada diz ainda que a novidade, cuja lógica de acesso aos dados é a mesma usada pelo Facebook e Google, faz com que a Niantic, empresa responsável, possa chegar até à raiz do seu aparelho.
?Eles te obrigam a liberar tudo, inclusive coisas que não seriam necessárias para o funcionamento do jogo, ou você não consegue finalizar o processo. Podem, por exemplo, acessar fotos e vídeos, inclusive de terceiros, que tenham sido enviados pelo whatsapp?.
E o que é feito com esses dados? Por que eles são tão importantes no mundo digital? Chamusca explica que informação e conhecimento sempre funcionaram como uma espécie de mola do mercado. ?Esses dispositivos dão a possibilidade de uma informação aprofundada e isso, obviamente, vale muito?.
Se você ainda não entendeu, seu conteúdo pessoal, de formas variadas, é transformado em dinheiro por estas companhias. ?Elas têm a possibilidade de saber o que você fez, onde fez, com quem fez e como fez. Assim, vão criando um banco de dados, estabelecendo padrões de comportamento e consumo?.
Trazendo para a prática, de posse do seu ?manual de conduta?, as empresas criam uma espécie de customização do ambiente digital, mostrando nas páginas que você acessa, redes que frequenta, informações e produtos que, comprovadamente, são de seu interesse ou, por exemplo, utilizando aquilo que você já demonstrou te atrair para investir em negócios no chamado mundo real.
Por isso, ao instalar o jogo e sair à caça de pokémons pelas ruas da cidade, tenha sempre em mente: o caçado está sendo você. Pior, será capturado sem que se dê conta do que está acontecendo e, neste caso, não há prêmios ou bônus para quem passar de fase.
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