NO CAMINHO: Sem preocupação com deficientes, cidade da Bahia constrói ponte com poste no meio
NO CAMINHO: Sem preocupação com deficientes, cidade da Bahia constrói ponte com poste no meio
No meio do caminho há um poste. A paráfrase de uma das frases mais conhecidas de Carlos Drummond de Andrade se aplica na prática em um pequeno município localizado no Baixo-Sul da Bahia. Em Ituberá, deficientes físicos que precisam passar por uma das vias do centro têm encontrado dificuldades após uma obra realizada pela Prefeitura.
“Com as fortes chuvas que caíram no final do ano passado, parte da ponte sobre o Rio dos Cágados desabou. A Prefeitura reconstruiu a mesma e, no final do projeto, retirou a rampa que tinha na porta de um estabelecimento comercial e colocou um poste no local”, conta a professora Maria Angélica Coutinho, responsável pela denúncia.
Segundo ela, a colocação do objeto foi realizada pela gestão municipal somente por uma questão estética. “O poste estava localizado na frente do prédio onde funciona a prefeitura. Eles retiraram de lá e colocaram ao final da ponte. Não vejo problema que ele fique onde está, desde que seja feito um recuo”, exemplifica.

Nesta fotografia enviada à redação do Aratu Online pela professora é possível notar que no projeto de execução da ponte existe uma pequena rampa para cadeirantes. Porém, qualquer pessoa de cadeira de rodas que precise utilizar a mesma vai encontrar dificuldades por causa do obstáculo instalado logo à frente.
Maria Angélica revela ainda que já esteve em postos da Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba), responsável pelo poste, mas não obteve resposta. “A empresa se isenta da responsabilidade e diz que esta parte é com a Prefeitura”, resume. A assessoria de imprensa da companhia informou ao Aratu Online que não há qualquer solicitação registrada em seu sistema para a remoção do poste em Ituberá.
Procurado pela reportagem, o Secretário de Infra-Estrutura e Desenvolvimento Urbano da cidade, Carlos Augusto dos Santos, não atendeu às ligações em seu celular já que os órgãos municipais de Ituberá funcionam até às 13h diariamente.
ACESSIBILIDADE PARA QUEM?
A presidente da Associação Baiana dos Deficientes Físicos (ABADEF), Luiza Câmera, diz que questões parecidas com a que acontece em Ituberá apresentam rápidas soluções. “A questão da remoção de obstáculo é simples. Basta que as Prefeituras entendam a necessidade para que os deficientes tenham dignidade”, revela.
Para ela, há caminhos para que o problema na cidade do Baixo-Sul seja resolvido pela gestão municipal. “A pressão popular sempre funciona. Porém, para além disso, precisa-se que a cidade tenha uma instituição registrada para lutar pelos deficientes físicos, como uma que acabamos de inaugurar em Canavieiras”, lembra.
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