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POR TRÁS DA MAQUIAGEM: Como é a vida real das Drag Queens que se apresentam em Salvador

POR TRÁS DA MAQUIAGEM: Como é a vida real das Drag Queens que se apresentam em Salvador

Por Da redação.

POR TRÁS DA MAQUIAGEM: Como é a vida real das Drag Queens que se apresentam em SalvadorDrag queen Mitta Lux durante apresentação em Salvador. Crédito: João Bertonie

?Como é que está lá embaixo??, pergunta Jean Carlos Macedo, 27 anos, a uma funcionária da Creperia LaBouche, na Barra. Com o rosto já maquiado, basta apenas a peruca e o vestido para que ele se transforme em Mitta Lux, uma mulher de cabelos volumosos e grandes proporções. Sua apresentação está marcada para às 21h, mas já são 22h30 e o show ainda não começou. ?O espaço é pequeno, mas às vezes demora para encher?, explica. Há nove anos trabalhando como drag queen, performance artística na qual homens se travestem para entreter, Jean Carlos está acostumado a se apresentar em palcos pequenos.

Quando conheceu Salvador, no Carnaval de 2009, o brasiliense resolveu abandonar a cidade natal e se instalar em terras baianas. Foi logo adotado por Rainha Loulou, conhecida como Luiz Santana, 37, em situações mais formais, que passou a ajudá-la com suas montações, isto é, com as perucas, maquiagens e vestimentas. ?Sou madrinha de um monte de meninas porque acho importante colaborar com a renovação da cena artística?, diz Luiz, com mais de 15 anos de performances.

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Drag queen Kaysha Kutnner

Como Jean Carlos e sua Mitta Lux, Luiz também sofre com a falta de estrutura dos espaços culturais da cidade para levar sua Rainha Loulou. ?Temos pouquíssimos bares e boates que são abertos para apresentações de drag queens?, afirma. Considerada uma das madrinhas da arte drag em Salvador, a Rainha Loulou lamenta que é pouco provável que seja possível viver do transformismo na cidade.

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Não à toa, o artista que dá vida à Loulou trabalha também como figurinista e maquiador cênico. ?O que se ganha de cachê não dá para comprar uma peruca?, relata. Jean Carlos concorda.Segundo ele, cada peruca que sua personagem ostenta custa entre 200 a 500 reais. ?É o Jean que sustenta a Mitta, não o contrário?, confessa o artista, que atua como maquiador freelancer em eventos como casamentos e festas de formatura.

RESISTÊNCIA

Quase oculto entre os prédios da Rua Carlos Gomes, no centro da cidade, o bar Âncora do Marujo é conhecido como o núcleo do transformismo soteropolitano. O palco é ainda menor do que o da Creperia LaBouche, mas é dos mais reverenciados pelas artistas drags de Salvador. ?Praticamente todas as drag queens da cidade nasceram lá?, afirma Henrique Cabral, 28, que dá vida à Kaysha Kutnner, cuja essência é de uma ?diva negra americana?.

Kaysha nasceu no Âncora há oito anos e, desde então, se dedica aos palcos e aos concursos de beleza. Ganhou o Miss Salvador Gay, em 2015, e o Rainha da Beleza, em 2016, e volta e meia retorna ao bar da Carlos Gomes para se apresentar. Dublando artistas como Whitney Houston, Ellen Oléria e Shangela Laquifa, famosa drag queen americana, já chegou a fazer show das dez da noite às quatro da manhã do dia seguinte. ?Pela arte sempre vale a pena?, opina, ao explicar o que o leva a performar à noite, depois de trabalhar em um call center durante o dia.

Drag queen Mila Bahia se apresentando no Rainha Loulou. Imagem: Reprodução/Andréa Magnoni

?Mesmo carentes de estrutura, temos uma cena ampla que nos prepara para crescermos como profissionais?, comenta o estudante de gastronomia Michael Cardoso, 26, que há pouco mais de um ano encarna a Desirée Beck. Um dos artistas drags com menor tempo de estrada da cidade, Michael tem no Âncora um palco fixo e desafiador. ?Em outros lugares, as drags preparam um único número. Aqui, a cena quer artistas que segurem uma plateia por mais de duas horas com muita criatividade?, explica.

O Âncora do Marujo ganhou um documentário homônimo sobre sua história em 2013. ?Hoje abre um lugar aqui, amanhã fecha, depois abre outro e fecha de novo? Enquanto isso, o Âncora continua?, afirma Henrique. Nos últimos anos, apenas lugares como a Boate Tropical, na Gamboa de Cima, e eventos esporádicos no Teatro Gregório de Mattos, na Praça Castro Alves, têm servido de palco para drag queens. Com exceção das segundas-feiras, o bar da Carlos Gomes tem apresentação a partir das 23h, pelo preço de R$5.

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