Rejeitadas no processo de adoção, crianças com deficiência são acolhidas em abrigo de Salvador
Rejeitadas no processo de adoção, crianças com deficiência são acolhidas em abrigo de Salvador
Por Da redação.
Há 30 anos um olhar direcionado àqueles que foram rejeitados e esquecidos foi o suficiente pra fazer surgir o abrigo Lar Valorização Individual do Deficiente Anônimo — mais conhecido como ‘Lar Vida’, fundado por Maria Cristina Caldas, hoje com 70 anos. O local fica na Estrada Velha do Aeroporto, longe do centro comercial de Salvador.
Mãe de dois filhos biológicos, Cristina resolveu aceitar a missão que parece ter lhe sido predestinada. Hoje, ela é mãe também de mais 113 filhos mais do que especiais. ?Amamos muito ela?, derrete-se Luana Bahia, 29 anos, deficiente mental que mora no abrigo desde muito pequena.
?Cuidar de pessoas deficientes não é fácil. É necessário muita dedicação, tempo e disposição. A gente abre mão de muita coisa, mas é recompensador quando vemos a evolução e a felicidade deles?, diz a presidente Cristina Caldas.
No Lar Vida moram jovens e adultos com idades que variam entre três e 43 anos. Além de uma estrutura física marcada pelo clima bucólico, a instituição tem voluntários que auxiliam diariamente no desenvolvimento físico e psíquico dos moradores do abrigo. Psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, enfermeiros e fisioterapeutas fazem parte do corpo técnico da casa.
A instituição é mantida por um convênio da União, Estado e Prefeitura. Mas os valores são baixos. Cada criança acolhida tem disponível R$ 400.
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O local surgiu com o intuito de acolher pessoas têm alguma deficiência. O objetivo é amenizar a dor daqueles que, além da condição em que nasceram, ainda tiveram que lidar com o abandono familiar.
ADOÇÃO
O Lar Vida é um dos dois únicos abrigos destinados, especificamente, a acolher deficientes em Salvador. No total, a cidade possui outras 17 instituições de acolhimento vinculadas à 1ª Vara da Infância e Juventude.
No total, a capital baiana possui mais de 300 crianças e adolescentes nestes abrigos à espera da adoção. No entanto, destas, apenas 51 podem ser adotadas no momento. E, num universo ainda mais restrito, somente 16 são deficientes. As informações são da Vara da Infância de Salvador.
?Nem todas as crianças abrigadas estão disponíveis para adoção porque, no primeiro momento, a criança é acompanhada e o juiz responsável pelo caso tenta reinseri-la no seio familiar, seja com os pais biológicos ou algum parente?, explicou Sílvia Gonçalves, coordenadora do setor de adoção da comarca de Salvador.
?Em último caso, se a criança não conseguir ser reintegrada à família, ela poderá ser então disponibilizada para adoção?, completou.
No ano de 2014, a então presidente em exercício Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei 12.955 que estabelece prioridade de tramitação aos processos de adoção em que a criança ou o adolescente tenha deficiência ou doença crônica. No entanto, isso não significa flexibilizar o procedimento e/ou ultrapassar etapas, já que o método de adoção é o mesmo para todos.
“A intenção da lei é acelerar o andamento dos processos nos quais o adotado se encontre em uma dessas condições. Por isso nós tentamos o mais rápido possível disponibilizar a criança para famílias substitutas que aceitem pessoas com este perfil”, afirmou a coordenadora Silvia Gonçalves.
Apesar de reconhecer a luta diária de cuidar das suas centenas de filhos, Cristina Caldas confessa que não vive os dias pensando na adoção dos moradores do Lar Vida. ?Aqui a gente vive um dia de cada vez. Se algum deles for adotado, ficaremos felizes por ele. Mas não vivemos em função da adoção e eu não vejo problema em cuidar de todos até ficarem velhinhos?, disse.
Se quiser ajudar a instituição, basta acessar o portal Lar Vida.
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